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11 de agosto de 2016

Vi esse meme algumas vezes na minha timeline e acho importante elucidar algumas questões para evitar que esse tipo de chorume (não consigo definir de outra forma) se propague ainda mais.

Rafaela Silva precisou do feminismo e de ações afirmativas* sim. Vou dizer em quais momentos.

1) Através do feminismo, mulheres puderam competir nos Jogos. Em 1900, seis mulheres feministas enfrentaram as regras olímpicas, obrigando a organização a criar um evento paralelo. Esse torneio paralelo foi levado até 1928. O Barão de Coubertim, criador das Olimpíadas Modernas, inclusive pediu demissão afirmando que a presença feminina era uma traição ao espírito olímpico. Ainda hoje, há muito a ser conquistado, como divergências nos valores de patrocínio.

2) Precisou do feminismo para entrar na Marinha. Com mulheres na corporação somente a partir da década de 80, apenas em 1996 foi aceita a promoção de oficiais mulheres, através de lutas feministas.

3) Precisou também de ações afirmativas (trecho editado. Abaixo, explico o otivo). Além da atuação do Instituto Reação, coordenada pelo medalhista olímpico Flavio Canto, ela foi, durante anos, beneficiária do Bolsa Atleta, programa do Ministério do Esporte que atende jovens promissores. Sem o benefício da bolsa e dos patrocínios adquiridos, a atleta, como mesmo já declarou, jamais alcançaria êxito. Além disso, sua entrada na Marinha não se deu por meio tradicional e sim através de vagas fruto de uma parceria entre os Ministérios da Defesa e do Esporte. Ou seja, cotas reservadas para esses atletas.

4) Mas é claro que ela conquistou por mérito próprio. O fato de ela ter recebido bolsa, além dos benefícios históricos do feminismo, só ajudou para que ela pudesse estar em uma condição mais justa (ainda que esteja longe, muito longe do ideal) de competir com quem não enfrenta problemas de misoginia, pobreza e racismo. Mérito maior é ter vencido ainda em um patamar social muito inferior à maioria de suas concorrentes. Não há problema em você falar de meritocracia esportiva, desde que você entenda antes que ela só funciona isoladamente quando houver isonomia. De resto, ou você cita exceções como se fossem regras ou você solta chorumes como esse.

5) Enquanto você resolve soltar esse meme falando pela Rafaela, com esse tom conservador, é bom lembrar que a atleta é declaradamente de esquerda. Isso não faz dela melhor ou pior, mas significa que você, sem dúvida, está utilizando a imagem da atleta para propagar uma posição política contrária a dela, o que denota uma grande desonestidade intelectual.

É triste saber que, mesmo diante do choro de desabafo pelos atos racistas que ela sofreu, alguém ainda prefira ignorar isso e tirar um discurso conservador de onde não existe. É chorume… E todo chorume fede.

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Bom… Depois da repercussão desse post, preciso pontuar algumas coisas.

– Eu deixei claro no texto que é o mérito é dela. Deve haver algum problema de leitura muito grande de algumas pessoas (problema de interpretação não é, porque o Ponto 4 está claríssimo). Pessoal, eu fui judoca e chorei com a conquista e com as palavras da Rafaela na entrevista. Eu inclusive citei no texto que o mérito dela é ainda maior por ter superado todas essas adversidades. Maior inclusive do que o da maioria de nós. Triste é alguém usar a vitória como exemplo de conservadorismo.

– Eu havia escrito “cotas” e mudei para “ações afirmativas”, porque de fato é a maneira mais correta de tratar o assunto em questão. Lembrando, ainda assim, que o ingresso dela na Marinha foi através de vagas especiais reservadas para atletas de alto rendimento.

– Não mencionei o Instituto Reação inicialmente e isso foi um erro porque não traz a história completa da atleta. Isso de forma alguma invalida a discussão do post que tem como único objetivo refutar esse discurso barato de que pra vencer, uma mulher pobre e negra não precisa de feminismo ou ações afirmativas. Balela pura (Vide Ponto 5). Na minha coluna no Huffington Post, o texto já virá modificado.

– O texto não tem intenção de enaltecer a esquerda. Também deixei claro isso (quando falo que o fato dela ser de esquerda não a torna melhor ou pior). Comento sobre o fato de usarem ela como símbolo de conservadorismo (eu nem abrangi toda a direita) quando ela é declaradamente de esquerda (portanto, não conservadora).

– Relaxem, pessoal. O mais importante em toda essa história é a vitória da atleta. Que sirva de exemplo para os mais novos. E que debates como esse alcancem um bom diálogo sempre.

Beijos e abraços.

Por Hugo Fernandes-Ferreira

 


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5 de agosto de 2016

A consulesa da França em São Paulo, Alexandra Loras, se tornou um ícone do empoderamento feminino e da representatividade da mulher negra no Brasil. Recentemente, ela foi uma das curadoras do “TEDXSãoPaulo Mulheres que Inspiram”, que levou ao palco figuras femininas com histórias inspiradoras. Mesmo sem entender por que o país abriu espaço para uma estrangeira, negra e integrante da elite falar sobre esses assuntos, ela pegou a palavra com garra. E não pretende soltar.

 

Mesmo em um cargo diplomático, você ainda enfrenta preconceito racial?

 

Por ser consulesa, sou convidada a frequentar os melhores ambientes, onde sou muito bem tratada. Hoje, enxergo o que é ser privilegiada e entendo por que as pessoas não querem abrir mão disso. Mas nem sempre é assim: algumas pessoas ainda pensam que eu deveria me contentar em ser consulesa –e talvez deixar de erguer a minha voz contra o racismo. Nos lugares em que as pessoas não sabem quem sou, sofro o mesmo tipo de racismo praticado contra toda mulher negra no Brasil.

 

Pode dar alguns exemplos?

 

Já aconteceu de eu ir até o mercado, comprar produtos importados, e ser seguida pelo segurança durante as compras. Há também as pessoas que dizem: “Nossa, você é uma negra articulada!”. Como se ser articulada fosse um privilégio das brancas. Mesmo de forma velada, elas transmitem a mensagem de que tenho sorte e de que deveria me contentar por já ter chegado aonde cheguei.

 

Recentemente, a atriz Leslie Jones, da nova versão do filme “Caça Fantasmas”, deu uma entrevista para Whoopi Goldberg. Ela disse que, quando era criança e viu a Whoopi na TV, se deu conta de que também poderia chegar lá. Por que a representatividade negra é importante?

 

A partir do momento em que a população negra começa a se ver e se reconhecer em todos os espaços, as diferenças sociais diminuem e ganhamos muito em autoestima. Meu objetivo é que os negros, que são 57% da população do Brasil, sejam representados em todos os setores da sociedade: na mídia, nos livros didáticos e, inclusive, nos conselhos administrativos das empresas.

 

Há quem diga que o Brasil não é tão racista quanto outros países. Por exemplo, os EUA, que tiveram a segregação racial…

 

Mesmo não tendo uma segregação racial oficial no Brasil, há ambientes aonde o negro não vai. E é aí que o racismo se mostra, atualmente. O negro foi condicionado a não se autorizar a fazer algumas coisas. Nos shoppings e espaços comerciais, não há uma placa “só para brancos” mas, mesmo assim, muitas pessoas negras, quando frequentam esses lugares, são seguidas pelos seguranças e algumas chegam até a ser abordadas. Entrar em uma loja com milhares de brinquedos e ver só três bonecos que são negros, por exemplo, é algo violento e racista. Mas estamos tão acostumados que nem questionamos o absurdo.

 

A falta de representatividade é uma das razões para a autoestima do afrodescendente ainda ser baixa?

 

Também influenciam na baixa autoestima do negro a falta de oportunidades, seja na educação ou no mercado de trabalho. Quando entrei na faculdade, na Sciences Po [Instituto de Estudos Políticos de Paris], o mais difícil era enfrentar a voz que falava na minha cabeça: “Não, você não pode frequentar a escola da elite. Esse não é o seu lugar. Não, você não poderá enganá-los, pois não tem o mesmo nível que eles, não pode compartilhar o mesmo espaço”.

 

O que ajuda a elevar a autoestima do afrodescendente?

 

Crianças podem ser incentivadas com leituras que inspiram, pois há negros importantes na história, como André Rebouças, Machado de Assis e Teodoro Sampaio. Também vale ensiná-las que os inventores da geladeira, do marca-passo e da antena parabólica eram todos negros! Precisamos aprender –e cultivar em nosso meio– uma cultura de resistência, que não permita que nos curvemos a um preconceito racial que é diário e que nos faz sentir inferiores. Nesse sentido, devemos estabelecer um diálogo do qual os brancos participem, pois o racismo terá um fim apenas se houver um esforço de ambos os lados.

 

Como você enxerga a inserção das mulheres no mercado de trabalho?

 

No Brasil, há mais mulheres graduadas nas universidades do que homens, mas ainda precisamos ver esse dado transformar o mercado de trabalho. As mulheres são só 6% dos conselhos executivos. No cinema, temos só 3% de mulheres negras. Somos a primeira geração que pode ler, escrever, votar, trabalhar, casar ou não e optar por ter filhos ou não. Podemos ir atrás dos nossos sonhos, estudar e estamos começando a ter dignidade e poder econômico de maneira autônoma. Mas ainda existe um longo caminho a ser percorrido, mesmo no Brasil, onde temos a segunda maior população de negros, logo depois da Nigéria.

 

Você acredita que é preciso separar o feminismo negro do feminismo branco?

 

É essencial promover uma cultura que reconheça as necessidades específicas de cada mulher, seja branca ou negra. No Brasil, o feminismo ainda é branco, quando a maioria das brasileiras é negra –e não conseguimos superar essa barreira. A problemática da mulher branca, por exemplo, é que ela pode trabalhar há pouco tempo; a mulher negra, por sua vez, sempre trabalhou fora de casa.

 

Essa separação, de alguma forma, enfraquece a luta das mulheres?

 

Essa separação só enfraquece a luta das mulheres se nossas pautas atropelarem umas às outras. Cada movimento possui uma agenda própria. O feminismo e a luta contra o racismo precisam articular pautas unificadas, a fim de dar respostas consistentes aos nossos questionamentos.

 

Muitas pessoas não se consideram racistas, mas têm comportamentos preconceituosos. O que significa não ser racista?

 

Não ser racista é reconhecer que nós, negros, temos o direito de ocupar os mesmos espaços que, atualmente, são ocupados exclusivamente por pessoas brancas e que a cor de nossa pele não nos faz piores que os demais. É, também, aceitar que 57% da população brasileira, que é negra, represente cargos de liderança, papéis nas novelas e até desenhos animados. Não ser racista é ter empatia e compaixão com a causa negra.

 

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Para Alexandra Loras, o empoderamento da mulher negra é ainda mais difícil de alcançarimagem: Alessandra Levtchenko/Divulgação

 

Do UOL, em São Paulo


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27 de maio de 2016

Após sofrer estupro coletivo em uma comunidade na zona oeste do Rio de Janeiro, a vítima, uma adolescente de 16 anos, voltou a se pronunciar na internet.

“Todas podemos um dia passa e por isso .. Não, não doi o útero e sim a alma por existirem pessoas cruéis sendo impunes !! Obrigada ao apoio”, escreveu no Facebook.

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Na manhã desta sexta-feira (27), a jovem também aderiu à campanha na rede social pelo “fim da cultura do estupro”.

A nova mensagem é um complemento do texto postado pela adolescente na noite de quinta-feira (26).

“Venho comunicar que roubaram meu telefone e obrigada pelo apoio de todos. Realmente pensei que seria julgada mal”, disse em seu primeiro desabafo.

Segundo a vítima, 33 homens armados teriam participado do crime.

Repercussão:

ONU Mulheres Brasil divulgou, na quinta-feira (26), nota em que se solidariza com as jovens do Rio de Janeiro e do Piauí que foram vítimas de estupros coletivos e pede ao poder público dos dois estados que seja incorporada a perspectiva de gênero na investigação, processo e julgamento dos casos. A organização também pede à sociedade brasileira “tolerância zero” a todas as formas de violência contra as mulheres e a sua banalização.

Mais cedo, a Polícia Civil do Rio de Janeiro tomou depoimento de uma jovem de 16 anos que informou ter sido drogada e estuprada por diversos homens. O crime foi denunciado após um vídeo com imagens da jovem desacordada e com órgãos genitais expostos ter sido postado na internet. No vídeo, um homem diz que “uns 30 caras passaram por ela”.

Em Bom Jesus, sul do Piauí, uma jovem de 17 anos afirmou ter sido violentada por quatro adolescentes e um rapaz de 18 anos, na madrugada desta sexta-feira (20). Após uma briga com o namorado, a jovem teria ingerido bebida alcoólica e os suspeitos se aproveitaram da embriaquez para cometer o crime. A jovem foi encontrada amarrada dentro de uma obra abandonada.

A nota, assinada pela representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, observa que os dois casos “bárbaros” se assemelham pelo fato de que as duas adolescentes teriam sido atraídas pelos algozes em tramas premeditadas e por terem sido violentamente atacadas num contexto de uso de substâncias com álcool e drogas.

“Como crime hediondo, o estupro e suas consequências não podem ser tolerados nem justificados sob pena do comprometimento da saúde física e emocional das mulheres, as quais devem dispor de todas as condições para evitar a extensão do sofrimento das violências perpetradas”, registra o texto.

A ONU Mulheres Brasil também reforça a necessidade de garantia e fortalecimento da rede de atendimento a mulheres em situação de violência e de profissionais especializadas em gênero em todas as esferas governamentais para o pleno atendimento às vítimas.

Dilma: estupro coletivo de jovem foi “barbárie”

A presidenta afastada Dilma Rousseff usou as redes sociais para condenar o estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro. Segundo Dilma, o ato foi uma “barbárie”. “Presto minha total solidariedade à jovem, menor de idade, estuprada por vários homens. Além de cometerem o crime, os agressores ainda divulgaram fotos e vídeos da vítima, desacordada, na internet. Uma barbárie”, disse Dilma, que pediu a identificação e punição dos responsáveis.

A jovem deu depoimento à Polícia Civil dizendo que acordou na madrugada de quinta-feira (26) cercada por 33 homens armados de pistolas e fuzis. A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática no Rio de Janeiro (DRCI) também analisa um vídeo com imagens da jovem desacordada e nua.

Postadas na quarta-feira (25) no Twitter, as imagens causaram indignação na internet. No próprio vídeo, um homem diz que “uns 30 caras passaram por ela”. O delegado Alessandro Thiers pediu a quem tenha qualquer informação que possa auxiliar na identificação dos autores entre em contato pelo e-mail alessandrothiers@pcivil.rj.br

A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro divulgou nota repudiando o ato e se prontificou a oferecer apoio à jovem e sua família.

Leia Também

 

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Fonte: Rede Tv


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27 de maio de 2016

No Rio de Janeiro, uma jovem foi brutalmente agredida e estuprada por 30 (TRINTA) homens. Não satisfeitos, os desgraçados a expuseram e divulgaram o vídeo da brutalidade no Twitter.

 

O mais revoltante é que houve “pessoas” que tentaram relativizar ou culpar a vítima por ter sofrido tamanha violência. Chega!

 

NADA, ABSOLUTAMENTE NADA JUSTIFICA TAMANHA MONSTRUOSIDADE.

 

E fica aqui o recado: para cada infeliz que relativizou este caso e tantos outros casos, haverá sempre 10, 100, 1000 pessoas para repudiar. Ninguém calará as vozes delas. Elas não estão sozinhas, elas têm umas às outras, elas têm muitas e muitos com elas.

 

MACHISTAS, FASCISTAS NÃO PASSARÃO!

 

“Trinta.
Vinte e nove
Vinte e oito
Vinte e sete
Vinte e seis
Vinte e cinco
Vinte e quatro
Vinte e três
Vinte e dois
Vinte e um
Vinte
Dezenove
Dezoito
Dezessete
Dezesseis
Quinze
Quatorze
Treze
Doze
Onze
Dez
Nove
Oito
Sete
Seis
Cinco
Quatro
Três
Dois
Um
Nenhum.

 

Eu tiraria todos – um por um – de cima de você neste momento irmã. Eu limparia seu corpo, tiraria o som dos seus ouvidos, o cheiro deste lugar, as lembranças. Se o tempo voltasse, eu os impediria de terem saído de casa. Todos eles.

 

Eu desligaria os celulares, os computadores, tiraria baterias dos carros, dos ônibus. Eu faria feitiço, veneno, poção, dor de barriga para todos. Trinta.

 

Eu te levantaria daí e te levaria pra ver o pôr do Sol no Arpoador, se o mundo girasse ao contrário… Mas o mundo não gira.

 

Foram Trinta.

 

Um ex-companheiro e vinte e nove “amigos”. Nenhum deles se compadeceu. Vinte e nove seres humanos toparam se unir à um criminoso.

 

Trinta.

 

Trinta e um agora compartilharam. Trinta e dois riram. Trinta e três justificaram. Trinta e quatro se excitaram, trinta e cinco procuram o vídeo neste momento.

 

Agora o número se torna uma projeção geométrica. A misoginia aparenta infinita, o ódio e o machismo aparentam grandiosos demais. A primeira reação do público masculino em geral é ver o vídeo.

 

No entanto, quando pensei que fôssemos só nós duas, olhei para o lado e vi três, quatro, cinco. Chegaram seis, sete, oito, trinta.

 

Em segundos fomos noventa, cem, mil, somos milhares por você. Aquele som, aquele cheiro… Queremos que sua memória apague, mana

 

E que o mundo nos ouça: “A CULPA NUNCA É DA VÍTIMA”. Que ecoe.

 

Que ecoe: Daqui vocês não passam. Não passarão.

 

Que cada uma de nós seja porta voz do ocorrido. Se a grande mídia não denuncia a violência contra a mulher periférica, que nossas mãos sejam denúncia.

 

Na violência contra a mulher todas metemos a colher.

 

DENUNCIE.

 

No site do Ministério Público, Polícia Federal e disque 180. Mexeu com uma, mexeu com todas.”

 

Luara Colpa

 

DIGA NÃO À CULTURA DO ESTUPRO!!! 

O seu silêncio ajuda o estuprador…

Vamos compartilhar em massa pessoal! Eles não passaram!

 

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27 de abril de 2016

As feministas odeiam os homens, feminismo é o contrário de machismo… Calma, pessoal, sentem aqui para termos uma conversinha importante.

 

Ao ser questionada pela revista norte-americana TIME se era feminista ou não, Shailene Woodley, estrela em ascensão e protagonista dos sucessos “A Culpa é das Estrelas” e “Divergente”, deu a seguinte resposta: “Não sou porque amo os homens, e penso que a ideia de ‘elevar as mulheres ao poder, e tomar o poder dos homens’ nunca vai funcionar. É preciso equilíbrio”.

 

Equivocada por distorcer a real luta do feminismo, a fala, claro, ganhou repercussão global e nos faz questionar: você sabe mesmo o que é feminismo? Abaixo, com o auxílio de Lola Aronovich, professora do Departamento de Letras Estrangeiras na Universidade Federal do Ceará (UFC) e autora do blog Escreva Lola Escreva, e de Bia Cardoso, pedagoga e coordenadora doBlogueiras Feministas, mostramos que muitas das coisas que te falaram sobre o feminismo não passam de mentiras. Vamos lá:

 

1. O feminismo é uma ditadura.

 

 

Oi? Não. O feminismo é um movimento de luta para a emancipação das mulheres. O que o feminismo pede são direitos iguais. Para homens e mulheres. Uma feminista é uma pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica, como definiu a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adiche. Mas mais do que isso, como explica Lola:  “Hoje em dia, o feminismo é o combate a todas as opressões, não só de gênero, mas também de raça, orientação sexual, classe…” Você concorda com isso? Se a resposta é sim, bem, você é uma feminista.

 

2. Feminismo é o contrário de machismo.

 

Mentira. Diferente do feminismo, que é um movimento social e político organizado, o machismo não é um movimento e, sim, uma estrutura da sociedade que oprime as pessoas, assim como o racismo.

 

3. O feminismo só é bom para as mulheres.

 

 

Como uma sociedade igualitária pode ser vantajosa apenas para um dos lados? Em um famoso discurso durante o lançamento da campanha #HeForShe Emma Watson, embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres e atriz, explicou essa questão: “[Atualmente] homens também não têm o benefício da igualdade. Não queremos falar sobre homens sendo aprisionados pelos estereótipos de gênero, mas eles estão. Quando eles estiverem livres, as coisas vão mudar para as mulheres como consequência. Se homens não têm que ser agressivos, mulheres não serão obrigadas a serem submissas. Se homens não têm a necessidade de controlar, mulheres não precisarão ser controladas. Tanto homens quanto mulheres deveriam ser livres para serem sensíveis. Tanto homens e mulheres deveriam ser livres para serem fortes”.

 

4. Feminismo tem apenas um significado. 

 

Não. Ele é formado por diversas correntes, com diferentes visões, como qualquer outro movimento. “O que o feminismo não é é o que o senso comum muitas vezes diz: um bando de barangas mal amadas”, pontua Lola. A editora da RookieMag, revista online voltada ao público adolescente, Tavi Gevinson, emseu discurso no TEDxTeen, também compartilha da ideia: “Muitas garotas acham que para ser feministas elas precisam viver de forma coerente com suas crenças, nunca estar inseguras, nunca ter dúvidas, ter sempre as respostas… Mas isso não é verdade e as coisas ficaram fáceis quando eu entendi quefeminismo não é um livro de regras, mas uma discussão, uma conversa, um processo”.

 

5. Toda feminista odeia os homens. 

 

Mentira. Lola explica que, na verdade, muito poucas feministas odeiam homens: “É só uma corrente ínfima do feminismo que diz que tudo bem odiar homens se a mulher passou por uma experiência traumática”. Mas é uma dúvida comum e, até pouco tempo atrás, a cantora Taylor Swift pensava assim também… “Como adolescente, eu não entendia que dizer que você é uma feminista é dizer que você quer que mulheres e homens tenham direitos iguais. O que parecia para mim, na maneira com que era expressado na cultura era de que você odeia homem. E agora, acho que muitas garotas estão tendo um ‘despertar feminista’ porque estão entendendo o que a palavra significa. Por muito tempo fizeram parecer como algo que você protesta contra o sexo oposto. Não é nada disso,” disse em entrevista ao The Guardian.

 

6. Homens não podem ser feministas. 

 

Como explicado no tópico 4, o feminismo é bom para todo mundo, mas essa questão de designar um homem como feminista ainda é polêmica. “A verdade é que ainda não existe consenso ou uma resposta correta”, afirma Bia Cardoso. Para Lola, os homens não só podem, como devem ser feministas, eles apenas não podem querer o protagonismo: “Seria como se um branco quisesse liderar um movimento negro. Os homens devem usar o seu lugar de privilégio no mundo para poder influenciar outros homens”.

 

7. Para ser feminista é preciso ser ativista.

 

 

Claro que não! Para ser feminista você não precisa estar nas ruas. Só o fato de você concordar com os ideais da causa e tentar praticá-los no seu dia a dia já faz de você uma. “A Beyoncé obviamente nunca participou de uma Marcha das Vadias, mas isso não a impediu de colocar, por exemplo, a palavra “feminista”no palco do VMA. Marketing ou não, quanto mais se falar de feminismo melhor”, explica Bia. O que Lola completa: “Você pode definir ativismo como orientar e educar outras pessoas. Logo, se você mudar a cabeça de alguém, você pode estar fazendo ativismo”.

 

8. Passar make e usar roupas sensuais faz de você menos feminista.

 

 

Errado. O feminismo não é contra a maquiagem e muito menos contra o seu vestido curto, que você tem o direito de usar sem sofrer nenhum constrangimento ou assédio. São escolhas que só dizem respeito a você, assim como não passar maquiagem ou não se depilar. “O problema, na verdade, é a indústria da beleza que fomenta um padrão irreal, inalcançável”, comenta Bia.

 

9. Donas de casa não podem ser feministas.

 

 

Quem disse? A ideia do feminismo é você ser você do jeito que quiser. “A dona de casa é o primeiro papel da mulher dentro da sociedade e precisa ser valorizada”, avalia Bia. Se você é feliz assim, continue assim. Escolher cuidar do lar não faz de você menos feminista. “É sempre bom lembrar que não é o feminismo que desvaloriza o trabalho doméstico – é o machismo”, pontua Lola. Mas Chimamanda, ainda em seu discurso “We Should All Be Feminists”, atenta para uma questão: “É esperado de mim que eu faça escolhas sempre pensando que o casamento é o mais importante. Ele pode ser… uma fonte de alegria e amor e respeito mútuo. Mas por que nós ensinamos as garotas a sonhar com o casamento e não ensinamos os garotos o mesmo?”

 

10. Para ser feminista você não pode deixar o homem pagar a conta ou abrir a porta do carro.

 

 

Aceitar gentilezas de um homem ou de qualquer outra pessoa não faz você menos feminista. Mas, veja bem, pagar a conta, abrir a porta do carro, comprar flores… Você também pode fazer todas essas coisas, assim como segurar a bolsa de um desconhecido no metrô ou ônibus. O feminismo prega que você pode tudo, pode inclusive ser presidente de uma grande empresa, caso queira.

 

11. O feminismo divide as mulheres.

 

Como um movimento que prega a igualdade pode ser excludente? O que pode existir são pessoas que não entenderam o verdadeiro significado da palavra e que não se deram conta de que o machismo é o verdadeiro vilão, que ele criou a rivalidade entre as mulheres. “Acho muito bom que as mulheres passem a se apoiar e esqueçam essa ideia de que mulher é invejosa. Não são. Isso é uma ideia que colocaram… Por exemplo, a mídia é toda voltada para quem é a mais bonita, a melhor mãe… Você não vê essa competição em relação aos homens”, finaliza Bia.

 

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Por LUCAS CASTILHO

 


rioclaro
23 de novembro de 2015

A forma como a mulher aparece na propaganda é uma preocupação crescente das empresas. Marcas nacionais e estrangeiras estão levantando a bandeira do fortalecimento feminino, apostando em comerciais em que elas mostram mais do que sensualidade e eficiência na limpeza da casa.

 

A discussão sobre o assunto começou a ficar mais forte depois que consumidores passaram a usar as redes sociais para expor suas impressões sobre a publicidade. Só neste ano, marcas nacionais como Itaipava, Skol e Bom Negócio tiveram de modificar ou tirar do ar anúncios que foram considerados ofensivos e machistas.

 

Na outra ponta, a Mattel fez barulho ao lançar em outubro, nos Estados Unidos, um novo comercial da Barbie, boneca que é alvo de críticas por apresentar às crianças um padrão de beleza inatingível. No filme, meninas aparecem exercendo funções como a de executiva, técnica de futebol americano e paleontóloga. “Quando uma menina brinca com uma Barbie, ela imagina tudo em que pode se transformar” é a mensagem.

 

A Avon lançou, em julho, a campanha “Beleza que faz sentido” e criou um site (http://zip.net/bgsph1, link encurtado e seguro). Ali mantém conteúdos sobre a importância da autonomia financeira e da autoestima no processo de fortalecimento das mulheres.

 

 

Categoria especial no Festival de Cannes

 

A marca de absorvente Always também criou um comercial que convida o consumidor a olhar de forma diferente para a mulher. A propaganda “Like a Girl” (“Como uma menina”, em inglês) foi lançada durante o intervalo do Super Bowl, final da liga de futebol americano, nos EUA, no começo deste ano.

 

No comercial, algumas pessoas são convidadas a fazerem as coisas “como uma menina”, como correr e lutar. Enquanto adultos e um garoto fazem tudo de forma caricatural, meninas realizam tudo com força e orgulho. A propaganda foi vencedora de uma das categorias do Festival de Cannes de 2015.

 

Neste ano, o Festival de Cannes até criou uma categoria, a Glass Lion, para premiar propagandas que ajudam a combater os preconceitos de gênero.

 

A vencedora do prêmio principal nessa categoria foi uma campanha do absorvente Whisper, da Procter & Gamble, na Índia. No comercial, uma jovem é estimulada a tocar em um pote de picles, desafiando uma crença local que diz que mulheres menstruadas não devem tocar em comida porque isso tornaria o conteúdo impuro.

 

“Existe um movimento de marcas que estão tendo coragem de assumir essa bandeira e um discurso mais afirmativo. Isso não vai ser assumido por todas as marcas, mas o que todas podem fazer é uma comunicação não discriminatória, que não estereotipa”, diz Carla Alzamora, diretora de planejamento da Heads Propaganda. A agência realizou uma pesquisa em que mostra que a propaganda brasileira ainda usa muitos estereótipos associados a gênero e raça.

 

 

Comercial com sexo e violência não tem efeito desejado

 

Não se trata apenas de coragem de assumir o tema, mas de necessidade. As vendas de bonecas Barbie caíram 14% no terceiro trimestre de 2015 no mundo todo, e essa foi a oitava queda seguida. Os maus resultados da Mattel, fabricante da boneca, já levaram à demissão de um executivo, no começo deste ano, e a várias tentativas de reaproximação com o público mirim feminino, como o lançamento de bonecas super heroínas.

 

Campanhas publicitárias que reforçam estereótipos relacionados às mulheres também podem ter, além de repercussão negativa nas redes sociais, efeitos negativos para as finanças das empresas.

 

Uma pesquisa publicada na revista Psychological Bulletin, da Associação Americana de Psicologia, concluiu que comerciais com conteúdo sexual e violência são menos eficazes do que aqueles com temas neutros. Isso porque o público presta mais atenção nas cenas do que no produto que está sendo vendido.

 

“Existe um tipo de comunicação que não está funcionando, e isso provoca receio nas marcas”, diz a pesquisadora da agência inglesa Trendwatching no Brasil, Rebeca de Moraes.

 

A agência publicou um relatório, no começo deste mês, em que mostra que a publicidade está mudando não só no Brasil, mas também em outros países da América Latina.

 

“A marca precisa decidir se quer ser guiada pelo consumidor, o que vai fazer dessa empresa muito pouco inovadora, ou centrada no consumidor, olhando para ele de maneira empática. É preciso entender quem é essa mulher com quem ela quer falar, e conversar com ela de maneira respeitosa.”

 

rioclaro

 

Fonte: Uol

 


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21 de setembro de 2015

A 2ª Conferência Municipal de Políticas para as Mulheres será no dia 26 de setembro, um sábado, às 13 horas, no auditório do Núcleo Administrativo Municipal. As propostas aprovadas serão levadas à conferência estadual, que acontece em novembro. A conferência nacional será em março de 2016.

A Conferência Municipal de Políticas para as Mulheres é realizada pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e prefeitura de Rio Claro, por intermédio da Assessoria de Referência e Atendimento à Mulher, Diretoria de Políticas Especiais e Secretaria de Assistência Social.

Em preparação à 2ª Conferência Municipal de Políticas para as Mulheres, Rio Claro realizou pré-conferências para discutir com a comunidade propostas relacionadas ao tema “Mais direitos, participação e poder para as mulheres”.

 

Data: 26 de setembro de 2015

Horário: 13 horas

Endereço: Auditório do núcleo administrativo municipal- Rua 6, 368- Alto do Santana


dominatrix
18 de maio de 2015

A banda foi fundada no fim de 1995, pelas irmãs Isabella e Elisa Gargiulo, além de Estela e Diego. O nome “Dominatrix” só passou a ser utilizado em 1996. A primeira demo foi lançada em janeiro de 1996, chamada Pink Hair Rules, gravada com Elisa (guitarra e vocal), Isabella (baixo e vocal) e Estela Homem (bateria). Em maio de 1996, também com Ana Pereira (guitarra), lançaram a segunda demo chamada Little Grrls. Em setembro do mesmo ano, a banda grava duas faixas para a coletânea SP Punk vol II. E partir do fim de 1996, a banda contou com uma nova guitarrista, Eliane (hoje membro das bandas Hats e Lava), e lança, em março de 1997, a demo March 8th.

Em abril de 1997, Eliane deixa a banda. No mês seguinte, como um trio, o Dominatrix lança a quarta demo, intitulada All We Want is Girl Unity, e é convidada a fazer parte da gravadora Teenager in a Box. Seu disco de estréia, Girl Gathering, é lançado em agosto de 1997, contando com as músicas das duas últimas demos. O disco é rapidamente vendido, esgotando das prateleiras nove meses depois.

Em junho de 1998, a banda grava então seu segundo álbum, chamado Self Delight, uma parceria da Teenager in a Box com a gravadora Clorine Records, fundada pela vocalista da banda, Elisa. No fim de 2002, Isabella saiu da banda e Mayra Vescovi entra em seu lugar como baixista. A partir daí, Elisa assumiu controle único do vocal. No mesmo ano, a faixa “Redial” do disco Self Delight aparece na coletânea HC Scene vol 3.

Em junho de 1999, a banda gravou três faixas para o split com a banda Street Bulldogs, que saiu em agosto do mesmo ano pela Clorine Records. Em 2000, a banda lançou duas músicas (“Burn your house down” e “Halo”) na coletânea Ataque de Nervos, lançada pela Antimidia Records. Em 2001, lançou 4 músicas em um CD split (“Split Bike”) com a banda Dance of Days, pela gravadora Teenager in a Box, e nesta mesma época, Flávia entra na banda.

No ano de 2001, o Dominatrix fez turnê pela Alemanha e pela Holanda, com bandas como S.O.L. e Ebola e tocou no prestigiado festival feminista “LadyFest Amsterdam”. Durante os meses de fevereiro e março de 2003, o Dominatrix fez turnê nos EUA com a banda Haggard, do selo Mr. Lady. Tocaram em 14 shows em cidades como Los Angeles, Portland, Olympia, Seattle, entre outras. Deram entrevista para o zine Punk Planet e para várias rádios independentes. Tocaram em faculdades e em lugares clássicos como o Gilman Street, em Berkley, CA. Em Portland, gravaram um EP com quatro músicas inéditas que saiu em agosto de 2003. No mesmo EP, há quatro faixas bônus, as mesmas que saíram no Split Bike.

No ano de 2005, a banda comemorou 10 anos de estrada e no show comemorativo contou com a participação especial da fundadora Isabella, que hoje em dia mora emMilwaukee, Wisconsin.

No ano de 2006, em virtude da saída de Flávia e Mayra por discordâncias políticas e pessoais, Elisa e Debora Biana (bateria) realizaram audições para escolher as novas guitarrista e baixista da banda. Josieta Lucas (ex-guitarrista do Sündae) e Debora (também integrante do Cínica e Siete Armas) entraram na banda no ano de 2007. No início de2009 a banda lança o EP “Quem Defende Pra Calar”, primeiro registro inteiramente em português do Dominatrix.

Veja abaixo o som das girl’s ;)

dominatrix

Música Meu Corpo é Meu

O aborto é infração moral
E as consequências dos seus atos são: castigo e pena
Tranca e cala a voz na prisão

De um tempo difícil que leva do julgamento ao fato
Inverso olhar de quem na mente e ventre
Não tem nada a temer

Se livrou de um filho que não é seu
Mas salva a mãe que limpa a casa, essa é sua
Agredida ou em risco, é assassina e ré

Puro é aquele que inocênte não se segurou e foi
Tentadoa violentar e sem querer matou
Puta é aquele que se dá pra quem se dá sem o seu
Aval misógino, mas meu corpo é meu.

Encerra no corpo a batalha
Quem disse que era fácil a sobrevida em nome
Da função de mulher do lar
Misoprostol na cidade, no campo, copo de veneno,
Farpa, arame
Patriarcado, açougue infame

Se livrou de um filho que não é seu
Mas salva a mãe que limpa a casa, essa é sua
Agredida ou em risco, é assassina e ré

Puro é aquele que inocênte não se segurou e foi
Tentadoa violentar e sem querer matou
Puta é aquele que se dá pra quem se dá sem o seu
Aval misógino, mas meu corpo é meu.

Link: http://www.vagalume.com.br/dominatrix/meu-corpo-e-meu.html#ixzz3aSXQH0Go

Fonte: Wikipedia

 


Faculdade de Ciencias Sociais - FCS
23 de abril de 2015

IV Seminário Internacional Trabalho e Gênero discute a atualidade do movimento feminista e seus desafios

Texto: Patrícia da Veiga | Fotos: Carlos Siqueira

 

IV Seminário Trabalho e Gênero

IV Seminário Trabalho e Gênero foi uma parceria da UFG com a UFU e a Unicamp. Da esquerda para a direita, a professora  Eliane Gonçalves apresenta as demais organizadoras do evento: Maria Lucia Vannuchi, Tania Tosta e Patrícia Trópia

 

Há quem diga que o movimento feminista cumpriu seu papel, em tempos de contracultura, nas décadas de 1960 e 1970, mas que no século XXI perdeu a razão de existir, tendo em vista uma suposta garantia de igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. No entanto, o que se nota é justamente o contrário. As mulheres ainda sofrem diversos tipos de violência (física, simbólica e sexual), lideram os rankings de desemprego, salários baixos e informalidade (em todo o mundo), todavia encaram dupla e/ou tripla jornada de trabalho (entre a vida pública e privada), são criminalizadas pela prática de aborto, ocupam a minoria das cadeiras na representação política, entre outras práticas. Ou seja, homens e mulheres, enquanto grupos sociais diferentes, ainda estabelecem entre si “relações sociais e de poder assimétricas, hierarquizadas e antagônicas”, bem diria Helena Hirata, diretora do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), instituto de pesquisa vinculado às Universidades de Paris 8 e 10.
Hirata esteve em Goiânia no mês de setembro de 2012, durante o IV Seminário Trabalho e Gênero. Na ocasião, ela dividiu uma mesa-redonda com Maria Luisa Tarrés, professora e pesquisadora do Colégio de México desde 1985. Ambas se pronunciaram sobre as “perspectivas internacionais” para as mulheres na sociedade e no mercado de trabalho, concluindo que há muito o que fazer em busca de dignidade. “Estão a favor dos homens instituições como sindicatos, partidos, escola, mídia e empresas. Como mudar isso? Primeiramente, pela articulação de movimentos sociais, como o movimento feminista. Em segundo lugar, com o desenvolvimento de políticas públicas de igualdade”, opinou a investigadora do CNRS.

 

O IV Seminário Trabalho e Gênero teve três eixos de atenção: o protagonismo das mulheres na sociedade e no mercado de trabalho, o ativismo político das mulheres em movimentos sociais e, por fim, questões de gênero revisitadas. Neste último eixo, a professora Celília Sardemberg, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), analisou o que é gênero.
Sardemberg definiu o gênero como um conceito ora ambíguo, ora polivalente, “um fenômeno amplo da construção social” que tem a mulher, o homem e o sexo como categorias de análise. “Não é uma mera classificação de masculino e feminino, é o reconhecimento de relações de poder entre essas categorias”, explica. Para a pesquisadora da UFBA, esse conceito pode ser “um instrumento de desnaturalização” importante para desmistificar tabus e ideologias a respeito da vida das pessoas e dos seus corpos. Por exemplo, a ideia de que mulher nasceu para ser delicada e de que o homem é visceral e forte.
A professora apontou diversas abordagens do conceito de gênero, destacando-o como uma consequência dos movimentos pelos direitos das mulheres. “Primeiro se falava em mulher, depois em feminismo, agora em gênero. Atualmente, prefiro falar em ‘relações sociais de gênero’”, categorizou.
Na mesma oportunidade, a pesquisadora Lucila Scavone, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), fez uma revisão do feminismo no Brasil e destacou o quanto os compromissos do movimento penetraram na academia, em busca de teorias próprias. Ela lembrou que uma das ações das mulheres ativistas, nas décadas de 1980 e 1990, foi, justamente, buscar meios para explicar a realidade com base em sua visão de mundo. “Os primeiros encontros feministas aconteceram junto com reuniões anuais da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)”, exemplificou.

 

Professora Márcia Leite - Debate

Professora Márcia Leite, da Unicamp, ao centro, coordena debate entre as pesquisadoras  Maria Luisa Tarrés e Helena Hirata

 
Mais de 250 pessoas que acompanharam o IV Seminário Trabalho e Gênero também puderam presenciar a exposição de Laísa Abramo, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), sobre o protagonismo das mulheres nos espaços sociais, e diálogos entre Francisco Zapata, também do Colégio de México, e Renata Gonçalves, da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp), sobre ativismo e sindicalismo.
O Seminário Trabalho e Gênero, que ocorre a cada dois anos, é resultado das articulações de pesquisa do Núcleo de Estudos sobre Trabalho (NEST) da Faculdade de Ciências Sociais (FCS/UFG). Em 2012, pela primeira vez, o seminário teve alcance internacional. A realização da quarta edição do evento deu-se em parceria com a Universidade de Campinas (Unicamp) e com a Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

 

“A classe operária tem dois sexos”

A concepção de que o homem naturalmente o provedor de um grupo ou de uma família e a mulher é uma cuidadora, provoca uma distinção preconceituosa entre os sexos o que, em pleno século XXI, está difundido nos mais diversos âmbitos da vida social, inclusive no mundo do trabalho. O conceito de “divisão sexual do trabalho” demarca as fronteiras da desigualdade e reconhece que, apesar de inúmeros avanços no âmbito da cidadania, a mão de obra feminina ainda é tida como secundária.
A socióloga Elisabeth Souza-Lobo escreveu sobre o espaço da mulher no mundo do trabalho, sobretudo nas “linhas de montagem” das fábricas paulistanas. Seus textos, com publicação original da década de 1980, foram reunidos na obra A classe operária tem dois sexos e reeditados vinte anos após sua morte, em 1991. No IV Seminário Trabalho e Gênero, a obra e o pensamento de Souza-Lobo retornaram ao cerne dos discursos.
Conforme apresentou Helena Hirata, do CNRS/França, em sua palestra, as mulheres ganham menos que os homens conforme os seguintes porcentuais: de 25% a 30% na França, de 30 a 35% no Brasil, 50% no Japão e no Chile. Além dos baixos salários, o desemprego de mulheres também é maior, em todo o planeta. E os índices de mulheres negras sem trabalho e sem assistência (para que consigam se inserir no mercado) são ainda maiores. No Brasil, dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD) indicam que somente 46,8% das mulheres negras brasileiras estão formalmente empregadas.

Por que isso ocorre? Para Laís Abramo, diretora do escritório brasileiro da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que também ministrou palestra no seminário, o problema está na falta de políticas de assistência reprodutiva, uma vez que as mulheres enfrentam dupla ou tripla jornada e, muitas vezes, passam por dificuldades ao conciliar trabalho, estudo e família. Em Goiás, a OIT reconhece um porcentual de 42,7% de mulheres sem estrutura mínima para trabalhar. Em linhas gerais, falta respeito à licença maternidade e ao direito à creche.

No caso do Brasil, em que a rotatividade dos empregos é alta e a remuneração em geral é baixa, as mulheres ainda são a maioria no comércio e nos serviços domésticos. “O trabalho doméstico foi por muito tempo a principal ocupação das mulheres no país”, lembra Abramo. Nesse sentido, ela destaca a posição específica das mulheres negras, que ainda “entram pelas portas dos fundos” no mercado, sendo a maioria das trabalhadoras domésticas, com remuneração média inferior ao salário mínimo (em 2012, equivalente a R$ 622,00), e possibilidades de contribuir para a previdência em apenas 32,3% dos casos.

A realidade comprova a teoria e se afasta da ideia de que a mulher já conquistou seu espaço na vida pública. Para Hirata, “enquanto não for resolvida a divisão sexual do trabalho doméstico, a desigualdade no mundo do trabalho não tem solução”. Ou seja, a transformação deve vir também da cultura e da superação do modelo patriarcal de sociedade.

Renata Gonçalves, que participou do IV Seminário Trabalho e Gênero e tem um texto intitulado Dinâmica sexista do capital: feminização do trabalho precário, destaca que é preciso analisar também a conjuntura estrutural da sociedade contemporânea. Para ela, transformações no sistema capitalista que mecanizaram a produção, flexibilizaram os direitos e tornaram as relações de trabalho precárias afetaram duplamente as mulheres, que ocupam os postos que sobraram. “A dominação capitalista de classe se reproduz produzindo e reproduzindo ‘diferenças’ que, no fundo, reforçam preconceitos, inclusive de gênero”, escreve.

 

IV Seminário Trabalho e Gênero

Um dos temas discutidos no seminário foi a condição da mulher no mercado de trabalho. Cerca de 250 pessoas participaram

 

 

A mulher em tempos de violência

 

Assim como o Brasil, o México vive tempos de crise na segurança pública, em que o Estado disputa espaço com o crime organizado e quem sofre são os cidadãos, ou melhor, as cidadãs. Quem levantou essa polêmica foi a pesquisadora mexicana Maria Luisa Tarrés, convidada do IV Seminário Trabalho e Gênero. Para ela, a violência praticada no cotidiano, sobretudo dos grandes centros urbanos, faz que a sociedade assuma uma postura conservadora nos costumes, eleja governos autoritários e, assim, interfira nos direitos das mulheres.

“Com o aumento da violência no combate ao tráfico de drogas, o crescimento do desemprego e do trabalho informal, pessoas se guardam em suas casas, retroagem para se defender, e as mulheres são as primeiras que sofrem. Elas se recolhem à vida privada e, assim, não há mais movimentos de mulheres. No México, o feminismo se desmanchou no ar”, discursou Tarrés. Em seu pronunciamento, ela reforçou que tem sido difícil falar de gênero em seu país, sobretudo no que diz respeito aos marcos legais e ao desenvolvimento de políticas sociais para a mulher.

Os debate sobre a descriminalização do aborto, por exemplo, nos últimos anos, foram paralisados ou até mesmo encerrados de vez. “Em 17 estados da Federação foi aprovada a punição para mulheres que interrompem a gravidez”, denunciou. No caso das políticas sociais, Tarrés relata que, até 2006, houve avanços na criação de instituições transversais, foram identificados entre os grupos de direitos humanos interesses comuns e traçadas políticas públicas para a cidadania. Tempos depois, as leis aprovadas não foram regulamentadas e os espaços específicos de cuidado e atenção à mulher tiveram seus recursos limitados ou foram até mesmo sucateados. “As instituições que aceitaram desenvolver políticas na perspectiva de gênero perderam seus incentivos. Atualmente estão sobrecarregadas de trabalho, cuidando da excessiva quantidade de mulheres violentadas”, complementou.

Diante do exposto, Tarrés disse ter preocupação com a autonomia das mulheres no México e também no restante da América Latina. “Como sair da subordinação?”, questiona. Ela considera que, por isso, é preciso cautela ao discutir questões de gênero na academia, distinguindo sempre o que é teoria e o que são as perspectivas reais. A professora recomendou lançar sempre um questionamento: “como se aplica a perspectiva de gênero e em que contexto?”.

Segundo ela, a realidade mexicana ainda convive com alta mortalidade materna, violência doméstica e pouca inserção das mulheres na vida pública. “Não podemos seguir falando de gênero como se estivéssemos em 1995 ou até antes. Nosso contexto está parado. No México se detectou uma onda de conservadorismo ideológico que se centra no controle da concepção da vida, da morte, do amor e da sexualidade. A diversidade no México é grande, mas a política atual torna as pessoas intolerantes”, finalizou. Tarrés sugeriu que os estudos de gênero investiguem tal situação e que o movimento feminista conquiste novamente as mulheres que estão retraídas em suas lutas, revendo discursos e práticas. Considerando que a política feminista vive uma tensão constante entre garantir direitos e ao mesmo tempo desconstruir representações sociais, talvez podemos concluir que Tarrés se refere à possibilidade de reinventar o próprio movimento.

 

Fonte: Jornal UFG

 


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7 de março de 2015

O Coletivo Feminista Maria Maria, realizará ato reivindicando a instalação de uma delegacia da mulher em Rio Claro e uma casa abrigo para o acolhimento de mulheres vítimas de violência.

Em nota enviada a imprensa, o coletivo informa suas principais bandeiras de luta esse ano, confira:

“Em um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA) sobre os feminicídios no Brasil verificou-se que não houve redução nas taxas anuais de mortalidade de mulheres perpetrados por homens, principalmente parceiros ou ex-parceiros, entre 2001-2006 e 2007-2011 (períodos antes e depois a vigência da Lei Maria da Penha). Estima-se a quantidade de mais de 50 mil feminicídios entre 2001 e 2011, ou uma média de 5.664 de mortes por ano, 472 por mês, 15,52 a cada dia e 1 morte a cada 1h30 no Brasil. De acordo ainda com o IPEA, 29% dos feminícios ocorreram no domicílio e 36% ocorreram nos finais de semana.

Todos os dias somos vítimas de violência machista. O Brasil é o 7º país que mais mata mulheres no mundo. A cada 15 segundos, uma mulher sofre algum tipo de violência no país.

No levantamento de ocorrências registradas no mês de janeiro de 2015 pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) foram 8 homicídios dolosos e 28 tentativas de homicídios de mulheres no Estado. Em Rio Claro, encontramos 8 casos de mulheres vítimas de feminicídio entre 2013-2014. Além das diversas formas de violência de gênero, física ou simbólica, sofrida todos os dias pelas mulheres, tais como: lesão corporal, calúnia, difamação, injúria, ameaça, maus tratos, estupro, etc., e que não são noticiadas nas páginas de jornais, mas vivenciadas dia-a-dia pelas mulheres em seus espaços privados sem que estas vítimas oficializem uma denúncia formal contra seus agressores por não contarem com uma assistência mínima em RC e em muitos outros municípios brasileiros. A Lei Maria da Penha nunca irá conseguir sair do papel e ter um impacto positivo de combate à violência de gênero enquanto não contar com uma estrutura para a sua aplicação, como Delegacias da Mulher com funcionamento 24h (incluindo nos finais de semana) e Casa Abrigo com assistência qualificada às mulheres e seus filhos vítimas de violência.Repudiamos a omissão do poder público de Rio Claro. Já se foram: Patrícia, Andressa, Simone, Valdelice, Verônica, Paula, Juliana, Antonia, entre outras em 2013-2014. Nenhuma mulher a menos em Rio Claro!”

O ato reivindicando a instalação de uma Delegacia da Mulher e de uma Casa abrigo em Rio Claro, será realizado na praça central, à partir das 08:00h no domingo (8) e a população está convidada.

Maiores informações: coletivomariamaria.rc@gmail.com

 


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4 de março de 2015

O Coletivo Feminista Maria Maria divulgou nesta quarta-feira (4) uma agenda para as atividades de 8 de março, dia internacional de luta das mulheres. 

Em 2015, como principal bandeira de luta o Coletivo Feminista Maria Maria reivindica a instalação imediata de uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e uma Casa Abrigo no município de Rio Claro, para o coletivo só assim as mulheres em situação de violência na cidade serão protegidas e acolhidas.

Para isso o Coletivo convida a todas e todos para as atividades do programadas até o dia 8 de março – Dia Internacional de Luta das Mulheres.

CRONOGRAMA:

06 de Março
20h – Colagem de lambe-lambes pela cidade – (Concentração em frente à farmácia Droga Raia, Av.3).
Tragam seus rolinhos e pincéis!

07 de Março
14h – Oficina de Teatro do Oprimido – CAEGE (Centro Acadêmico da Geografia) – Unesp, av. 24A.
! Atenção: atividades EXCLUSIVA para MULHERES !

08 de Março
08:30h – Ato reivindicando a instalação da Delegacia de Defesa da Mulher e da Casa Abrigo em Rio Claro – 
Jardim Público, rua 3. ! Tragam seus batuques e venham somar na luta !

14:30 – Cine-Debate com o filme “O Renascimento do Parto” – Centro Cultural Roberto Palmari.

O coletivo Feminista Maria Maria ressalta que 1 em cada 3 mulheres já foram agredidas, uma mulher é vítima de algum tipo de violência a cada 15 segundos, a cada 24 segundos uma mulher é espancada e a cada uma hora e meia uma mulher é assassinada e a realidade de Rio Claro não é diferente.

Maiores informações: coletivomariamaria.rc@gmail.com


liberdade
2 de março de 2015

A história do feminismo envolve a história do movimento feminista e de pensadoras feministas. De acordo com a data, cultura e país, feministas ao redor do mundo tiveram, por vezes, diferentes causas e objetivos. A maioria das historiadoras feministas ocidentais defendem que todos os movimentos que trabalham pela obtenção dos direitos da mulher devem ser considerados movimentos feministas, mesmo que eles não usem ou tenham usado o termo para identificar-se.1Outros historiadores defendem que o termo deva ser restrito aos movimentos feministas modernos e seus descendentes. Estes historiadores utilizam o termo protofeminismo para descrever movimentos mais antigos.

A história dos movimentos feministas modernos no ocidente é dividida em três “ondas”.Cada uma é descrita como preocupada com diferentes aspectos dos mesmos temas feministas. A primeira onda refere-se ao movimento desde o século XIX até o começo do século XX, que lidou majoritariamente com o sufrágio das mulheres, direitos trabalhistas e educacionais para mulheres e garotas. A segunda onda(década de 60-80) lidava com a desigualdade das leis, bem como as desigualdades culturais, e com o papel da mulher na sociedade. A terceira onda (fim da década de 1980-começo da década de 2000) é vista tanto como uma continuação da segunda onda e como uma resposta às falhas nela percebidas.

 

Fonte: Origem – Wikipédia, a enciclopédia livre.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_feminismo