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Camila Wiebusch levou um soco na cabeça e foi derrubada por um golpe de muay thai. “Ele ficou me assediando e falando grosseiramente, de forma machista. Pedi para parar, cheguei a falar com os funcionários do bar, mas o homem continuou”, afirmou a vítima

 

Mais um caso de machismo que acabou em agressão física. Camila Wiebusch, de 28 anos, estava no Centro do Rio, no Bar do Nanam, quando um homem, identificado pela Polícia Civil como o faixa preta de jiu-jitsu Edson Diniz, começou a incomodá-la.

 

Segundo Camila, ela foi abordada, quando jogava sinuca junto com amigos. “Vou te ensinar a pegar no taco”, teria dito o homem. “Ele ficou me assediando e falando grosseiramente, de forma machista. Pedi para parar, cheguei a falar com os funcionários do bar, mas o homem continuou. Meus amigos tentaram afastá-lo, mas ele não parou. De longe ficava jogando beijinhos e dizendo que não era hora de mulher estar na rua.”

 

Camila e os amigos decidiram sair do local onde estavam. Mas Diniz foi atrás. “Fomos para o bar ao lado e ficamos tranquilos. Até que o sujeito voltou e ficou falando gracinhas. Aí eu não aguentei e pedi para ele sair, o xinguei e até o empurrei. Foi quando ele passou a desferir os golpes. Levei primeiro um soco violento na cabeça, próximo ao olho direito. Depois, não me lembro mais o que aconteceu. Meus amigos disseram que ele me atingiu ainda com uma espécie de rasteira e cai desacordada, batendo com a cabeça no chão.”

 

Seus amigos tentaram impedir o agressor, mas ele acabou fugindo. Camila registrou queixa na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) no Centro do Rio. “Luto contra todo tipo de preconceito, contra o machismo e o assédio. Não posso permitir que o caso fique impune. Quero que ele seja punido pela agressão”, afirmou Camila ao jornal O Globo.

 

Agressão aconteceu na parte de fora do bar

 

Rodrigo Cavalcanti, representante do Bar do Nanam, entrou em contato com a Fórum para esclarecer que a agressão se deu, na verdade, fora do bar – contrariando as primeiras versões que vieram a público sobre o caso.

 

Um vídeo, inclusive, foi enviado para comprovar o local dos fatos narrados.

Assista aqui.

 

Fonte: Revista Forum

(Foto: Ierê Ferreira)


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Marcha em Brasília pelo Dia Internacional da Mulher

 

Enquanto a desigualdade de gênero no mercado de trabalho estiver longe do fim, não há como falar em igualdade na aposentadoria

 

O repúdio à reforma da Previdência proposta pelo governo Michel Temer foi uma das bandeiras erguidas pelas mulheres brasileiras neste 8 de março. Em discussão na Câmara dos Deputados, o projeto iguala as regras da aposentadoria para homens e mulheres ao exigir um mínimo de 65 anos de idade e 25 anos de contribuição para ambos os sexos.

 

Se passar, a PEC 287/2016 tende a aprofundar a desigualdade de gênero no País. O regime previdenciário brasileiro é de repartição, solidário. Seu objetivo é provocar um efeito redistributivo, com os jovens contribuintes pagando a aposentadoria dos idosos, por exemplo. O sistema está intrinsecamente ligado ao mercado de trabalho, e uma de suas funções é corrigir desigualdades.

 

Para pesquisadoras ouvidas por CartaCapital, a reforma da Previdência proposta ignora a histórica desigualdade de gênero presente no mercado de trabalho brasileiro. A taxa de ocupação das mulheres é menor, e elas também recebem salários inferiores. A diferença salarial vem caindo com o tempo, mas essa redução tem sido lenta. De acordo com dados do Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE), em 2015 o rendimento das mulheres equivalia a 76% o dos homens, em média.

 

O desemprego também as atinge de forma desigual. Como principais responsáveis pelas tarefas domésticas e de cuidados, as mulheres ainda se veem sobrecarregadas com a dupla jornada de trabalho. De acordo com os dados mais recentes do IBGE, referentes ao último trimestre de 2016, o índice de desemprego chegou a 10,7% para os homens e a 13,8% para as mulheres.

 

Economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Joana Mostafa afirma que, de todos os pontos críticos da proposta, o mais grave é a mudança no tempo mínimo de contribuição para ter direito à aposentadoria. Hoje, para se aposentar por idade é exigido um mínimo de 15 anos de contribuição, para homens e mulheres. Com a reforma, ambos terão que contribuir por 25 anos.

 

“Às mulheres é atribuído socialmente um papel, que é o papel de cuidados: cuidar da casa, das crianças, dos idosos, das pessoas com deficiência. Não importa se ela efetivamente vai executar esses cuidados, se ela é mulher, é atribuído a ela esse papel”, afirma.

 

Com o aumento da exigência do tempo de contribuição, quase metade das trabalhadoras pode não conseguir se aposentar no futuro. Essa é a estimativa calculada por um grupo de trabalho do Ipea, do qual Mostafa faz parte, que em breve divulgará uma série de notas técnicas sobre a proposta de reforma da Previdência.

 

“A divisão sexual do trabalho faz com que as mulheres tenham mais dificuldade de acessar o mercado formal e, portanto, mais dificuldade de acumular os anos de contribuição. Hoje, 15 anos de contribuição já exclui muita gente. Para as domésticas, por exemplo, é muito difícil. Aumentar para 25 anos vai excluir ainda mais, só os mais estruturados no mercado de trabalho vão conseguir”, afirma a economista.

 

Ao definir regras iguais para os sexos, o governo argumenta que as mulheres vivem mais que os homens e, ainda, que o “padrão internacional atual” é de igualar ou aproximar o tratamento de gênero na Previdência. “A diferença de cinco anos de idade ou contribuição, critério adotado pelo Brasil, coloca o País entre aqueles que possuem maior diferença de idade de aposentadoria por gênero”, pontuou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, na proposta enviada ao Congresso.

 

A fala de Meirelles se baseia em um relatório sobre aposentadorias pelo mundo, produzido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em artigo publicado no jornal O Globo, a economista e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Lena Lavinas afirma que, em diversos países que integram a OCDE, os sistemas previdenciários foram reformados de modo a enfrentar os determinantes estruturais da desigualdade de gênero.

 

“Suécia, Noruega, Suíça, e em tantos outros países, as mulheres que podem justificar dedicação a filhos e idosos, familiares doentes ou até desemprego de longo prazo receberam créditos (menos tempo de contribuição ou idade mínima menor para aposentar) ou terão suas contribuições ao sistema pagas pelo Estado”, diz Lavinas no artigo, intitulado Armadilhas da igualdade.

 

O debate sobre a Previdência tem gerado discursos dissonantes entre as mulheres. Algumas feministas defendem idades iguais por avaliarem que a igualdade de gênero deve ser um princípio acima de tudo, em todas as esferas. Esse mesmo grupo, no entanto, concorda com a necessidade de um período de transição para mudanças na Previdência, durante o qual o governo fortaleceria suas políticas públicas de combate às desigualdades.

 

No Brasil de Temer, porém, nenhuma contrapartida foi feita às mulheres. Tampouco foi proposta a ampliação e a melhoria do sistema de creches, por exemplo. Dados de 2015 do Ministério da Educação apontam que creches públicas e privadas atendem apenas 30,4% das crianças com idade entre 0 e 3 anos.

 

 

Protesto
Ato pelo Dia da Mulher reuniu milhares na praça da Sé, em São Paulo (Foto: AGPT)

A economista Hildete Pereira de Melo, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), se diz cética quanto à capacidade dos governos em enfrentar a desigualdade de gênero. “A regra de transição seria muito boa se a nossa experiência histórica não nos mostrasse como é difícil que isso aconteça na vida real. Especialmente neste momento, em que toda a nossa política social está sendo desmontada”, afirma Melo, que edita a revista Gênero, da UFF.

“É por isso que eu sou cética. E digo: vamos manter a desigualdade. Neste caso, a desigualdade é a possibilidade que as mulheres têm de não ter uma vida ainda mais sofrida. Esta é uma bandeira que deixa algumas de nós mudas. Elas pensam: ‘sempre fiz um discurso pela igualdade, e de repente saio pela desigualdade’. Sim, porque não tem jeito! Vivemos em uma sociedade patriarcal e o mercado de trabalho é extremamente desigual. Então vamos para a briga”, convoca Melo.

 

Professora do departamento de Demografia e Ciência Atuariais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Luana Myrrha concorda. “Igualdade de gênero na Previdência sem que haja igualdade de gênero na sociedade, principalmente no mercado de trabalho e nos afazeres domésticos, tende a penalizar ainda mais as mulheres”, afirma. “Creio que um período de transição seria uma boa proposta, mas a pergunta que fica é: qual seria esse período? As distorções nos salários e nos trabalhos domésticos estão longe de serem corrigidas.”

 

Homens e mulheres estão, de fato, dividindo mais as tarefas, mas a diferença ainda existe. Somando o serviço doméstico e o trabalho remunerado, as mulheres trabalham, em média, 7,5 horas a mais que os homens por semana. É o que aponta estudo divulgado nesta semana pelo Ipea, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE.

 

Coautora do artigo A questão previdenciária: simulações quanto à igualdade de gênero – vantagem para a Previdência Social e desvantagem para a mulher, publicado em 2016, a professora da UFRN afirma que a antecipação de cinco anos na aposentadoria das mulheres está absolutamente de acordo com a realidade brasileira.

 

“A sobrecarga da dupla jornada é uma realidade na vida das brasileiras, então o ‘bônus’ de cinco anos a menos para as mulheres requererem as suas aposentadorias me parece justificável”, diz Myrrha. “A missão da Previdência é garantir proteção ao trabalhador e sua família, por meio de uma política previdenciária solidária, cujo objetivo é promover o bem-estar social. Diante da sua definição, acho que a previdência precisa considerar as diversas desigualdades presentes na sociedade brasileira. Desconsiderar as desigualdades é descaracterizar o objetivo dessa política.”

 

Fonte: Carta Capital


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Ministros da Primeira Turma do Supremo decidem, por unanimidade, recusar os argumentos da defesa do deputado e reiteram decisão de abrir duas ações penais contra ele por incitação ao crime de estupro e injúria

 

Pré-candidato à Presidência da República, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) sofreu uma dupla derrota no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (7). Por unanimidade, os ministros da Primeira Turma rejeitaram recursos apresentados pela defesa do parlamentar contra a abertura de dois processos – por incitação ao crime de estupro e por uma queixa-crime por injúria, apresentada pela deputada Maria do Rosário (PT-RS). Os ministros confirmaram, assim, a decisão tomada em junho do ano passado de tornar o deputado réu nos dois processos.

 

Bolsonaro responderá aos processos por ter dito, em discurso no plenário da Câmara, em dezembro de 2014, que Maria do Rosário “não merecia ser estuprada”. O deputado reiterou os ataques à colega em entrevista publicada no dia seguinte pelo jornal gaúcho Zero Hora. “É muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria”, declarou.

 

Nos embargos de declaração, Bolsonaro alegava “obscuridade” na decisão da Turma, sob o argumento de que a campanha da deputada [#eunãomerecoserestuprada] não teria se iniciado em razão da fala dele. Ele também questionava o não reconhecimento da incidência da imunidade parlamentar no caso.

 

Relator dos recursos e dos processos, o ministro Luiz Fux concluiu pela “absoluta ausência dos vícios alegados” pelo deputado. Fux ressaltou que, para a análise da decisão do recebimento da denúncia, é insignificante verificar a data em que teve início a referida campanha. O acórdão cuidou unicamente de distinguir o lema da campanha, do sentido e da conotação que simbolicamente foram empregados pelo deputado, tendo o ato sido caracterizado, de início, como delituoso. “O embargante visa, pela via imprópria, rediscutir os temas que já foram objeto de análise quando da apreciação da matéria defensiva no momento do recebimento da denúncia pela Primeira Turma”, alegou o ministro, no que foi acompanhado pelos demais ministros.

 

O Supremo aceitou a abertura das duas ações penais contra Bolsonaro em 21 de junho de 2016, por quatro votos a um. Em 2014, o deputado subiu à tribuna logo depois de um discurso feito por Maria do Rosário sobre os 50 anos do golpe militar de 1964. Com severas críticas ao regime de exceção, a deputada despertou a indignação do colega de Parlamento (veja no vídeo abaixo), capitão da reserva e ferrenho defensor do militarismo.

 

“Não saia, não, Maria do Rosário, fique aí. Fique aí, Maria do Rosário. Há poucos dias você me chamou de estuprador no Salão Verde e eu falei que eu não a estuprava porque você não merece. Fique aqui para ouvir”, disse Bolsonaro em 9 de dezembro de 2014, logo após discurso da deputada sobre o Dia Internacional dos Direitos Humanos e a divulgação do relatório final da Comissão Nacional da Verdade.

 

“A violência sexual é um processo consciente de intimidação pelo qual as mulheres são mantidas em estado de medo”, disse o ministro-relator, Luiz Fux, ao emitir o parecer pelo acolhimento das denúncias. Os ministros Edson Fachin, Rosa Weber e Luis Roberto Barroso acompanharam o voto do relator. “Imunidade não significa impunidade”, destacou Rosa Weber.

 

Com a decisão, o deputado passa a responder formalmente por uma acusação no STF, passando da condição de alvo de inquérito para investigado em ação penal. Se for condenado, pode pegar de 3 a 6 meses de prisão, além de multa. Na ocasião, Bolsonaro publicou em seu Twitter uma imagem informando sobre a decisão da corte: “Diante de tantos escândalos no país, a ética e a moral serão condenadas?”.

 

A defesa do parlamentar alega que ele não fez qualquer incitação ao estupro e que é autor de projetos que endurecem punição a estupradores. “Ele é conhecido por projetos de lei que tendem a aumentar as penas de crimes e para que condenado por crime sexual deve ser submetido a castração química para obter benefícios. É uma mentira insinuar que o deputado tenha incitado a prática de qualquer crime”, alega a defesa.

 

Veja o vídeo:

 

 

 

Fonte: Congresso em Foco


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A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, defendeu nesta terça-feira a existência de cotas de gênero para apoiar a inclusão feminina no mercado de trabalho, já que, caso contrário, a participação das mulheres não avançará rápido o suficiente.

 

“Costumava pensar que era ofensivo contar com cotas de gênero. Até que olhei para a evolução demográfica e percebi que não avançava suficientemente rápido. Por isso, sou a favor das cotas”, afirmou Lagarde em uma conferência no Centro de Estudos Estratégicos Internacionais (CSIS) em Washington.

 

Lagarde citou uma lei francesa que obriga que 40% dos conselhos de direção das empresas sejam mulheres. Primeira a mulher a comandar o FMI em mais de 70 anos de história do órgão, ainda afirmou que os Produtos Internos Brutos (PIB) dos países crescem quando as diferenças de gênero diminuem.

 

A ex-ministra francesa disse que, desde que assumiu o cargo de diretora-gerente do FMI em 2011, reforçou que o “empoderamento econômico das mulheres no mundo deve ser uma prioridade”.

 

“Se 50% da humanidade não tem acesso ao trabalho, esse é um problema macroeconômico. Em alguns casos, as barreiras culturais são enormes”, disse Lagarde no evento, realizado na véspera da comemoração do Dia Internacional da Mulher.

 

A ex-ministra criticou os Estados Unidos por serem o único país desenvolvido onde não há licença maternidade, algo que considerou como um mecanismo “vital” para encorajar a participação da mulher no mercado de trabalho a longo prazo”.

 

Fonte: EFE


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Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, é impossível não lembrar da história da cearense Maria da Penha, mãe de três filhas, que levou um tiro nas costas enquanto dormia, em maio de 1983. O disparo, efetuado por seu então marido, Marco Antonio Heredia Viveros, colocou-a em uma cadeira de rodas.

 
Paraplégica, vítima de anos de violência doméstica (física e psicológica), lutou por quase duas décadas para ver seu agressor punido -16 meses em regime fechado. Antes disso, Heredia Viveros havia sido condenado em dois julgamentos, mas acabou em liberdade graças a recursos impetrados por sua defesa.

 

A determinação de ver seu algoz pagar pelos crimes na Justiça fizeram, com o apoio do Cladem (Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher) e do Cejil (Centro pela Justiça e o Direito Internacional), o Brasil ser denunciado na OEA (Organização dos Estados Americanos) por sua tolerância e omissão nos casos de violência contra a mulher.

 

Condenado, o país foi obrigado a cumprir recomendações e alterar sua legislação para a prevenção e a proteção da mulher em situação de violência doméstica, com a punição do agressor.

 

Com isso, em 7 de agosto de 2006, a lei nº 11.340, conhecida também como Lei Maria da Penha, foi sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

A LEGISLAÇÃO

 

A lei nº 11.340/2006 estabelece que violência doméstica (física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral) é crime e prevê que a Justiça conceda medidas para garantir a proteção das vítimas, em até 48 horas após a notificação –o que não acontece em muitos casos.

 

Algumas dessas medidas de proteção são: afastamento do lar; limite de aproximação e proibição de contato com a vítima, familiares e testemunhas; proibição de presença em determinados lugares e restrição de visitas aos dependentes menores.

 

Um levantamento feito pela Folha, publicado no aniversário de dez anos da lei, mostrou que apenas 28 municípios –de 5570– têm policiamento específico para mulheres. Outro problema refere-se ao atendimento. Na cidade de São Paulo, apenas uma Delegacia da Mulher atende 24h, o que é motivo de reivindicação por parte de ativistas.

 

Apesar de a lei ser um mecanismo importante em defesa da mulher, ela também enfrenta problemas de fiscalização de seu cumprimento, como revelou reportagem da Folha, na qual uma vítima viu o ex-marido burlar 15 vezes uma medida protetiva concedida pela Justiça.

 

Os casos relacionados à Lei Maria da Penha no Estado de SP cresceram 131% nos últimos quatro anos. Em 2013, havia 18.600 processos à espera de uma decisão e, no fim de 2016, a quantidade chegava a 42.900. No período, houve também mais sentenças proferidas pelos juízes –o total saltou de 5.600 para 16 mil. Os números são do “Anuário da Justiça São Paulo 2017” –com publicação prevista para esta quarta (8)–, como adiantou a coluna da Mônica Bergamo em 22 de fevereiro.

 

INSTITUTO MARIA DA PENHA

 

Maria da Penha, hoje com 71 anos, é fundadora do instituto que leva seu nome, uma organização não governamental, sem fins lucrativos, que tem como objetivo a conscientização das mulheres sobre os seus direitos e o fortalecimento da lei que leva o seu nome.

 

ONDE PROCURAR AJUDA?
Vítimas podem se dirigir a delegacias especializadas para realizar denúncias. Centros de Referência a Mulheres em Situação de Violência (CRMs) também oferecem atendimento psicológico, social e jurídico.

 

CENTROS DE REFERÊNCIA (CRMS)
Atendimentos de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

 

Centro
Centro de Referência da Mulher 25 de Março
Rua 25 de Março, 205 – Centro
Fone: (11) 3106-1100

 

Zona Norte
CRM Casa Brasilândia
Rua Silvio Bueno Peruche, 538 – Brasilândia
Fone: (11) 3983-4294 / 3984-9816

 

Zona Sul
CRM Casa Eliane de Grammont
Rua Dr. Bacelar, 20 – V. Clementino
Fone: (11) 5549-9339 / 5549-0335

 

CRM Maria de Lourdes Rodrigues
Rua Dr. Luís da Fonseca Galvão, 145
Parque Maria Helena
Capão Redondo
Fone:(11) 5524-4782

 

Zona Leste
CRM Onóris Ferreira Dias
Rua Pedro Soares de Andrade, 664 – Vila Rosaria
São Miguel Paulista
Fone: (11) 2698-0303

 

 

DELEGACIA DA MULHER EM SP

 

1ª Delegacia de Defesa da Mulher – Centro
Rua Dr. Bittencourt Rodrigues, 200 – térreo – CEP 01017-010 – São Paulo
Telefone: (11) 3241-3328

 

2ª Delegacia de Defesa da Mulher – Sul
Avenida Onze de julho, 89 – térreo – CEP 04041-050 – São Paulo
Telefone: (11) 5084-2579

 

3ª Delegacia de Defesa da Mulher – Oeste
Avenida Corifeu de Azevedo Marques, 4300 – 2º andar – CEP 05339-002 – São Paulo
Telefone: (11) 3768-4664

 

4ª Delegacia de Defesa da Mulher – Norte
Avenida Itaberaba, 731 – 1º andar – CEP 02734-000 – São Paulo
Telefone: (11) 3976-2908

 

5ª Delegacia de Defesa da Mulher – Leste
Rua Dr. Corinto Baldoíno Costa, 400 – 2º andar –  CEP 03069-070 – São Paulo
Telefone: (11) 2293-3816

 

6ª Delegacia de Defesa da Mulher – Santo Amaro
Rua Sargento Manoel Barbosa da Silva, nº 115 – 2º andar – CEP 04675-050 – São Paulo
Telefone: (11) 5521-6068 e 5686-8567

 

7ª Delegacia de Defesa da Mulher – São Miguel Paulista
Rua Sabbado D’Angelo, 46 – Itaquera – térreo – CEP 08210-790 – São Paulo
Telefone: (11) 2071-3488

 

8ª Delegacia de Defesa da Mulher – São Mateus
Avenida Osvaldo do Valle Cordeiro, 190 – 2º andar – CEP 03584-000 – São Paulo
Telefone: (11) 2742-1701

 

9ª Delegacia de Defesa da Mulher – Pirituba
Avenida Menotti Laudisio, 286 – térreo – CEP 02945-000 – São Paulo
Telefone: (11) 3974-8890

 

POR ALBERTO NOGUEIRA


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A data foi incluída no calendário nacional de datas comemorativas em 2015 como forma de celebração da conquista e convite à reflexão sobre a participação da mulher na política

 

Neste dia 24 de fevereiro comemoram-se 85 anos da conquista do direito ao voto feminino no Brasil, instituído durante o governo de Getúlio Vargas, em 1932, por meio do código eleitoral. A data foi incluída no calendário nacional de datas comemorativas em 2015 como forma de celebração da conquista e convite à reflexão sobre a participação da mulher na política.

 

Apesar de representar a maioria da população e do eleitorado brasileiro, ainda é pequena a representação feminina nos cargos do executivo e legislativo. “Avançamos em muitas questões e precisamos celebrar este momento, mas sempre pensando e criando meios para inserção da mulher em uma sociedade mais justa e igualitária”, ressalta a vice-governadora de Mato Grosso do Sul, Rose Modesto, sobre o dia que oficializa a inclusão da mulher na vida política do país.

 

“É preciso mudar essa realidade, discutindo o sistema eleitoral vigente e realizando uma grande reforma política. É preciso formar novas lideranças e ampliar a participação da mulher nas discussões político-partidárias, para reescrever a democracia brasileira com a efetiva participação das mulheres e novas lideranças”, complementa a subsecretária de Políticas Públicas para Mulheres do MS, Luciana Azambuja Roca, que aproveitou a data para reunir mulheres representantes de movimentos sociais e fomentar essa discussão.

 

Representatividade

 

O Brasil, nona economia do mundo, ainda perde no quesito representatividade da mulher no Parlamento. Segundo levantamento apresentado na cartilha “Mais Mulheres na Política”, produzida pela Procuradoria Especial da Mulher do Senado, comparado com nossos vizinhos latino-americanos, o Brasil apresenta a penúltima posição, à frente apenas do Haiti.

 

Considerando o ranking mundial, entre 188 países pesquisados, o Brasil amarga a 158ª posição. Mato Grosso do Sul conta somente com uma deputada federal e, dentre 24 parlamentares estaduais, apenas três deputadas. Na Câmara Municipal de Campo Grande, em 2012 foram eleitas cinco vereadoras, mas no último pleito, apenas duas mulheres foram eleitas.

 

Cotas

 

A Lei nº 9.100/1995, que regeu as eleições de 2006, trouxe uma grande conquista feminina ao determinar que pelo menos 20% das vagas de cada partido ou coligação deveriam ser preenchidas por candidatas mulheres. A Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições) determinou que no pleito geral de 1998 o percentual mínimo de cada sexo fosse de 25%. Já para as eleições posteriores, a lei fixou em 30%, no mínimo, a candidatura de cada sexo.

 
Em 2009, a reforma eleitoral introduzida pela Lei n° 12.034 instituiu novas disposições na Lei dos Partidos Políticos (Lei n° 9.096/1995) de forma a privilegiar a promoção e difusão da participação feminina na política.
 

Entre essas disposições está a determinação de que os recursos do Fundo Partidário devem ser aplicados na criação e manutenção de programas de promoção e difusão da participação política das mulheres, conforme percentual a ser fixado pelo órgão nacional de direção partidária, observado o mínimo de 5% do total repassado ao partido.

 
A reforma eleitoral exige ainda que a propaganda partidária gratuita promova e difunda a participação política feminina, dedicando às mulheres o tempo que será fixado pelo órgão nacional de direção partidária, observado o mínimo de 10%.
 

 

Pioneirismo brasileiro

 

A instituição do voto feminino se deu a partir de uma reforma no Código Eleitoral, com a assinatura do Decreto-Lei 21.076, de 24 de fevereiro de 1932 pelo então Presidente Getúlio Vargas. Mas somente às mulheres casadas,viúvas e solteiras que tivessem renda própria podiam votar. O Brasil, em comparação a outros países, pode ser considerado pioneiro. Argentina e França só o fizeram na década de 1940, e Portugal, Suíça, na década de 1970. Nova Zelândia, no entanto, saiu na frente ao instituir o voto feminino em 1893.
 

A luta pelo voto feminino no Brasil iniciou-se em 1910, quando a professora Deolinda Daltro fundou, no Rio de Janeiro, o Partido Republicado Feminino. Porém, manifestações mais contundentes só ocorreram em 1919, quando a bióloga Bertha Lutz fundou a Liga pela Emancipação Intelectual da Mulher.

 

Há, nos registros históricos brasileiros, uma mulher que conseguiu o alistamento eleitoral logo após a proclamação da República. Para participar das eleições da nova Assembléia Constituinte, ela invocou a “Lei Saraiva”, promulgada em 1881, que determinava direito de voto a qualquer cidadão que tivesse uma renda mínima de dois mil réis.

 

Por Jéssika Machado – Subcom com informações do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). 


Women's March on Washington - March

Um dia após a posse do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, milhares de mulheres de mais de 30 países foram às ruas neste sábado (21), contra ele e a favor de seus direitos.

 

Na capital americana, Washington, milhares foram às ruas. Do lado de fora das estações de metrô era possível ver longas filas para participar da Women’s March on Washington (Marcha das Mulheres em Washington). O ponto central do movimento é que os direitos das mulheres são direitos humanos.

 

 

womens march

 

 

Ativista feminista e defensora dos direitos civis da população negra nos Estados Unidos, Angela Davis, de 72 anos, fez um apelo apaixonado pela resistência e pediu ao público para se tornar mais militante em suas demandas de justiça social especialmente nos próximos quatro anos.

 

“Esta é uma Marcha das Mulheres e ela representa a promessa de um feminismo contra o pernicioso poder da violência do Estado. E um feminismo inclusivo e interseccional que convoca todos nós a resistência contra o racismo, a islamofobia, ao anti-semitismo, a misoginia e a exploração capitalista”, disse Angela durante o discurso.

 

Assista ao vídeo:

 

 

Davis – autora do livro Mulheres, Raça e Classe, editado no Brasil pela editora Boitempo – , é uma das principais vozes que analisam as condições da população negra por um viés interseccional, isto é, que se debruça sobre como o racismo, o capitalismo e o sexismo são condições estruturantes nas relações humanas, responsáveis por gerar formas combinadas de opressão em toda a sociedade.

 

No passado, a ativista fez parte do grupo Panteras Negras e do Partido Comunista dos Estados Unidos. Foi perseguida e presa em 1970, tornando-se mundialmente conhecida por meio da campanha “Libertem Angela Davis”. Esta história é contada em detalhes no documentário de mesmo nome, disponível aqui.

 

Ainda em seu discurso, Angela Davis lembrou que a história dos Estados Unidos foi marcada pela luta em busca da liberdade da população negra e que medidas anunciadas por Donald Trump não poderão apagar a história:

 

“Este é um país ancorado na escravidão e no colonialismo, o que significa, para o bem ou para o mal, a real história de imigração e escravização. Espalhar a xenofobia, lançar acusações de assassinato e estupro e construir um muro não apagarão a história”.

 

 

angela davis

 

 

Leia o discurso completo de Angela Davis, em tradução livre:

 

Em um momento desafiador de nossa história, vamos nos lembrar que somos centenas de milhares, milhares de mulheres, pessoas transgênero, homens e jovens que estamos aqui na Marcha das Mulheres. Nós representamos a poderosa força de mudança que está destinada a impedir que a cultura racista e patriarcal floresça novamente.

 

Nós reconhecemos que somos coletivos de agentes históricos e que a história, em si, não pode ser deletada como páginas da internet. Sabemos que esta tarde estamos reunidos em terras indígenas e seguimos a liderança dos primeiros povos que viveram aqui e que, apesar da massiva violência genocida, nunca renunciaram a luta pela terra, pela água, pela cultura e pelo seu povo. Hoje saudamos especialmente o Standing Rock Sioux [reserva indígena localizada na Dakota do Sul e na Dakota do Norte, nos Estados Unidos].

 

A liberdade e a garra da população, que moldaram este país, não pode ser deletada como o virar de uma mão. Não podemos esquecer que vidas negras realmente importam. Este é um país que foi ancorado na escravidão e no colonialismo, o que significa, para melhor ou pior, que a própria história dos Estados Unidos é uma história de imigração e escravização. Espalhar a xenofobia, lançar acusações de assassinato e estupro e construir muros não apaga a história. Nenhum ser humano é ilegal.

 

A luta para salvar o planeta, para parar as mudanças climáticas, para garantir a acessibilidade da água das terras do Standing Rock Sioux, Flint, Michigan, para a Cisjordânia e Gaza. A luta para salvar a nossa flora e fauna, para salvar o ar – este é o ponto zero da luta pela justiça social.

 

Esta é uma Marcha das Mullheres e esta Marcha representa a promessa do feminismo contra os poderes perniciosos da violência do Estado. E o feminismo inclusivo e intersetorial que convoca todos nós a juntar-se à resistência ao racismo, à islamofobia, ao anti-semitismo, à misoginia, à exploração capitalista.

 

Sim, saudamos a “Fight for $15″ [a primeira de muitas greves e atos de rua realizados em especial por trabalhadores de fast food que exigiam um salário mínimo de US$15 por hora e um Sindicato]. Nós nos dedicamos à resistência coletiva. Resistência aos bilionários aproveitadores de hipotecas e gentrificadores. Resistência aos corsários de saúde. Resistência aos ataques aos muçulmanos e aos imigrantes. Resistência aos ataques a pessoas com deficiência. Resistência à violência estatal perpetrada pela polícia e pelo complexo industrial prisional. Resistência à violência institucional e de gênero especialmente contra mulheres trans negras.

 

Os direitos das mulheres são direitos humanos em todo o planeta e é por isso que dizemos liberdade e justiça para a Palestina. Celebramos a iminente libertação do Chelsea Manning. E Oscar López Rivera. Mas também dizemos liberte Leonard Peltier. Liberte Mumia Abu-Jamal. Liberte Assata Shakur.

 

Ao longo dos próximos meses e anos, seremos chamados para intensificar as nossas exigências de justiça social e para nos tornarmos mais militantes em defesa das populações vulneráveis. Aqueles que ainda defendem a supremacia do patriarcado hetero-patriarcado masculino branco devem ter cuidado.

 

Os próximos 1.459 dias do governo Trump serão 1.459 dias de resistência: resistência no chão, resistência nas salas de aula, resistência no trabalho, resistência em nossa arte e em nossa música.

 

Este é apenas o começo e nas palavras da inimitável Ella Baker, “Nós que acreditamos na liberdade não podemos descansar até que ela venha”.

 

Obrigada.

Além de Angela, Gloria Steinem

gloria steinem

 

 

Durante a marcha, a ativista Gloria Steinem fez um discurso que, assim como o de Angela Davis, lembrou os participantes da marcha da importância de não ignorar a história dos Estados Unidos e em como ignorar este contexto histórico pode ser preocupante para o futuro dos direitos civis:

 

“Tudo o que aconteceu antes dele foi um desastre. E tudo o que ele faria seria fantástico, o melhor de sempre, milagres e todos os superlativos. Ele também disse que estava com o povo. Na verdade, ele era o povo. Parafraseando uma citação famosa, eu apenas tenho que dizer, “eu conheci as pessoas, e você não são eles.” Nós somos as pessoas.”

E Gloria também criticou o discurso de posse de Donald Trump, em que o presidente falou em união nacional:

 

“Não tente nos dividir. Se forçar os muçulmanos a se registrar, todos nós nos registaremos como muçulmanos. […] E há mulheres aqui, eu sei, que sobreviveram a uma indústria sexista nacional e global. Estamos unidos aqui pela integridade corporal. Você não pode controlar suas vidas, nossas vidas. E isso significa que o direito de decidir se e quando dar à luz sem interferência do governo.”

Assista ao discurso completo:

 

 

 

 

Madonna e outras celebridades pelas mulheres

 

Segundo a Reuters, o protesto começou pela manhã, enquanto Trump participava, ao lado de sua família e do vice-presidente Mike Pence, de uma cerimônia religiosa na Catedral Nacional de Washington, que tradicionalmente fecha os eventos de posse do novo presidente.

 

Nas ruas, além de milhares de pessoas, personalidades, como Madonna e Alicia Keys, as atrizes Scarlett Johansson, Ashley Judd e America Ferrero, e o cineasta Michael Moore, além de outros ativistas, discursaram contra o presidente e pediram mais respeito às mulheres, imigrantes, muçulmanos, gays, deficientes físicos e minorias.

 

“Bem-vindo à revolução do amor”, disse a Madonna, encerrando horas de discursos de celebridades e ativistas. “À rebelião. À nossa recusa como mulheres em aceitar essa nova era da tirania”.

 

Fonte: Brasil Post


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No último ano, repasse feito pelo Governo Federal para políticas de mulheres, negros e direitos humanos é 35% menor

 

Em 2016, o repasse orçamentário destinado a políticas federais para pautas de mulheres, população negra e direitos humanos foi reduzido em 35% pelo governo federal. Enquanto em 2015 esse valor correspondia a R$ 95.263.006,89 do orçamento público, no último ano, o montante passou a R$ 61.842.623,05.


O levantamento em questão foi realizado pelo site Poder 360 e levou em consideração dados do SIAFI (Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal), que realiza o controle do orçamento nacional. Os dados puderam ser consultados através da ferramenta SIGA Brasil, do Senado Federal.


Para fins da análise, foram consideradas as 15 principais ações dessa área que, em 2015, foram destinatárias da maior parte do orçamento. Entre elas estão, por exemplo, as Casas da Mulher Brasileira, centros relevantes por promoverem o acesso aos serviços de enfrentamento à violência contra a mulher, o empoderamento feminino e a autonomia econômica das mulheres. Em 2015, elas receberam R$ 27,6 milhões, já em 2016 esse valor foi reduzido para R$ 15,6 milhões.


No mesmo caminho da redução, as ações voltadas ao reconhecimento e indenização de populações quilombolas receberam R$4,16 milhões a menos do governo federal — de R$ 15,06 milhões em 2015, para R$ 10,9 milhões em 2016. Ações de enfrentamento ao racismo também: enquanto em 2015 foram destinatárias de R$ 4,1 milhões, no último ano o repasse foi de R$ 2,3 milhões.


Os valores calculados não levam em conta os gastos com salários de servidores nem outros custos administrativos, como o aluguel de imóveis e o cálculo não considera a inflação do período.


O único ponto fora da curva se trata do programa Disque Direitos Humanos, que funciona como um canal para denúncias de violação de direitos humanos. A verba para o programa passou de R$ 19,3 milhões em 2015 para R$ 24,2 milhões em 2016. Parte substancial desse valor — R$18,2 milhões —  foi reservado antes do início da gestão de Michel Temer (PMDB), ainda em fevereiro.



Gestão Temer

Os dados que comprovam a queda do repasse remetem à forma como a pauta dos direitos humanos é trabalhada pelo atual governo. Entre as principais críticas feitas à gestão Temer, está o fato de, logo que assumiu a Presidência — maio deste ano —, o político ter extinto, entre outros, o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.

Criado em outubro de 2015 pela então Presidenta Dilma Rousseff (PT), o ministério unia, em uma mesma pasta, três secretarias: a de Direitos Humanos (SDH), Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e de polÍticas para Mulheres (SPM).

Com as mudanças promovidas por Temer e seus aliados, essas Secretarias são, hoje, parte da estrutura e responsabilidade do Ministério da Justiça, comandado pelo ministro Alexandre de Moraes.


Fonte: Brasil de Fato


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Ativistas do Femen protestam contra a MGF (Mutilação Genital Feminina) na Praça do Parlamento, no centro de Londres, em julho de 2014

 

Mais de 60 mil mulheres que vivem na França seriam circuncidadas. Ainda que existam cirurgias reparadoras, o mais difícil muitas vezes é conseguir falar sobre esse trauma, que pode ser comparado a um estupro

 

Hoje Mintou é uma jovem “reparada”. Reparada? Quer dizer que ela não é mais circuncidada, e para ela é importante dizer: “Fui circuncidada quando bebê, em Paris. Eu só tinha alguns dias de vida, vivi incompleta até meus 25 anos de idade. Agora sou uma outra mulher, estou reparada, estou completa.”

 

O reparo do qual Mintou fala não é unicamente o de seu clitóris, ainda que tenha sido feito há oito meses, mas sim o de sua identidade de mulher, de sua psique, enfim, de todo seu ser. É um equilíbrio que ela reencontrou entre seu corpo e sua mente, graças à operação e graças à conscientização que a acompanhou. Para a psicanalista Catherine Bensaide, o trauma da circuncisão é comparável ao do estupro: “Essas mulheres que foram agredidas em sua intimidade ficam fragilizadas de forma irremediável.”

 

As Nações Unidas calculam que mais de 200 milhões de meninas tenham sofrido alguma forma de mutilação genital feminina nos 29 países da África e do Oriente Médio onde a prática é mais comum. A maioria dos países da África proíbe e condena oficialmente as mutilações genitais femininas. No entanto, um país como o Egito, que proíbe a prática desde 2008, tem 91% de suas mulheres entre 15 e 49 anos circuncidadas, segundo um relatório da Unicef de 2013.

 

Na França, ainda que os números sejam difíceis de estabelecer, estima-se em mais de 60 mil o número de mulheres circuncidadas. E, segundo a federação GAMS (Grupo pela Abolição das Mutilações Sexuais), 350 circuncisões ainda são perpetradas a cada ano, em uma estimativa por baixo. No dia 23 de novembro, o Ministério dos Direitos das Mulheres apresentou um quinto “plano de mobilização e de combate a todas as violências cometidas contra as mulheres”, incluindo três medidas que visam reforçar a prevenção da circuncisão e manter um acompanhamento sólido junto às mulheres e garotas em questão.

 

Para aqueles que a praticam, a ideia da circuncisão seria preservar as mulheres da infidelidade quando elas se casam, já que ao não sentirem prazer, elas não irão buscá-lo em outros lugares. Tanto que uma jovem que não seja circuncidada não é considerada boa para se casar. É importante explicar que nenhum preceito religioso exige esse ato cruel.

 

“Era tabu”

 

Quanto à questão de se é possível viver sem o clitóris, a resposta é não. Quanto ao aspecto físico, ginecologistas e urologistas são categóricos: uma ablação completa do clitóris, com ou sem os pequenos lábios, leva a inúmeros problemas que podem colocar em risco a saúde das mulheres e de bebês que vão nascer. “A cicatriz é uma região mais dura, e durante o parto a passagem do bebê tem grandes chances de deslocar essa cicatriz”, explica o urologista Pierre Foldès, especialista em reparos de mutilações genitais em mulheres. Essas mulheres mutiladas não sentem nenhum prazer sexual. Pior, as relações sexuais são dolorosas ou desconfortáveis em sua maior parte. Por fim, uma em cada três mulheres circuncidadas sofre de incontinência urinária durante toda a vida.

 

Mintou, de origem malinesa, não tinha nem um mês quando ela foi “cortada” em Paris pela célebre circuncisadora Hawa Greou, que viria a ser condenada a oito anos de prisão em 1999. Ela foi levada por sua mãe e sua avó, assim como quatro de suas cinco irmãs. Com uma faca à qual ela atribuía a força dos espíritos, a circuncisadora cortou o clitóris da recém-nascida com um gesto seguro e firme, que sua mãe e sua avó repetiram no passado. Uma circuncisão de “tipo 1″, como explicaria mais tarde o Dr. Foldès a Mintou: somente o clitóris foi cortado, e a circuncisadora poupou os pequenos lábios.

 

A menina cresceu feliz entre vários irmãos, volta com frequência para o Mali e nunca fala sobre sua genitália com sua mãe. “Cresci em meio ao amor de meus pais. Meu pai era faxineiro, ele lutou para nos sustentar. Eu sabia que em nossa terra as meninas eram mutiladas, mas isso era tabu, não se falava jamais sobre isso”, ela explica. Tanto que quando sua mãe morreu, quando ela tinha 18 anos, Mintou sentiu uma dor imensa, é claro, mas também a necessidade de saber. Ela marcou uma consulta com um ginecologista, e perguntou de cara para o médico: “Eu sou circuncidada?” A resposta não a surpreendeu.

 

Frédérique Martz, que trabalha junto a mulheres mutiladas no Instituto de Saúde Reprodutiva de Saint-Germain-en-Laye, explica que algumas mulheres crescem sem saber que são circuncidadas, e descobrem por acaso durante uma consulta, durante uma gestação, por exemplo. “Mas para todas as que conheci”, ela conta, “o fato de serem circuncidadas provocou grandes sofrimentos físicos, que o tabu que pesa sobre essa prática não ajuda a amenizar. ”

 

E com o quê se parece um clitóris? Essa pergunta assombra as mulheres circuncidadas. A imagem do pequeno apêndice e o papel que ele tem no prazer que lhe retiraram alimentam a imaginação dessas mulheres incompletas. Tanto que, às vezes, Mintou, que é auxiliar de enfermagem, dá uma espiada no sexo de suas pacientes.

 

Discretamente, por acaso, ela tenta ver, quando está cuidando de alguma delas, o que se esconde entre as pernas das mulheres intactas.

 

“Eu queria ver como eram os genitais de uma mulher normal. Depois, falei sobre minha circuncisão com meu pai. Ele sentia muito e lamentava que isso tivesse acontecido. Conversamos muito sobre isso, e nunca senti raiva de meus pais por causa disso”, conta a jovem que, alguns anos depois, decidiu fazer a cirurgia de reparo na clínica do Dr. Foldès.

 

Ele forma dupla com Frédérique Martz e o trabalho dos dois especialistas permitiu que mais de 5.140 mulheres recuperassem sua integridade física graças a essa cirurgia, paga pela Seguridade Social, e que a maioria delas se reapropriasse de sua vida sexual.

 

“Eu não incentivo necessariamente a cirurgia”, diz Frédérique Martz. “É um trabalho longo, e o reparo sozinho não basta, existe todo um trabalho de readaptação a ser feito que acompanhamos no pós-operatório. Ele envolve massagens no clitóris recém-reconstruído, e algumas mulheres, sobretudo as muçulmanas, se recusam no começo. Só que sem isso, o prazer não vem.” A médica costuma receber ligações desesperadas de mulheres cujas sensações demoram a aparecer. Às vezes, são fotos de seus genitais que as mulheres enviam, para terem certeza de que está tudo bem.

 

Aida, 32, está esperando por uma consulta de retorno um mês após sua operação. Seu perfil tenso se desenha na luz da sala de espera, e seus cabelos frisados puxados para trás formam uma coroa em torno de seu rosto. Ainda que hoje ela esteja bem, a raiva transparece em sua voz quando a jovem conta sua história.

 

“Sou fula e originária de Guiné-Conacri, mas cresci em Serra Leoa. Em nosso país, as meninas são circuncidadas por volta dos 6 ou 7 anos de idade. As pessoas não questionam essas tradições, é algo que deve ser feito”, ela conta. “Guardei tudo na memória: a casa suja que eu não conhecia, o pano ensanguentado no chão, o medo que tomou conta de mim ao sentir aquelas mulheres me pegando, os gritos que eu dava, e a dor que senti com os repetidos gestos… Eu certamente conseguiria encontrar esse lugar de novo. Foi minha avó que me levou, ela disse que era uma “etapa de iniciação”. Penso nisso todos os dias, dez vezes por dia…”

 

Hoje, a jovem sente que renasceu, quase que literalmente: “Roubaram uma parte de mim, e era difícil para me identificar de verdade. Hoje tenho uma filha de 6 anos, e eu tinha vergonha de olhar para ela, não conseguia limpá-la entre as pernas quando ela era pequena.” O ódio por essa parte do corpo é algo que se vê entre as mulheres estupradas.

Da operação, Aida guarda uma lembrança angustiada, pois o gesto cirúrgico, ainda que não tenha sido nem muito longo, nem muito doloroso, despertou as lembranças da circuncisão. “Mas vale a pena, agora sou uma mulher inteira. Falei com minha mãe da circuncisão e da cirurgia há uma semana. Nós nos reconciliamos, de certa maneira, pois ela também sofria por ter deixado me circuncidarem”, ela conta.

 

30 MILHÕES DE MENINAS PODEM SER MUTILADAS EM 10 ANOS

 

Tradições, educação, submissão

 

Essa jovem voluntária sempre foi dona de seu destino: criada em uma família de rapazes, quando era pequena brigou para escapar da escola árabe, e conseguiu ir junto com seus irmãos mais velhos para a escola inglesa. Ela, que chegou à França aos 19 anos de idade e se casou aos 20, deixou seu primeiro companheiro, para quem a total ausência de prazer sexual por parte de sua mulher não era um problema. Foi com seu novo marido que ela percorreu toda a trajetória que a levou até a sala de operações, e que a levará, quando ela decidir, a uma vida sexual que ela espera ser completa e feliz.

 

As histórias dessas mulheres são histórias de famílias, de destinos onde se misturam tradições, educação e submissão a um modelo patriarcal que as novas gerações precisam abandonar, se quiserem colocar um fim à prática da circuncisão. A França, onde algumas delas nasceram e outras cresceram, condena a circuncisão como crime, assim como todas as mutilações sexuais. Pela lei, o autor do ato e o responsável pela criança mutilada podem ser condenados a até dez anos de reclusão e 150 mil euros de multa.

 

No Hôtel Dieu de Paris, o mais antigo hospital da cidade, no serviço de emergências médico-legais dedicado às vítimas, a chefe do departamento, Caroline Rey-Salmon, e Céline Deguette usam seu conhecimento de médicas legistas para proteger mulheres e meninas da circuncisão. Meninas jovens, que foram assinaladas por um diretor de escola à brigada de menores da proteção materna e infantil (PMI) como sendo circuncidadas ou em risco de ser, são enviadas a elas. Cabe à equipe fazer um diagnóstico seguro.

 

“Quando uma menina chega até nós porque seus pais planejavam levá-la ao seu país durante as férias, verificamos seu estado. Se ela não estiver circuncidada, os pais devem trazê-la até a nós na volta das férias. Ela deve estar intacta, senão a Justiça é acionada para puni-los”, explica Caroline Rey-Salmon. Ao evitar o risco de circuncisão através de consultas para crianças “em risco” e condenando os pais cujas filhas tenham sido mutiladas, a França está protegendo da melhor forma as mulheres que vivem em seu território. Mas nem sempre isso é suficiente.

 

Assa hoje tem 25 anos, vive no norte de Paris, está cursando uma graduação e vive com seu noivo. Assa é uma jovem de seu tempo, exceto por um detalhe: ela também foi circuncidada em Paris quando tinha 2 anos de idade, algo que ela descobriu por intuição. O assunto é tão tabu, que ela teve de esperar até os 20 anos para falar sobre isso com seus pais, muitos anos depois que eles foram condenados pela Justiça francesa.

 

Ela conta que hoje não sente mais raiva deles, mas quer combater essa prática cruel. “Que direito eles tinham de dispor do corpo de sua filha assim? Se você diz à geração de meus pais que eles são bárbaros, você não conseguirá nada. É preciso ter mais diplomacia e empatia também”, ela sugere.

 

O que a espanta é o fato de que suas amigas, tão parisienses, tão completamente adaptadas à cultura de sua terra natal, que é a França, são quase todas circuncidadas. Assa se destaca dentre essas mulheres ao dar seu depoimento: “Tenho orgulho de carregar essas duas culturas. A África corre em minhas veias, mas eu nunca deixarei que mutilem minha filha. Cabe à nossa geração romper essa corrente e quebrar as lâminas das circuncisadoras.”

 

Fonte: Le Monde

Tradutor: UOL


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O feminismo é um movimento diverso e em constante construção. Mas mostro aqui as principais ideias que guiam a luta que escolhi. Por Aline Valek, no Escritório Feminista

 

Aí está uma pergunta em que cabem as mais variadas respostas. Mas a pergunta é importante e muito bem-vinda, especialmente para quem deseja entender melhor do que se trata, afinal, o feminismo. Se você está entre essas pessoas, espero que continue a leitura!

 

Eu poderia fazer um texto expondo as pautas feministas de um modo geral, mas isso não me cabe; há várias correntes dentro do feminismo, com pensamentos e posicionamentos distintos. Não há “o” feminismo, mas vários feminismos.

 

Claro, não posso falar por todas as feministas. Somos um movimento diverso e em constante construção. Mas posso, ao menos, falar sobre o feminismo que tento construir diariamente, baseada em tudo que já ouvi, aprendi e continuo aprendendo com tantas feministas que admiro.

 

Abaixo, listo, de forma resumida, algumas ideias e pautas feministas (claro que não dá para falar de todas somente neste texto, né) que guiam a luta que escolhi – que, espero, possa também ser a sua:

 

– Mulheres são pessoas. Portanto, merecem direitos iguais;

 

– Mulheres devem ganhar salários iguais aos dos homens no desempenho da mesma função;

 

– Mulheres não devem ser discriminadas no mercado de trabalho e suas oportunidades não devem ser limitadas aos papéis de gênero que a sociedade impõe sobre elas;

 

– Não é obrigação da mulher cuidar da casa, dos filhos e do marido. Os afazeres domésticos e cuidado com as crianças devem ser de igual responsabilidade para homens e mulheres;

 

– Nenhuma mulher é uma propriedade. Nenhum homem tem o direito de agredir fisicamente ou verbalmente uma mulher, ou ainda determinar o que ela pode ou não fazer;

 

– O corpo da mulher é de direito somente da mulher. A ela cabe viver a sua sexualidade como bem entender, decidir como vai dispor de seu corpo e da sua imagem, com quem ou como vai se relacionar;

 

– Qualquer ato sexual sem consentimento é estupro. Nenhum homem tem o direito de dispor sexualmente de uma mulher contra a vontade dela;

 

– Nunca é culpa da vítima;

 

– Assédio de rua é uma violência. A mulher tem o direito ao espaço público (e também ao transporte público) sem ser constrangida, humilhada, ameaçada e intimidada por assediadores;

 

– A representação da mulher na mídia não pode nos reduzir a estereótipos que nos desumanizam e ajudam a nos oprimir;

 

– Mulheres não são produtos. Não podem ser tratadas como mercadoria, isca para atrair homens, moeda de troca ou prêmio;

 

– A representação das mulheres deve contemplar toda a sua diversidade: somos negras, brancas, indígenas, transexuais, magras, gordas, heterossexuais, lésbicas, bi, com ou sem deficiências. Nenhuma de nós deve ser invisível na mídia, nas histórias e na cultura;

 

– A voz das mulheres precisa ser valorizada. A opinião das mulheres, suas vivências, ideias e histórias não podem ser descartadas ou consideradas menores pelo fato de serem mulheres;

 

– O espaço político também é um direito da mulher. Devemos ter direito ao voto, a sermos votadas, representadas politicamente e a termos nossas questões contempladas pelas leis e políticas públicas;

 

– Papéis de gênero são construções sociais e não verdades naturais e universais. Nenhum papel de gênero deve limitar as pessoas, homens ou mulheres, ou ainda permitir que um gênero sofra mais violência, seja mais discriminado, tenha menos direitos e considerado menos gente;

 

– Mulheres trans são mulheres e, portanto, são pessoas. Todas as pessoas merecem ter sua identidade respeitada;

 

– Se duas mulheres decidem viver juntas (ou dois homens), isso não é da conta de ninguém e o Estado deveria reconhecer legalmente essas uniões;

 

– Não existe tal coisa como “mulher de verdade”. Todas as mulheres são bem reais, independente de se encaixar em algum padrão;

 

– Mulheres não existem em função de embelezar o mundo. Muito menos em função da aprovação masculina;

 

– Amar o próprio corpo e se sentir bem com a própria aparência não deve depender dos padrões de branquitude e magreza que a sociedade racista e gordofóbica determinou como “beleza”;

 

– Mulher não “tem que” nada, se não quiser. Isso vale para ser “amável” ou falar palavrão, fazer sexo ou não fazer, se depilar ou não depilar, usar cabelo grande ou curto, “encontrar um homem” ou ficar solteira, sair com vários caras ou preferir mulheres, ter filhos ou não ter, gostar de maquiagem ou não (e por aí vai em todas as regras que cagam ou possam vir a cagar sobre nossas vidas).

***

 

Certamente há muitas outras coisas que cabem aqui. Só para você ter ideia de quanto trabalho tem o Escritório Feminista: são muitas frentes para lutar e a cada dia surgem novas.

 

Acredito que por esses poucos itens já dá pra ter uma ideia de que o feminismo não é nenhum monstro comedor de criancinhas.

 

Uma pena que quem esteja de fora, muitas vezes, não seja capaz de ver a importância dessas transformações e tenha mil ideias erradas sobre as feministas (a começar achando que somos todas iguais e pensamos do mesmo jeito).

 

O movimento, por mais diverso que seja, parte de uma ideia simples e, convenhamos, mais do que justa: mulheres também são pessoas.

 

Então é possível resumir dizendo que as feministas defendem a humanidade das mulheres.

 

Não seria nada de mais, se não fosse em um mundo onde tanta gente luta diariamente justamente para tirar isso de nós.

 

 


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A administradora de empresas Patrícia, de 35 anos, estava indo buscar seu filho na escola, na Mooca, Zona Leste de São Paulo, quando um homem que dirigia um carro diminuiu a velocidade perto dela e perguntou quanto ela cobraria por uma relação sexual. “Eu estava em plena luz do dia, em uma rua movimentada e mesmo assim ele se sentiu no direito de fazer uma proposta dessas achando que eu iria gostar”, queixou-se a administradora.

 

Ela caminhou por quase 100 metros ouvindo o que o homem dizia, quando então se virou e começou andar no sentido contrário. “Ele não tinha como me seguir, porque outros carros estavam atrás dele. Foi aí que ele decidiu gritar, me insultando”, contou Patrícia.

 

Apesar de absurda, essa não é uma cena atípica na rotina da mulher brasileira. A pesquisa Chega de Fiu Fiu, realizada pelas jornalistas Karin Hueck e Juliana de Faria com 7 762 mulheres em agosto deste ano, revela que 98% já sofreram algum tipo de assédio em locais públicos e 68% foram insultadas depois de não terem correspondido a uma cantada. “Foi horrível. Eu me senti mal e comecei a observar se estava com alguma roupa curta demais, ou se estava me insinuando de alguma forma. Só depois me dei conta de que não importa como eu estivesse vestida, ele não tinha aquele direito”, afirmou Patrícia.

 

“Eu me senti um lixo”

 

Eu tinha acabado de estacionar o carro e estava indo para a academia, quando um catador de papelão apareceu por trás de mim e me apalpou. Eu me senti um lixo e muito suja. Nós ficamos vulneráveis nesse tipo de situação – Aline Zam, estudante de turismo, 21 anos

 

A titular da 1° Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), no Centro de São Paulo, Celi Paulino Carlota, trabalha há 20 anos com casos de mulheres agredidas verbal e fisicamente. Ela alerta que a vítima não deve, de maneira nenhuma, procurar em si mesma algo que “justifique” o assédio. “Daqui a pouco, vão perguntar para as mulheres estupradas o que foi que elas fizeram para sofrerem a agressão”, afirma. A delegada enfatiza que a mulher é livre para escolher a roupa que quiser, sem que o homem possa usar esse “argumento” para justificar uma cantada, uma passada de mão ou um crime mais grave. O medo, muitas vezes, faz com que elas deixem de usar uma roupa que gostem para evitar o assédio na rua.

 

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Mesmo consciente de que havia sido vítima de um crime, a administradora não denunciou o abuso e nem contou o que aconteceu a ninguém. Patrícia, aliás, é um nome fictício, pois ela prefere não ter sua identidade revelada. “Eu ainda me sinto envergonhada pelo que aconteceu, mesmo sabendo que não foi minha culpa, é constrangedor”, afirmou. “A situação está tão interiorizada na vida das pessoas, que acabam achando isso natural. Mas não é”, afirmou a delegada Celi, destacando que muitas mulheres acabam não denunciando os casos.

 

Contravenções penais

 

Importunação ofensiva ao pudor: Importunar alguém em lugar público. Xingar de forma que fira o pudor da mulher. Pena de multa

 

Perturbação da tranquilidade: Molestar alguém ou perturbar-lhe a tranquilidade, por acinte ou por motivo reprovável. Pena de detenção ou multa

 

Crimes

 

Injúria: Insultar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou a honra de forma gravíssima. Pena de detenção ou multa

 

Ato obsceno: Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público. Pena de detenção ou multa

 

Denúncias – Na capital paulista existem nove Delegacias de Defesa das Mulheres que, entre outros casos, registram as importunações ofensivas ao pudor, perturbações da tranquilidade, injúrias e atos obscenos – crimes e contravenções penais nos quais se podem enquadrar os homens que fazem abordagens ofensivas a mulheres na rua. A reportagem de VEJA percorreu todas elas entre os dias 23 e 27 de setembro e conseguiu os dados com apenas quatro unidades: Centro, Oeste, Leste e Sul.

 

As outras unidades informaram que os dados só poderiam ser obtidos através da Secretaria de Segurança Pública, que, por sua vez, afirmou não ter números para esses casos específicos. A assessoria de imprensa da Delegacia da Mulher também não tem os registros desmembrados. As denúncias dessas abordagens podem ser realizadas em qualquer delegacia.

 

Para a advogada especializada em causas da mulher Luiza Eluf, a ausência de levantamentos oficiais impossibilita traçar um plano adequado de combate à violência contra a mulher. “Você precisa saber o tamanho do problema para saber as medidas que serão adotadas. Essa falha demonstra que as ofensas dirigidas à mulher são vistas como algo de menor importância.”

 

Mesmo com o déficit de informação, foram protocoladas 571 denúncias desse tipo nos últimos nove meses nas delegacias da mulher e do Metrô (Delpom), que registra as ocorrências dentro dos transportes públicos sobre trilhos da Grande São Paulo. São dois casos por dia, e a maior parte acontece na Zona Leste de São Paulo. Nos últimos nove meses, a DDM da região registrou 275 casos de assédio de mulheres na rua, sendo 248 de injúria, vinte de perturbações da tranquilidade, seis importunações e um ato obsceno.

 

“Comecei a chorar de raiva”

 

Eu estava na Linha 3 – Vermelha do metrô, quando um homem se aproximou e disse no meu ouvido que sempre quis saber como é ter relação com uma negra. Eu o empurrei e comecei a chorar de raiva. Ele saiu do vagão rindo e passando a língua na boca. – Núbia Anacleto, universitária, 23 anos

 

A Delpom é a segunda no ranking de denúncias com um total de 138 casos em nove meses. O maior número é de importunação ofensiva ao pudor, com 74 ocorrências, além de treze atos obscenos, dezenove perturbações do sossego e 32 injúrias. Até agosto, duas pessoas haviam sido estupradas dentro da área do transporte metroviário. A delegacia da Zona Sul fica em terceiro lugar na relação de denúncias, com 102 delitos no total, seguida pela unidade do Centro, com 47 e da Zona Oeste, com apenas nove.

 

Investigação – A delegada titular da 2° DDM, na Zona Sul, Vanderlene Suedy Bossan, explicou que não é necessário saber o autor da agressão para fazer a denúncia. “Nós temos obrigação de investigar todos os casos. Podemos requisitar as imagens, seja de câmeras da prefeitura, de edifícios próximos ao local. Assim levantamos a placa do carro e as características físicas do homem”, explicou.

 

A titular também destaca importância de as mulheres contarem a íntegra do caso para evitar que os criminosos tenham sua pena ainda mais suavizada. “Às vezes, a mulher chega aqui com vergonha de falar do que foi xingada, mas nós precisamos saber porque, dependendo da ofensa, podemos incluir quatro ou cinco contravenções no Boletim de Ocorrência, e as penas se somam”, explica Vanderlene.

 

“Me senti um pedaço de carne”

 

Quando estava saindo do trabalho, três homens que estavam fazendo manutenção dos fios da rua começaram a mexer comigo e com uma amiga nos chamando de filé, gostosa e outros insultos. Me senti um pedaço de carne e fiquei com nojo e muita raiva do que tinha acontecido. Achei uma grande falta de respeito. – Isadora de Campos, revisora publicitária, 22 anos

 

O Metrô informou que os delitos podem ser denunciados a qualquer agente de segurança para identificar o autor do crime e encaminhar as partes à delegacia. Além disso, as áreas são equipadas com câmeras de segurança que podem auxiliar na identificação do infrator.

 

Cultura – Para a advogada Luiza Eluf, a presença de termos ofensivos a mulher e de ideias preconceituosas no cotidiano propagam a desigualdade entre os sexos. A advogada afirma que faltam campanhas para alertar que cantadas e atos obscenos contra a mulher são crimes, e que as vítimas devem denunciar. “Aliado a maior atenção da polícia para o fato, é necessário inserir campanhas educativas sobre o tema nos veículos de comunicação. Apesar de os homens saberem que essas abordagens são ofensivas, eles precisam ser lembrados e repreendidos por isso.”

 

Fonte: Veja


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“O Estado deve permitir que cada um viva a própria crença”, considera o ministro Barroso

 

Um dia depois de a 1.ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) entender que não é crime a interrupção da gravidez até o terceiro mês de gestação, o ministro Luís Roberto Barroso disse em entrevista que o colegiado não defendeu o aborto nem sua disseminação.

 

“É uma decisão para que se adotem políticas públicas melhores do que a criminalização para evitar o aborto”, comentou. O entendimento valeu apenas para um caso específico – de funcionários e médicos de uma clínica de aborto em Duque de Caxias (RJ) -, mas pode servir como base para outras instâncias.

 

O Estado não deve tomar partido nessa briga. Ele deve permitir que cada um viva a própria crença.”

 

Na sua avaliação, a 1.ª Turma tomou uma decisão histórica?

 

Barroso – É uma decisão importante para deflagrar um debate que já não deveria mais ser adiado. Em uma democracia, nenhum tema é tabu. A decisão não defende o aborto nem propõe a disseminação do aborto. É uma decisão para que se adotem políticas públicas melhores do que a criminalização para evitar o aborto. O que a decisão pretende fazer é contribuir para o fim dos abortos clandestinos, que mutilam e levam à morte muitas mulheres.

 

Mutilam mulheres pobres, como o senhor destacou no voto…

 

Há duas questões importantes: uma, a questão da mulher em si, da condição feminina e da sua liberdade de viver as escolhas existenciais.

 

Além disso, a criminalização produz um impacto desastrosamente desproporcional sobre as mulheres pobres, porque elas não têm acesso à medicação adequada nem à informação. Portanto, a criminalização funciona no Brasil como mais um mecanismo de discriminação social.”

 

Como o senhor vê a criação de uma comissão especial na Câmara para analisar o aborto, que foi anunciada depois da decisão da 1ª Turma?

 

Eu acho perfeitamente legítima (a criação). Não acho que qualquer pessoa seja a dona da verdade. Vejo sem nenhuma reserva o debate público a ser feito no Congresso Nacional, lá é o lugar para o debate público das questões nacionais por excelência.

 

Com a decisão da 1.ª Turma, o STF se coloca mais aberto e sensível a temas delicados, mesmo diante de uma suposta onda conservadora no País?

 

Os direitos fundamentais devem ser protegidos nos ambientes conservadores, liberais, progressistas. Obrigar pela via do direito penal uma mulher a manter uma gestação que não deseja, eu acho que isso viola claramente a Constituição. A decisão procura fazer com que cada pessoa possa viver a própria crença e convicção. Quem é contrário não apenas não precisa fazer (o aborto), como tem todo o direito de pregar a posição contrária. A única coisa que acho que não é razoável é criminalizar a posição divergente. Portanto, o Estado não deve tomar partido nessa briga. Ele deve permitir que cada um viva a própria crença.

 

O senhor também mencionou no seu voto o contexto internacional, observando que em muitos países democráticos e desenvolvidos o aborto até o terceiro mês é permitido. Esse novo entendimento da 1.ª Turma insere o Brasil em uma legislação mais atualizada?

 

Acho que sim. Nessa matéria estávamos em falta de sintonia com o mundo. Ter janelas para o mundo é sempre bom. A gente na vida deve ser janela, e não espelho. Olhando para o mundo, nós vamos ver experiências bem-sucedidas que não são as da criminalização.

 

E como o senhor lida com as críticas à decisão?

 

Quando você participa de um debate no espaço público, você não pode utilizar argumentos que excluam o outro do debate. Portanto, se você utiliza um argumento religioso, você exclui do debate quem não compartilha do mesmo sentimento religioso. Portanto, no espaço público, os argumentos de razão pública são argumentos laicos e tratam a todos com respeito e consideração.

 

Esse é quase um apelo às pessoas: ninguém precisa mudar de convicção, é só uma questão de ter respeito e tolerância pela convicção e pelas circunstâncias do outro.

 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Estadão Conteúdo


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A ideia é aconselhar mulheres e homens sobre como agir em casos específicos de sexismo

 

No bar, um grupo de pessoas está conversando sobre Star Wars. Uma das mulheres está explicando uma teoria bacana que leu na internet, mas é subitamente interrompida por um amigo homem, que começa a falar sobre a mesma teoria, quase com as mesmas palavras, sem sequer deixar que a menina termine a linha de raciocínio.

 

A situação acima, conhecida como “mansplaining” (algo como “homexplica” em português), acontece sempre que um homem se sente no direito de explicar algo para uma mulher como se ela fosse incapaz de compreender sozinha – ou quando ele a interrompe, impedindo que ela fale por si mesma. Por ser algo sutil e frequentemente encarado como frescura de quem reclama, o mansplaining é muito comum na vida das mulheres no mundo afora.

 

O "mansplaining" explicado pela Super

 

 

A Suécia é um dos países com maior igualdade de gênero em termos de trabalhoe, mesmo assim, não está a salvo desse tipo de sexismo entre funcionários. Sabendo disso, a Unionen (a maior união de trabalhadores da Suécia) resolveu oferecer às mulheres uma ajuda especial: uma linha telefônica criada para aconselhar as vítimas do mansplaining. E, também, para dar conselhos anti sexistas para os homens.

 

Funciona assim: das 10 da manhã às 4 da tarde, é possível telefonar, de forma anônima, para o número da Unionen e receber conselhos de 20 profissionais diferentes (homens e mulheres), todos suecos e estudiosos de questões de gênero. Embora combater o mansplaining seja o objetivo principal da campanha, o grupo de especialistas também conversa sobre outros problemas ligadas ao sexismo, como a sensação de ser subestimada só por ser mulher ou o assédio sexual.

 

LEIA: Quadrinhos: um dia na vida de… uma mulher

 

Por enquanto, o “disque machismo” já recebeu quase 300 ligações – quase metade feitas por homens querendo descobrir se o próprio comportamento tem sido machista ou ofensivo de alguma forma. Isso, além de bacana, é o principal foco da Unionen: em uma nota à imprensa, a união disse que “a intenção [da linha] é incentivar o interesse e o debate, e não transformar os homens em vilões”.

 

A linha, porém, é temporária: é parte de uma campanha de uma semana para trazer mais atenção ao machismo no ambiente de trabalho. Além do número, as pessoas podem acompanhar a campanha pelo Facebook e Instagram, onde a Unionen posta pequenos quadrinhos e desenhos alertando sobre o sexismo no dia a dia.

 

Fonte: Super Interessante


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Comentando a Pergunta da Semana

 

A maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana acredita que há mulheres que se sentem atraídas pelos machões. Mas isso não é sem motivo. A ideia que se tinha da mulher no século 19, e que afeta muitas até hoje, nos ajuda a compreender por que isso acontece.

 

“Deus! Ela é como um cordeiro branco como leite que bale pela proteção do homem.”, exclamou o poeta inglês Keats. O escritor francês Michelet lamentava a dor, languidez e fraqueza suportadas por essa “pobre criatura” por causa da menstruação. Ele dizia: “Nessa cicatrização de um ferimento interno, 15 ou 20 dias de 28 (podemos dizer quase sempre), a mulher é não somente uma inválida, como alguém ferido.”

 

O filósofo francês Auguste Comte viu a feminilidade como uma espécie de infância prolongada e Balzac achou que as mulheres eram incapazes de raciocinar ou de absorver conhecimento útil dos livros.

 

O filósofo alemão Arthur Schopenhauer via a mulher como mais avançada na escala filogenética. Ela pertencia definitivamente à ordem Homo sapiens – em alguns pontos entre uma criança e homem adulto. Em relação às suas características específicas, mostrou-se menos generoso ainda:

 

“A única questão que realmente chama sua atenção é o amor, fazer conquistas e tudo que seja ligado a isso – vestidos, danças e assim por diante. O defeito fundamental do caráter feminino é que ele não tem sentimento de justiça…. a mulher que seja completamente verdadeira e não inclinada à dissimulação talvez seja uma impossibilidade. Somente o homem, cujo intelecto é nublado por impulsos sexuais, poderia dar o nome de belo sexo àquela raça de estatura deficiente, ombros estreitos, quadris largos e pernas curtas… As simpatias que existem entre elas e os homens são apenas superficiais, não tocam a mente, os sentimentos ou o caráter.”

 

Napoleão declarou de maneira direta que “um marido deveria ter império absoluto sobre os atos de sua esposa.” E instituiu leis a tal respeito. Thomas Jefferson declarou que o direito de voto não deveria ser concedido nunca à mulher, “visto que os seios ternos das damas não eram formados para a convulsão política.”

 

Juntamente com a modéstia, a virtude, a doçura, e outras qualidades que a mulher devia possuir, presumia-se que ela tinha de ser fraca, temerosa, ansiosa por ser amparada e dominada por um tipo robusto de homem. Muitas corresponderam, e ainda correspondem a essa expectativa.

 

A mulher foi então desenvolvendo características de dependência absoluta do homem. Tanto que até hoje encontramos mulheres que se sentem desvalorizadas se não têm um homem ao lado – namorado ou marido.

 

Apesar de o movimento feminista da década de 1960 ter feito com que grande parte das mulheres se rebelassem contra o eterno papel de donas de casa e mães, e as exigências práticas da vida não mais permitirem que elas se escondam sob a proteção do pai ou marido, para muitas a liberdade na forma de pensar e agir assusta .

 

Apesar de ganharem seu próprio dinheiro e não ter que prestarem contas dos seus gastos a ninguém, fica claro que ter independência financeira não significa se livrar de todos os valores que foram impostos à mulher, como a necessidade de proteção e submissão ao homem.

 

Para a maioria das mulheres, ser mulher significa ajustar sua imagem de acordo com as necessidades e exigências masculinas. É preciso mudar isso!

 

Fonte: Regina Navarro


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Vi esse meme algumas vezes na minha timeline e acho importante elucidar algumas questões para evitar que esse tipo de chorume (não consigo definir de outra forma) se propague ainda mais.

Rafaela Silva precisou do feminismo e de ações afirmativas* sim. Vou dizer em quais momentos.

1) Através do feminismo, mulheres puderam competir nos Jogos. Em 1900, seis mulheres feministas enfrentaram as regras olímpicas, obrigando a organização a criar um evento paralelo. Esse torneio paralelo foi levado até 1928. O Barão de Coubertim, criador das Olimpíadas Modernas, inclusive pediu demissão afirmando que a presença feminina era uma traição ao espírito olímpico. Ainda hoje, há muito a ser conquistado, como divergências nos valores de patrocínio.

2) Precisou do feminismo para entrar na Marinha. Com mulheres na corporação somente a partir da década de 80, apenas em 1996 foi aceita a promoção de oficiais mulheres, através de lutas feministas.

3) Precisou também de ações afirmativas (trecho editado. Abaixo, explico o otivo). Além da atuação do Instituto Reação, coordenada pelo medalhista olímpico Flavio Canto, ela foi, durante anos, beneficiária do Bolsa Atleta, programa do Ministério do Esporte que atende jovens promissores. Sem o benefício da bolsa e dos patrocínios adquiridos, a atleta, como mesmo já declarou, jamais alcançaria êxito. Além disso, sua entrada na Marinha não se deu por meio tradicional e sim através de vagas fruto de uma parceria entre os Ministérios da Defesa e do Esporte. Ou seja, cotas reservadas para esses atletas.

4) Mas é claro que ela conquistou por mérito próprio. O fato de ela ter recebido bolsa, além dos benefícios históricos do feminismo, só ajudou para que ela pudesse estar em uma condição mais justa (ainda que esteja longe, muito longe do ideal) de competir com quem não enfrenta problemas de misoginia, pobreza e racismo. Mérito maior é ter vencido ainda em um patamar social muito inferior à maioria de suas concorrentes. Não há problema em você falar de meritocracia esportiva, desde que você entenda antes que ela só funciona isoladamente quando houver isonomia. De resto, ou você cita exceções como se fossem regras ou você solta chorumes como esse.

5) Enquanto você resolve soltar esse meme falando pela Rafaela, com esse tom conservador, é bom lembrar que a atleta é declaradamente de esquerda. Isso não faz dela melhor ou pior, mas significa que você, sem dúvida, está utilizando a imagem da atleta para propagar uma posição política contrária a dela, o que denota uma grande desonestidade intelectual.

É triste saber que, mesmo diante do choro de desabafo pelos atos racistas que ela sofreu, alguém ainda prefira ignorar isso e tirar um discurso conservador de onde não existe. É chorume… E todo chorume fede.

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Bom… Depois da repercussão desse post, preciso pontuar algumas coisas.

– Eu deixei claro no texto que é o mérito é dela. Deve haver algum problema de leitura muito grande de algumas pessoas (problema de interpretação não é, porque o Ponto 4 está claríssimo). Pessoal, eu fui judoca e chorei com a conquista e com as palavras da Rafaela na entrevista. Eu inclusive citei no texto que o mérito dela é ainda maior por ter superado todas essas adversidades. Maior inclusive do que o da maioria de nós. Triste é alguém usar a vitória como exemplo de conservadorismo.

– Eu havia escrito “cotas” e mudei para “ações afirmativas”, porque de fato é a maneira mais correta de tratar o assunto em questão. Lembrando, ainda assim, que o ingresso dela na Marinha foi através de vagas especiais reservadas para atletas de alto rendimento.

– Não mencionei o Instituto Reação inicialmente e isso foi um erro porque não traz a história completa da atleta. Isso de forma alguma invalida a discussão do post que tem como único objetivo refutar esse discurso barato de que pra vencer, uma mulher pobre e negra não precisa de feminismo ou ações afirmativas. Balela pura (Vide Ponto 5). Na minha coluna no Huffington Post, o texto já virá modificado.

– O texto não tem intenção de enaltecer a esquerda. Também deixei claro isso (quando falo que o fato dela ser de esquerda não a torna melhor ou pior). Comento sobre o fato de usarem ela como símbolo de conservadorismo (eu nem abrangi toda a direita) quando ela é declaradamente de esquerda (portanto, não conservadora).

– Relaxem, pessoal. O mais importante em toda essa história é a vitória da atleta. Que sirva de exemplo para os mais novos. E que debates como esse alcancem um bom diálogo sempre.

Beijos e abraços.

Por Hugo Fernandes-Ferreira

 


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A consulesa da França em São Paulo, Alexandra Loras, se tornou um ícone do empoderamento feminino e da representatividade da mulher negra no Brasil. Recentemente, ela foi uma das curadoras do “TEDXSãoPaulo Mulheres que Inspiram”, que levou ao palco figuras femininas com histórias inspiradoras. Mesmo sem entender por que o país abriu espaço para uma estrangeira, negra e integrante da elite falar sobre esses assuntos, ela pegou a palavra com garra. E não pretende soltar.

 

Mesmo em um cargo diplomático, você ainda enfrenta preconceito racial?

 

Por ser consulesa, sou convidada a frequentar os melhores ambientes, onde sou muito bem tratada. Hoje, enxergo o que é ser privilegiada e entendo por que as pessoas não querem abrir mão disso. Mas nem sempre é assim: algumas pessoas ainda pensam que eu deveria me contentar em ser consulesa –e talvez deixar de erguer a minha voz contra o racismo. Nos lugares em que as pessoas não sabem quem sou, sofro o mesmo tipo de racismo praticado contra toda mulher negra no Brasil.

 

Pode dar alguns exemplos?

 

Já aconteceu de eu ir até o mercado, comprar produtos importados, e ser seguida pelo segurança durante as compras. Há também as pessoas que dizem: “Nossa, você é uma negra articulada!”. Como se ser articulada fosse um privilégio das brancas. Mesmo de forma velada, elas transmitem a mensagem de que tenho sorte e de que deveria me contentar por já ter chegado aonde cheguei.

 

Recentemente, a atriz Leslie Jones, da nova versão do filme “Caça Fantasmas”, deu uma entrevista para Whoopi Goldberg. Ela disse que, quando era criança e viu a Whoopi na TV, se deu conta de que também poderia chegar lá. Por que a representatividade negra é importante?

 

A partir do momento em que a população negra começa a se ver e se reconhecer em todos os espaços, as diferenças sociais diminuem e ganhamos muito em autoestima. Meu objetivo é que os negros, que são 57% da população do Brasil, sejam representados em todos os setores da sociedade: na mídia, nos livros didáticos e, inclusive, nos conselhos administrativos das empresas.

 

Há quem diga que o Brasil não é tão racista quanto outros países. Por exemplo, os EUA, que tiveram a segregação racial…

 

Mesmo não tendo uma segregação racial oficial no Brasil, há ambientes aonde o negro não vai. E é aí que o racismo se mostra, atualmente. O negro foi condicionado a não se autorizar a fazer algumas coisas. Nos shoppings e espaços comerciais, não há uma placa “só para brancos” mas, mesmo assim, muitas pessoas negras, quando frequentam esses lugares, são seguidas pelos seguranças e algumas chegam até a ser abordadas. Entrar em uma loja com milhares de brinquedos e ver só três bonecos que são negros, por exemplo, é algo violento e racista. Mas estamos tão acostumados que nem questionamos o absurdo.

 

A falta de representatividade é uma das razões para a autoestima do afrodescendente ainda ser baixa?

 

Também influenciam na baixa autoestima do negro a falta de oportunidades, seja na educação ou no mercado de trabalho. Quando entrei na faculdade, na Sciences Po [Instituto de Estudos Políticos de Paris], o mais difícil era enfrentar a voz que falava na minha cabeça: “Não, você não pode frequentar a escola da elite. Esse não é o seu lugar. Não, você não poderá enganá-los, pois não tem o mesmo nível que eles, não pode compartilhar o mesmo espaço”.

 

O que ajuda a elevar a autoestima do afrodescendente?

 

Crianças podem ser incentivadas com leituras que inspiram, pois há negros importantes na história, como André Rebouças, Machado de Assis e Teodoro Sampaio. Também vale ensiná-las que os inventores da geladeira, do marca-passo e da antena parabólica eram todos negros! Precisamos aprender –e cultivar em nosso meio– uma cultura de resistência, que não permita que nos curvemos a um preconceito racial que é diário e que nos faz sentir inferiores. Nesse sentido, devemos estabelecer um diálogo do qual os brancos participem, pois o racismo terá um fim apenas se houver um esforço de ambos os lados.

 

Como você enxerga a inserção das mulheres no mercado de trabalho?

 

No Brasil, há mais mulheres graduadas nas universidades do que homens, mas ainda precisamos ver esse dado transformar o mercado de trabalho. As mulheres são só 6% dos conselhos executivos. No cinema, temos só 3% de mulheres negras. Somos a primeira geração que pode ler, escrever, votar, trabalhar, casar ou não e optar por ter filhos ou não. Podemos ir atrás dos nossos sonhos, estudar e estamos começando a ter dignidade e poder econômico de maneira autônoma. Mas ainda existe um longo caminho a ser percorrido, mesmo no Brasil, onde temos a segunda maior população de negros, logo depois da Nigéria.

 

Você acredita que é preciso separar o feminismo negro do feminismo branco?

 

É essencial promover uma cultura que reconheça as necessidades específicas de cada mulher, seja branca ou negra. No Brasil, o feminismo ainda é branco, quando a maioria das brasileiras é negra –e não conseguimos superar essa barreira. A problemática da mulher branca, por exemplo, é que ela pode trabalhar há pouco tempo; a mulher negra, por sua vez, sempre trabalhou fora de casa.

 

Essa separação, de alguma forma, enfraquece a luta das mulheres?

 

Essa separação só enfraquece a luta das mulheres se nossas pautas atropelarem umas às outras. Cada movimento possui uma agenda própria. O feminismo e a luta contra o racismo precisam articular pautas unificadas, a fim de dar respostas consistentes aos nossos questionamentos.

 

Muitas pessoas não se consideram racistas, mas têm comportamentos preconceituosos. O que significa não ser racista?

 

Não ser racista é reconhecer que nós, negros, temos o direito de ocupar os mesmos espaços que, atualmente, são ocupados exclusivamente por pessoas brancas e que a cor de nossa pele não nos faz piores que os demais. É, também, aceitar que 57% da população brasileira, que é negra, represente cargos de liderança, papéis nas novelas e até desenhos animados. Não ser racista é ter empatia e compaixão com a causa negra.

 

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Para Alexandra Loras, o empoderamento da mulher negra é ainda mais difícil de alcançarimagem: Alessandra Levtchenko/Divulgação

 

Do UOL, em São Paulo


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Após sofrer estupro coletivo em uma comunidade na zona oeste do Rio de Janeiro, a vítima, uma adolescente de 16 anos, voltou a se pronunciar na internet.

“Todas podemos um dia passa e por isso .. Não, não doi o útero e sim a alma por existirem pessoas cruéis sendo impunes !! Obrigada ao apoio”, escreveu no Facebook.

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Na manhã desta sexta-feira (27), a jovem também aderiu à campanha na rede social pelo “fim da cultura do estupro”.

A nova mensagem é um complemento do texto postado pela adolescente na noite de quinta-feira (26).

“Venho comunicar que roubaram meu telefone e obrigada pelo apoio de todos. Realmente pensei que seria julgada mal”, disse em seu primeiro desabafo.

Segundo a vítima, 33 homens armados teriam participado do crime.

Repercussão:

ONU Mulheres Brasil divulgou, na quinta-feira (26), nota em que se solidariza com as jovens do Rio de Janeiro e do Piauí que foram vítimas de estupros coletivos e pede ao poder público dos dois estados que seja incorporada a perspectiva de gênero na investigação, processo e julgamento dos casos. A organização também pede à sociedade brasileira “tolerância zero” a todas as formas de violência contra as mulheres e a sua banalização.

Mais cedo, a Polícia Civil do Rio de Janeiro tomou depoimento de uma jovem de 16 anos que informou ter sido drogada e estuprada por diversos homens. O crime foi denunciado após um vídeo com imagens da jovem desacordada e com órgãos genitais expostos ter sido postado na internet. No vídeo, um homem diz que “uns 30 caras passaram por ela”.

Em Bom Jesus, sul do Piauí, uma jovem de 17 anos afirmou ter sido violentada por quatro adolescentes e um rapaz de 18 anos, na madrugada desta sexta-feira (20). Após uma briga com o namorado, a jovem teria ingerido bebida alcoólica e os suspeitos se aproveitaram da embriaquez para cometer o crime. A jovem foi encontrada amarrada dentro de uma obra abandonada.

A nota, assinada pela representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, observa que os dois casos “bárbaros” se assemelham pelo fato de que as duas adolescentes teriam sido atraídas pelos algozes em tramas premeditadas e por terem sido violentamente atacadas num contexto de uso de substâncias com álcool e drogas.

“Como crime hediondo, o estupro e suas consequências não podem ser tolerados nem justificados sob pena do comprometimento da saúde física e emocional das mulheres, as quais devem dispor de todas as condições para evitar a extensão do sofrimento das violências perpetradas”, registra o texto.

A ONU Mulheres Brasil também reforça a necessidade de garantia e fortalecimento da rede de atendimento a mulheres em situação de violência e de profissionais especializadas em gênero em todas as esferas governamentais para o pleno atendimento às vítimas.

Dilma: estupro coletivo de jovem foi “barbárie”

A presidenta afastada Dilma Rousseff usou as redes sociais para condenar o estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro. Segundo Dilma, o ato foi uma “barbárie”. “Presto minha total solidariedade à jovem, menor de idade, estuprada por vários homens. Além de cometerem o crime, os agressores ainda divulgaram fotos e vídeos da vítima, desacordada, na internet. Uma barbárie”, disse Dilma, que pediu a identificação e punição dos responsáveis.

A jovem deu depoimento à Polícia Civil dizendo que acordou na madrugada de quinta-feira (26) cercada por 33 homens armados de pistolas e fuzis. A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática no Rio de Janeiro (DRCI) também analisa um vídeo com imagens da jovem desacordada e nua.

Postadas na quarta-feira (25) no Twitter, as imagens causaram indignação na internet. No próprio vídeo, um homem diz que “uns 30 caras passaram por ela”. O delegado Alessandro Thiers pediu a quem tenha qualquer informação que possa auxiliar na identificação dos autores entre em contato pelo e-mail alessandrothiers@pcivil.rj.br

A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro divulgou nota repudiando o ato e se prontificou a oferecer apoio à jovem e sua família.

Leia Também

 

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Fonte: Rede Tv


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No Rio de Janeiro, uma jovem foi brutalmente agredida e estuprada por 30 (TRINTA) homens. Não satisfeitos, os desgraçados a expuseram e divulgaram o vídeo da brutalidade no Twitter.

 

O mais revoltante é que houve “pessoas” que tentaram relativizar ou culpar a vítima por ter sofrido tamanha violência. Chega!

 

NADA, ABSOLUTAMENTE NADA JUSTIFICA TAMANHA MONSTRUOSIDADE.

 

E fica aqui o recado: para cada infeliz que relativizou este caso e tantos outros casos, haverá sempre 10, 100, 1000 pessoas para repudiar. Ninguém calará as vozes delas. Elas não estão sozinhas, elas têm umas às outras, elas têm muitas e muitos com elas.

 

MACHISTAS, FASCISTAS NÃO PASSARÃO!

 

“Trinta.
Vinte e nove
Vinte e oito
Vinte e sete
Vinte e seis
Vinte e cinco
Vinte e quatro
Vinte e três
Vinte e dois
Vinte e um
Vinte
Dezenove
Dezoito
Dezessete
Dezesseis
Quinze
Quatorze
Treze
Doze
Onze
Dez
Nove
Oito
Sete
Seis
Cinco
Quatro
Três
Dois
Um
Nenhum.

 

Eu tiraria todos – um por um – de cima de você neste momento irmã. Eu limparia seu corpo, tiraria o som dos seus ouvidos, o cheiro deste lugar, as lembranças. Se o tempo voltasse, eu os impediria de terem saído de casa. Todos eles.

 

Eu desligaria os celulares, os computadores, tiraria baterias dos carros, dos ônibus. Eu faria feitiço, veneno, poção, dor de barriga para todos. Trinta.

 

Eu te levantaria daí e te levaria pra ver o pôr do Sol no Arpoador, se o mundo girasse ao contrário… Mas o mundo não gira.

 

Foram Trinta.

 

Um ex-companheiro e vinte e nove “amigos”. Nenhum deles se compadeceu. Vinte e nove seres humanos toparam se unir à um criminoso.

 

Trinta.

 

Trinta e um agora compartilharam. Trinta e dois riram. Trinta e três justificaram. Trinta e quatro se excitaram, trinta e cinco procuram o vídeo neste momento.

 

Agora o número se torna uma projeção geométrica. A misoginia aparenta infinita, o ódio e o machismo aparentam grandiosos demais. A primeira reação do público masculino em geral é ver o vídeo.

 

No entanto, quando pensei que fôssemos só nós duas, olhei para o lado e vi três, quatro, cinco. Chegaram seis, sete, oito, trinta.

 

Em segundos fomos noventa, cem, mil, somos milhares por você. Aquele som, aquele cheiro… Queremos que sua memória apague, mana

 

E que o mundo nos ouça: “A CULPA NUNCA É DA VÍTIMA”. Que ecoe.

 

Que ecoe: Daqui vocês não passam. Não passarão.

 

Que cada uma de nós seja porta voz do ocorrido. Se a grande mídia não denuncia a violência contra a mulher periférica, que nossas mãos sejam denúncia.

 

Na violência contra a mulher todas metemos a colher.

 

DENUNCIE.

 

No site do Ministério Público, Polícia Federal e disque 180. Mexeu com uma, mexeu com todas.”

 

Luara Colpa

 

DIGA NÃO À CULTURA DO ESTUPRO!!! 

O seu silêncio ajuda o estuprador…

Vamos compartilhar em massa pessoal! Eles não passaram!

 

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As feministas odeiam os homens, feminismo é o contrário de machismo… Calma, pessoal, sentem aqui para termos uma conversinha importante.

 

Ao ser questionada pela revista norte-americana TIME se era feminista ou não, Shailene Woodley, estrela em ascensão e protagonista dos sucessos “A Culpa é das Estrelas” e “Divergente”, deu a seguinte resposta: “Não sou porque amo os homens, e penso que a ideia de ‘elevar as mulheres ao poder, e tomar o poder dos homens’ nunca vai funcionar. É preciso equilíbrio”.

 

Equivocada por distorcer a real luta do feminismo, a fala, claro, ganhou repercussão global e nos faz questionar: você sabe mesmo o que é feminismo? Abaixo, com o auxílio de Lola Aronovich, professora do Departamento de Letras Estrangeiras na Universidade Federal do Ceará (UFC) e autora do blog Escreva Lola Escreva, e de Bia Cardoso, pedagoga e coordenadora doBlogueiras Feministas, mostramos que muitas das coisas que te falaram sobre o feminismo não passam de mentiras. Vamos lá:

 

1. O feminismo é uma ditadura.

 

 

Oi? Não. O feminismo é um movimento de luta para a emancipação das mulheres. O que o feminismo pede são direitos iguais. Para homens e mulheres. Uma feminista é uma pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica, como definiu a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adiche. Mas mais do que isso, como explica Lola:  “Hoje em dia, o feminismo é o combate a todas as opressões, não só de gênero, mas também de raça, orientação sexual, classe…” Você concorda com isso? Se a resposta é sim, bem, você é uma feminista.

 

2. Feminismo é o contrário de machismo.

 

Mentira. Diferente do feminismo, que é um movimento social e político organizado, o machismo não é um movimento e, sim, uma estrutura da sociedade que oprime as pessoas, assim como o racismo.

 

3. O feminismo só é bom para as mulheres.

 

 

Como uma sociedade igualitária pode ser vantajosa apenas para um dos lados? Em um famoso discurso durante o lançamento da campanha #HeForShe Emma Watson, embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres e atriz, explicou essa questão: “[Atualmente] homens também não têm o benefício da igualdade. Não queremos falar sobre homens sendo aprisionados pelos estereótipos de gênero, mas eles estão. Quando eles estiverem livres, as coisas vão mudar para as mulheres como consequência. Se homens não têm que ser agressivos, mulheres não serão obrigadas a serem submissas. Se homens não têm a necessidade de controlar, mulheres não precisarão ser controladas. Tanto homens quanto mulheres deveriam ser livres para serem sensíveis. Tanto homens e mulheres deveriam ser livres para serem fortes”.

 

4. Feminismo tem apenas um significado. 

 

Não. Ele é formado por diversas correntes, com diferentes visões, como qualquer outro movimento. “O que o feminismo não é é o que o senso comum muitas vezes diz: um bando de barangas mal amadas”, pontua Lola. A editora da RookieMag, revista online voltada ao público adolescente, Tavi Gevinson, emseu discurso no TEDxTeen, também compartilha da ideia: “Muitas garotas acham que para ser feministas elas precisam viver de forma coerente com suas crenças, nunca estar inseguras, nunca ter dúvidas, ter sempre as respostas… Mas isso não é verdade e as coisas ficaram fáceis quando eu entendi quefeminismo não é um livro de regras, mas uma discussão, uma conversa, um processo”.

 

5. Toda feminista odeia os homens. 

 

Mentira. Lola explica que, na verdade, muito poucas feministas odeiam homens: “É só uma corrente ínfima do feminismo que diz que tudo bem odiar homens se a mulher passou por uma experiência traumática”. Mas é uma dúvida comum e, até pouco tempo atrás, a cantora Taylor Swift pensava assim também… “Como adolescente, eu não entendia que dizer que você é uma feminista é dizer que você quer que mulheres e homens tenham direitos iguais. O que parecia para mim, na maneira com que era expressado na cultura era de que você odeia homem. E agora, acho que muitas garotas estão tendo um ‘despertar feminista’ porque estão entendendo o que a palavra significa. Por muito tempo fizeram parecer como algo que você protesta contra o sexo oposto. Não é nada disso,” disse em entrevista ao The Guardian.

 

6. Homens não podem ser feministas. 

 

Como explicado no tópico 4, o feminismo é bom para todo mundo, mas essa questão de designar um homem como feminista ainda é polêmica. “A verdade é que ainda não existe consenso ou uma resposta correta”, afirma Bia Cardoso. Para Lola, os homens não só podem, como devem ser feministas, eles apenas não podem querer o protagonismo: “Seria como se um branco quisesse liderar um movimento negro. Os homens devem usar o seu lugar de privilégio no mundo para poder influenciar outros homens”.

 

7. Para ser feminista é preciso ser ativista.

 

 

Claro que não! Para ser feminista você não precisa estar nas ruas. Só o fato de você concordar com os ideais da causa e tentar praticá-los no seu dia a dia já faz de você uma. “A Beyoncé obviamente nunca participou de uma Marcha das Vadias, mas isso não a impediu de colocar, por exemplo, a palavra “feminista”no palco do VMA. Marketing ou não, quanto mais se falar de feminismo melhor”, explica Bia. O que Lola completa: “Você pode definir ativismo como orientar e educar outras pessoas. Logo, se você mudar a cabeça de alguém, você pode estar fazendo ativismo”.

 

8. Passar make e usar roupas sensuais faz de você menos feminista.

 

 

Errado. O feminismo não é contra a maquiagem e muito menos contra o seu vestido curto, que você tem o direito de usar sem sofrer nenhum constrangimento ou assédio. São escolhas que só dizem respeito a você, assim como não passar maquiagem ou não se depilar. “O problema, na verdade, é a indústria da beleza que fomenta um padrão irreal, inalcançável”, comenta Bia.

 

9. Donas de casa não podem ser feministas.

 

 

Quem disse? A ideia do feminismo é você ser você do jeito que quiser. “A dona de casa é o primeiro papel da mulher dentro da sociedade e precisa ser valorizada”, avalia Bia. Se você é feliz assim, continue assim. Escolher cuidar do lar não faz de você menos feminista. “É sempre bom lembrar que não é o feminismo que desvaloriza o trabalho doméstico – é o machismo”, pontua Lola. Mas Chimamanda, ainda em seu discurso “We Should All Be Feminists”, atenta para uma questão: “É esperado de mim que eu faça escolhas sempre pensando que o casamento é o mais importante. Ele pode ser… uma fonte de alegria e amor e respeito mútuo. Mas por que nós ensinamos as garotas a sonhar com o casamento e não ensinamos os garotos o mesmo?”

 

10. Para ser feminista você não pode deixar o homem pagar a conta ou abrir a porta do carro.

 

 

Aceitar gentilezas de um homem ou de qualquer outra pessoa não faz você menos feminista. Mas, veja bem, pagar a conta, abrir a porta do carro, comprar flores… Você também pode fazer todas essas coisas, assim como segurar a bolsa de um desconhecido no metrô ou ônibus. O feminismo prega que você pode tudo, pode inclusive ser presidente de uma grande empresa, caso queira.

 

11. O feminismo divide as mulheres.

 

Como um movimento que prega a igualdade pode ser excludente? O que pode existir são pessoas que não entenderam o verdadeiro significado da palavra e que não se deram conta de que o machismo é o verdadeiro vilão, que ele criou a rivalidade entre as mulheres. “Acho muito bom que as mulheres passem a se apoiar e esqueçam essa ideia de que mulher é invejosa. Não são. Isso é uma ideia que colocaram… Por exemplo, a mídia é toda voltada para quem é a mais bonita, a melhor mãe… Você não vê essa competição em relação aos homens”, finaliza Bia.

 

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Por LUCAS CASTILHO

 


rioclaro

A forma como a mulher aparece na propaganda é uma preocupação crescente das empresas. Marcas nacionais e estrangeiras estão levantando a bandeira do fortalecimento feminino, apostando em comerciais em que elas mostram mais do que sensualidade e eficiência na limpeza da casa.

 

A discussão sobre o assunto começou a ficar mais forte depois que consumidores passaram a usar as redes sociais para expor suas impressões sobre a publicidade. Só neste ano, marcas nacionais como Itaipava, Skol e Bom Negócio tiveram de modificar ou tirar do ar anúncios que foram considerados ofensivos e machistas.

 

Na outra ponta, a Mattel fez barulho ao lançar em outubro, nos Estados Unidos, um novo comercial da Barbie, boneca que é alvo de críticas por apresentar às crianças um padrão de beleza inatingível. No filme, meninas aparecem exercendo funções como a de executiva, técnica de futebol americano e paleontóloga. “Quando uma menina brinca com uma Barbie, ela imagina tudo em que pode se transformar” é a mensagem.

 

A Avon lançou, em julho, a campanha “Beleza que faz sentido” e criou um site (http://zip.net/bgsph1, link encurtado e seguro). Ali mantém conteúdos sobre a importância da autonomia financeira e da autoestima no processo de fortalecimento das mulheres.

 

 

Categoria especial no Festival de Cannes

 

A marca de absorvente Always também criou um comercial que convida o consumidor a olhar de forma diferente para a mulher. A propaganda “Like a Girl” (“Como uma menina”, em inglês) foi lançada durante o intervalo do Super Bowl, final da liga de futebol americano, nos EUA, no começo deste ano.

 

No comercial, algumas pessoas são convidadas a fazerem as coisas “como uma menina”, como correr e lutar. Enquanto adultos e um garoto fazem tudo de forma caricatural, meninas realizam tudo com força e orgulho. A propaganda foi vencedora de uma das categorias do Festival de Cannes de 2015.

 

Neste ano, o Festival de Cannes até criou uma categoria, a Glass Lion, para premiar propagandas que ajudam a combater os preconceitos de gênero.

 

A vencedora do prêmio principal nessa categoria foi uma campanha do absorvente Whisper, da Procter & Gamble, na Índia. No comercial, uma jovem é estimulada a tocar em um pote de picles, desafiando uma crença local que diz que mulheres menstruadas não devem tocar em comida porque isso tornaria o conteúdo impuro.

 

“Existe um movimento de marcas que estão tendo coragem de assumir essa bandeira e um discurso mais afirmativo. Isso não vai ser assumido por todas as marcas, mas o que todas podem fazer é uma comunicação não discriminatória, que não estereotipa”, diz Carla Alzamora, diretora de planejamento da Heads Propaganda. A agência realizou uma pesquisa em que mostra que a propaganda brasileira ainda usa muitos estereótipos associados a gênero e raça.

 

 

Comercial com sexo e violência não tem efeito desejado

 

Não se trata apenas de coragem de assumir o tema, mas de necessidade. As vendas de bonecas Barbie caíram 14% no terceiro trimestre de 2015 no mundo todo, e essa foi a oitava queda seguida. Os maus resultados da Mattel, fabricante da boneca, já levaram à demissão de um executivo, no começo deste ano, e a várias tentativas de reaproximação com o público mirim feminino, como o lançamento de bonecas super heroínas.

 

Campanhas publicitárias que reforçam estereótipos relacionados às mulheres também podem ter, além de repercussão negativa nas redes sociais, efeitos negativos para as finanças das empresas.

 

Uma pesquisa publicada na revista Psychological Bulletin, da Associação Americana de Psicologia, concluiu que comerciais com conteúdo sexual e violência são menos eficazes do que aqueles com temas neutros. Isso porque o público presta mais atenção nas cenas do que no produto que está sendo vendido.

 

“Existe um tipo de comunicação que não está funcionando, e isso provoca receio nas marcas”, diz a pesquisadora da agência inglesa Trendwatching no Brasil, Rebeca de Moraes.

 

A agência publicou um relatório, no começo deste mês, em que mostra que a publicidade está mudando não só no Brasil, mas também em outros países da América Latina.

 

“A marca precisa decidir se quer ser guiada pelo consumidor, o que vai fazer dessa empresa muito pouco inovadora, ou centrada no consumidor, olhando para ele de maneira empática. É preciso entender quem é essa mulher com quem ela quer falar, e conversar com ela de maneira respeitosa.”

 

rioclaro

 

Fonte: Uol

 


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