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Ciro Gomes diz que Bolsonaro “supõe que o povo é burro, incapaz de saber o que é socialismo”

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7 de janeiro de 2019

Em entrevista a Florestan Fernandes Júnior, no El País, o pedetista disse ainda que “nosso inimigo não é o PT” e aceitaria uma aliança com a sigla, caso seja colocado como nova liderança da oposição.

 

Em entrevista ao jornalista Florestan Fernandes Junior, divulgada na noite deste domingo (6) no site do jornal El País, Ciro Gomes (PDT) disse que o discurso de posse de Jair Bolsonaro (PSL) foi um “arroubo de palanque que parte da premissa da ignorância do povo”.

 

“O inquietante é que ele falou isso no discurso de posse, que costuma ser projetado para a história. Não era para ser um arroubo de palanque, mas o que ele repete é um arroubo de palanque que parte da premissa da ignorância do povo. Ele supõe que o povo é burro, incapaz de saber o que é socialismo”, disse Ciro, ressaltando que o discurso mostra o conservadorismo do capitão da reserva.

 

“Ao afirmar isso, esconjura na palavra socialismo todo o ranço conservador, que tem dois planos: conservadorismo de costumes e conservadorismo econômico. É uma tragédia, porque significa que o camarada, ao iniciar o Governo, anuncia que vai permanecer no palanque. Fica dizendo bobagens superficiais e se afirma num antipetismo também superficial”.

 

Na entrevista, Ciro afirmou que a oposição precisa colocar em pauta temas que sejam relevantes para o País, como a questão do emprego – que não foi sequer citada por Bolsonaro no discurso de posse.

 

“Seria um grave erro a gente aceitar a provocação do Bolsonaro de discutir identitarismos. A esmagadora maioria do povo brasileiro, que é pobre, está desempregada, assustada com a violência, maltratada na rede de saúde… Essa gente tende a entender nossas razões se estas razões forem discutidas. Mas se a gente for discutir “kit gay”… não que o assunto não mereça discussão. Estou só dizendo que o Bolsonaro não pode escolher o campo de batalha”, disse.
O pedetista disse ainda que aceitaria uma aliança com o PT, caso seja colocado como nova liderança da oposição. “Acho que sim. Nosso inimigo não é o PT. Agora, nós precisamos não nos comprometer. Estou falando sob o ponto de vista histórico”.

 

Moro e corrupção

 

Ciro ainda teceu críticas ao discurso “anti-corrupção” de Bolsonaro – que “já malversou verba do seu gabinete” – e chamou o ministro da Segurança Pública, Sérgio Moro, de “exibicionista”.

 

“É imperativo, especialmente para quem assentou na sua identidade o moralismo e que tem a presença simbólica do (Sérgio) Moro, um juiz exibicionista, chibata moral da nação. E tem coisas práticas: Bolsonaro, como deputado, já malversou verba do seu gabinete”.

 

Para Ciro, Moro está obrigado a esclarecer o esquema laranja, que envolve o ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL/RJ) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Fabrício Queiroz, “uma notícia crime em potencial”.

 

“O caso do Queiroz, agora, trata-se de uma notícia crime em potencial. É uma questão de moral e de decência esclarecer isso. Até porque esta foi a pedra angular da campanha que deu ao Bolsonaro o mandato como presidente. Se Bolsonaro emprestou dinheiro ao tal Queiroz, cadê o cheque? Que dia foi? Essa foi uma nova operação Uruguai como a do Collor? Foi antes ou depois do escândalo, para tentar cobrir o episódio? Se foi um empréstimo, de onde saiu o dinheiro do Bolsonaro para emprestar? São coisas concretas relativas ao presidente. Sérgio Moro está obrigado a esclarecer isso à nação brasileira”.

  

Fonte: Revista Forum