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24 de fevereiro de 2019

‘O Vaticano é uma organização gay': o polêmico livro que diz revelar a corrupção e a hipocrisia na Igreja


Após celebrar missas em igrejas do Vaticano e pendurar as batinas, “milhares” de padres saem para curtir a noite gay de Roma.

 

É o que afirma o jornalista francês Frédéric Martel no livro No Armário do Vaticano, que tem lançamento mundial marcado para esta quinta-feira, mesmo dia em que os principais líderes da Igreja Católica se reúnem para discutir uma estratégia contra o abuso sexual de menores.

 

“O texto é resultado de uma investigação que realizei por mais de quatro anos, em que viajei por vários países e entrevistei dezenas e dezenas de cardeais, bispos, padres, seminaristas e pessoas muito próximas ao Vaticano”, afirmou o autor à BBC News Mundo.

 

 

É uma narrativa que denuncia, segundo a sinopse do livro, a “corrupção e a hipocrisia” dentro do catolicismo romano, que condenou a homossexualidade durante séculos.

 

Livro denuncia, segundo a sinopse, a 'corrupção e hipocrisia' dentro do catolicismo romano

©AFP Livro denuncia, segundo a sinopse, a ‘corrupção e hipocrisia’ dentro do catolicismo romano

 

Martel afirma que, por condições históricas e sociais, o sacerdócio foi uma fuga para centenas de jovens vítimas de bullying em seus povoados por causa da orientação sexual e que, portanto, a Igreja é agora, no seu ponto de vista, uma instituição formada “principalmente” por pessoas homossexuais.

 

“À medida que avancei na pesquisa, descobri que o Vaticano é uma organização gay no nível mais alto, uma estrutura formada em grande parte por pessoas homossexuais que durante o dia reprimem sua sexualidade e a dos outros, mas à noite, em muitos casos, pegam um táxi e vão a um bar gay”, afirma o escritor.

 

Uma de suas fontes chegou a garantir que 80% dos padres no Vaticano são homossexuais – dado que ele não conseguiu confirmar.

 

Porém, o autor diz que um dos fatos que chamou sua atenção foi a “banalidade da vida gay” para “milhares” de sacerdotes, “que não saíram do armário para a organização” e “estão presos no próprio sistema” – mas, ao mesmo tempo, desfrutam do que criticam no altar.

 

O Vaticano não respondeu à solicitação de comentário feita pela BBC News Mundo sobre o livro e as acusações que o autor fez nesta entrevista a respeito da instituição.

 

No entanto, o renomado teólogo jesuíta James Martin questionou os métodos utilizados por Martel para checar os dados e depoimentos.

 

“Martel fez uma pesquisa impressionante para seu novo livro e apresenta algumas ideias importantes sobre hipocrisia e homofobia na igreja”, disse ele à BBC News Mundo.

 

“Mas essas ideias estão enterradas sob uma avalanche de intrigas e insinuações pesadas que arrebatam o leitor e tornam difícil discernir os fatos da ficção”, acrescenta.

 

Sacerdócio e homossexualidade

 

'O abuso sexual não está relacionado com a homossexualidade, pode acontecer dentro de famílias heterossexuais, e a maioria das vítimas no mundo são mulheres', diz Martel

© AFP ‘O abuso sexual não está relacionado com a homossexualidade, pode acontecer dentro de famílias heterossexuais, e a maioria das vítimas no mundo são mulheres’, diz Martel

 

A partir desta quinta-feira, mais de 190 cardeais, bispos e outras autoridades da Igreja Católica se reúnem no Vaticano para decidir o que fazer diante da onda de denúncias de abuso sexual que surgiram contra padres em quase todo o mundo.

 

Dentro da ala mais à direita da instituição, uma das acusações mais frequentes é associar a ocorrência desses crimes à homossexualidade dos padres.

 

Na última terça-feira, dois cardeais conservadores dos Estados Unidos e da Alemanha enviaram uma carta aberta ao papa Francisco pedindo o fim do que chamam de “praga da agenda homossexual” e que os bispos deixem de ser cúmplices de casos de abuso sexual.

 

'À medida que avancei na pesquisa, descobri que o Vaticano é uma organização gay no nível mais alto', afirma Martel

© AFP ‘À medida que avancei na pesquisa, descobri que o Vaticano é uma organização gay no nível mais alto’, afirma Martel

 

Mas, de acordo com Martel, que é assumidamente gay, o problema dentro da Igreja não é a orientação sexual dos padres, que é um assunto privado, mas usar “dois pesos e duas medidas” para tratar a questão da sexualidade.

 

“O abuso sexual não está relacionado com a homossexualidade, pode acontecer dentro de famílias heterossexuais, e a maioria das vítimas no mundo são mulheres. Agora, se você olhar dentro da Igreja, a maioria dos abusos são cometidos por padres homossexuais”, diz ele.

 

O que acontece, segundo Martel, é que uma suposta “cultura de sigilo” existente na Igreja leva ao encobrimento dos abusos.

 

“Como muitos bispos são gays, eles têm medo de escândalos, da imprensa e, no fim das contas, deles mesmos. Eles protegem os agressores não para encobrir os abusos, mas para que não descubram que eles mesmos são homossexuais. Não estão apenas protegendo o agressor, estão se protegendo”, diz ele.

 

O livro alega que muitos padres no Vaticano têm uma vida dupla

© AFP O livro alega que muitos padres no Vaticano têm uma vida dupla

 

Na opinião de Martel, isso não só fez com que, durante anos, os abusos fossem encobertos, mas que muitos cardeais, bispos e padres se tornassem críticos fervorosos da homossexualidade.

 

“O que eu descobri é que, em muitos casos, quanto mais críticos em relação à homossexualidade, mais lasciva era a vida oculta deles como gays”, diz ele.

 

E o que acontece na América Latina?

 

Ao longo de mais de 500 páginas, o livro afirma que essa situação não é exclusiva do Vaticano – também acontece em Igrejas de muitos outros países, inclusive da América Latina.

 

“Estive várias vezes na Argentina, em Cuba, no México, no Chile e na Colômbia, e o que descobri foi que a situação não era muito diferente da do Vaticano”, diz ele.

 

Martel afirma que um denominador comum entre alguns desses países era uma relação “insólita” entre a cúpula religiosa e militar, seja décadas atrás nos governos de fato da Argentina e do Chile, nos tempos da guerrilha da Colômbia ou, mais tarde, no regime de Fidel Castro em Cuba.

 

“Na maioria desses casos, havia uma cumplicidade entre a Igreja e esses governos ou forças que fizeram com que a homossexualidade e os abusos dos padres fossem encobertos nesses países”, sinaliza.

 

Para o seu livro, Martel entrevistou 41 cardeais, 52 bispos e núncios apostólicos, além de 200 padres, seminaristas, jornalistas e diplomatas

© Getty Images Para o seu livro, Martel entrevistou 41 cardeais, 52 bispos e núncios apostólicos, além de 200 padres, seminaristas, jornalistas e diplomatas

 

No México, um dos casos mais notórios é o do fundador da Legião de Cristo, Marcial Maciel, mas ele também descobriu outros menos conhecidos, como o do falecido cardeal colombiano Alfonso López Trujillo.

 

De acordo com o livro, o pároco rondava seminaristas e jovens sacerdotes e contratava garotos de programa rotineiramente.

 

Ao mesmo tempo, pregava os ensinamentos da Igreja de que todos os homens gays eram “intrinsecamente desordenados” e questionava o uso de preservativos.

 

E apesar de Martel dizer que chegou a se encontrar com garotos de programa contratados pelo falecido cardeal, muitos críticos do livro questionam que a maioria das acusações carece de evidências sólidas ​​e é baseada apenas em “fofocas” e “disse me disse”.

 

O papa Francisco tenta controlar o abuso sexual na Igreja

© AFP O papa Francisco tenta controlar o abuso sexual na Igreja

 

Outros também afirmam que o texto poderia levar a uma “caça às bruxas” contra padres homossexuais ou promover estereótipos negativos, porque de acordo com Martin “é mais fácil buscar bodes expiatórios do que confrontar a hipocrisia e a cultura do sigilo” dentro da Igreja.

 

Para outros, o livro é a revelação do que muitos consideram um “segredo aberto” e poderia ser um convite para mudar as estruturas estagnadas do Vaticano.

 

“A Santa Sé deve ser um modelo para todas as dioceses do mundo, incluindo a seleção e monitoramento de seus próprios membros. E, neste momento, não é”, afirmou à BBC o monsenhor Stephen J. Rossetti, professor na Universidade Católica dos Estados Unidos.

 

“Eles devem fazer um trabalho melhor para garantir que seus padres sejam fiéis ao voto de celibato. Também devem ser mais agressivos, especialmente quando confrontados com clérigos homossexuais que não são celibatários. Houve vários casos recentemente e vai continuar havendo escândalos até que eles se encarreguem disso”, acrescenta.

 

 

Fonte: BBC News

Foto: © AFP De acordo com Martel,

grande parte dos padres do Vaticano são homossexuais


karma
8 de fevereiro de 2019

Escolhas Versus Destino


Alguns enfrentam de peito aberto. Outros se esquivam, até chegar ao extremo.

 

Mas o fato é que todos os dias, inevitavelmente, se você escuta axé ou metal, se mora numa cabana ou num iglu. Você faz escolhas. E às vezes nem percebe. Simplesmente não há como fugir.

 

Sim, às vezes dá vontade de ir para as colinas e ficar enrolado num cobertor, comendo salgadinho e assistindo Caverna do Dragão. Mas… crescer é isso. É ter que decidir. Todos os dias. Bem-vindo ao mundo dos adultos.

 

Até os indecisos, procrastinadores e despreocupados já decidiram. Eles só ainda não perceberam que ‘não escolher’ também é uma escolha.

 

Realmente, acredito que algumas situações já fazem parte do nosso ‘karma’.

 

A palavra ‘Karma’ vem do sânscrito e significa “ação”. Muitas doutrinas utilizam esse termo no contexto de que há sempre uma responsabilidade em cada ação nossa. Justíssimo, não!?

 

Eu acredito em karma. Acredito ser responsável pelas minhas ações e que elas terão uma consequência. Mas me nego ter que aceitar tudo como um fardo imutável.

 

Pois cabe a nós permitir ou manter. Coisas, pessoas, situações. Nada vem ou fica em vão.

 

Assim como nada vai embora antes da hora. Se ainda está ali é porque há algum aprendizado. Ou, algumas vezes, teimosia. Mas ainda assim, mesmo na teimosia, há uma lição. Culpar a vida, o destino e se sentar confortavelmente na posição vítima é uma péssima escolha. Só traz sofrimento e é uma perda de tempo precioso.

 

“Mas essa situação não muda! ”. “Essa pessoa não vai embora! ”. “Nada acontece! ”. Se nada muda, mude você!

 

Pergunte-se: qual a parte de mim que ainda precisa disso e que está se agarrando – mesmo inconscientemente – nesta pessoa/situação/emprego? Por que ainda preciso disso em minha vida? O que ainda não estou entendendo?

 

Aceitar as situações que nos chegam e principalmente aprender a lição que elas trazem é um ato de muita maturidade e acelera os processos dolorosos. É milagroso. É um ato de amor consigo e responsabilidade com a própria vida.
E o que isso tem a ver com escolhas então? Tudo! Cabe a você escolher se quer manter ou não!

 

“A cada escolha, uma renúncia.”. Faz sentido. Mas ainda quero acreditar que a cada escolha, surge uma nova oportunidade. A realidade vai se moldando ao nosso redor. O caminho se faz ao caminhar.

 

Se uma palavra pode mudar tudo, que dirá uma decisão.

 

‘Mas e se…’ “E se eu tivesse escolhido diferente? ”

 

Pra mim, essa é uma das perguntas mais inúteis e torturantes que alguém pode fazer a si mesmo.

 

Se você se pergunta isso e realmente tivesse escolhido diferente, provavelmente se perguntaria exatamente a mesma coisa.

 

“Se fosse hoje eu não me casaria! ”. “Se fosse hoje eu não teria escolhido essa faculdade. ”. “Se fosse hoje eu teria feito diferente. ”.

 

Ah, assim é fácil falar, depois que já passou… As pessoas às vezes confundem a realidade concreta da imaginária.

 

Acham que sabem os misteriosos caminhos da vida. Alguns falam de destino, sina. “Tinha que acontecer “. Outros colocam a culpa ao acaso. Destino nada mais é do que o resultado de toda a vida que foi processada até então.

 

Todos os seus comportamentos, crenças, ações. Tudo isso combinado vai dar em algo. Que nada mais é do que o seu momento atual. O seu presente, um dia foi um futuro distante.

 

Hoje você vive a consequência das suas escolhas do passado. Boas, ruins, planejadas ou não.

 

Você quem quis assim.

 

“Ah, mas é muito injusto isso”. Por que injusto? Foi você quem escolheu.

 

Ora, que livre arbítrio fajuto seria esse que nos prometeram se não pudéssemos escolher?

 

Assuma o seu poder, o poder que pode mudar sim a sua realidade. Ninguém falou que seria fácil.

 

Mas ainda dá tempo de fazer valer a pena.

  

Fonte: O Segredo


lgbt-2019-homofobia
16 de janeiro de 2019

Movimentos apostam em criminalização da LGBTfobia em 2019 via STF


“É inadmissível que a gente continue sendo o País que mais mata LGBTs no mundo”, afirma presidente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais.

 

O STF (Supremo Tribunal Federal) definiu uma nova data para analisar duas ações que abrem caminho para a criminalização da LGBTfobia no Brasil. Depois de quase 7 anos e 2 adiamentos nos últimos meses, o julgamento está previsto para o dia 13 de fevereiro de 2019.

 

As ações pedem que o STF reconheça a omissão do Congresso Nacional em legislar sobre o assunto e determine um prazo para que deputados e senadores aprovem uma lei que criminalize atos de preconceito e violência baseados na orientação sexual ou identidade de gênero das vítimas.

 

Os pedidos sustentam que as condutas de discriminação de cunho homofóbico e transfóbico podem ser consideradas como um tipo de racismo ou que devem ser entendidas como “atentatórias a direitos e liberdades fundamentais” e, em ambos os casos, devem ter punição legal conforme determina a Constituição Federal.

 

“O STF já decidiu que racismo é qualquer inferiorização de um grupo social relativamente a outro. Entender a homotransfobia como racismo implica interpretar e aplicar a lei já existente, sem legislar”, explica o autor das peças, o advogado Paulo Iotti. Os processos foram apresentados ao STF em 2012 e 2013 pela Associação Brasileira de Gays, Lésbicas de Transgênero (ABGLT) e pelo partido PPS, respectivamente.

 

A lei penal terá o importante papel de mostrar que o Estado brasileiro não tolera a opressão homotransfóbica

– Paulo Iotti, autor e representante da ABGLT e do PPS nas ações.

 

O primeiro deles, o mandado de injunção 4733, relatado pelo ministro Edson Fachin, fundamenta que a cidadania e os direitos à livre orientação sexual e identidade de gênero de pessoas LGBTI são inviabilizados pelo alto grau de violência e discriminação sofridos por essas pessoas e pela ausência de lei que puna criminalmente tais condutas.

 

“A lei penal terá o importante papel de mostrar que o Estado brasileiro não tolera a opressão homotransfóbica”, argumenta Iotti, representante da ABGLT e do PPS nas ações apresentadas ao Supremo.

 

O jurista considera que o Código Penal é insuficiente para proteger a população LGBTI, porque as condutas mais comuns vivenciadas por essas pessoas, de discursos de ódio e de discriminação, não são criminalizadas. Somente no estado Rio de Janeiro, 431 pessoas foram vítimas de agressões LGBTfóbicas ao longo do ano passado, segundo relatório divulgado neste mês pela Secretaria de Estado de Segurança Pública.

 

“A homotransfobia precisa ser criminalizada porque vivemos verdadeira ‘banalidade do mal’ homotransfóbico, no sentido de muitas pessoas se acharem detentoras de um pseudo ‘direito’ de ofender, discriminar e até mesmo agredir e matar pessoas LGBTI por sua mera orientação sexual ou identidade de gênero”, afirma Iotti.

 

Os números da LGBTfobia em 2018

 

Uma pesquisa feita pelo Grupo Gay da Bahia e divulgada em janeiro apontou que, em 2017, foi registrado o maior número de casos de morte relacionados à LGBTfobia desde que o monitoramento começou a ser elaborado pela entidade, há 38 anos. No ano passado, 445 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais foram mortos em crimes motivados por discriminação LGBTfóbica. Os dados representam uma vítima a cada 19 horas.

 

“É inadmissível que a gente continue sendo o País que mais mata LGBTs no mundo, e o Congresso Nacional não olhe para esses números e consiga aprovar um projeto para erradicar esse tipo de crime. E é por isso que a gente recorre ao Supremo”, afirma Keila Simpson, presidente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA).

 

É inadmissível que a gente continue sendo o País que mais mata LGBTs no mundo e o Congresso Nacional não olhe para esses números

– Keila Simpson, presidente da ANTRA.

 

“Em 1995 tivemos as primeiras discussões no Congresso sobre o assunto e até 2018 não temos nenhuma lei”, reforça Toni Reis, diretor-presidente da Aliança Nacional LGBTI+. Um projeto, o PL 5.003/2001, de autoria da ex-deputada federal pelo PT Iara Bernardi, chegou a ser aprovado na Câmara dos Deputados em 2006, mas acabou arquivado no Senado Federal em 2014.

 

A recusa do Congresso Nacional em votar legislação que tipifique o crime é tratada na Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) 26, impetrada pelo PPS em 2013. O texto defende que “o legislador não aprova, mas também não rejeita, deixando este e todos os outros temas relativos à população LGBT em um verdadeiro limbo deliberativo”.

 

A discussão no STF em 2019

 

Depois de 6 anos em tramitação, o mandado de injunção havia sido incluído na pauta de julgamento em novembro, mas foi retirado a pedido da própria ABGLT, para que fosse julgado em conjunto com a ADO 26. Havia o temor de que o STF entendesse que o mandado não seria o instrumento adequado fazer essa alteração na lei, afirma Iotti.

 

Os dois pedidos foram pautados para o dia 12 de dezembro, mas na semana do julgamento foram adiados novamente. Dessa vez, a iniciativa partiu do relator da ADO, ministro Celso de Mello.

 

Em 1995 tivemos as primeiras discussões no Congresso sobre o assunto e até 2018 não temos nenhuma lei

– Toni Reis, diretor-presidente da ABGLT.

 

As duas ações já foram incluídas pelo presidente do STF, ministro Dias Toffoli, na pauta de julgamentos do dia 13 de fevereiro, mas ainda que os votos dos relatores sejam lidos na sessão, qualquer outro ministro pode interromper a análise se fizer um pedido de vista.

 

A expectativa de Iotti e de outros ativistas do movimento LGBT, no entanto, é de que a análise do tema seja concluída ainda no ano que vem e de forma favorável à criminalização.

 

Os 2 pedidos já tiveram parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, lembra o advogado. A procuradoria apenas não concorda com o pedido de indenização das vítimas de homotransfobia pelo Estado defendido nas ações.

 

Para Keila Simpson, da Antra, a estratégia de adiar o julgamento para fevereiro, apesar de um pouco frustrante, é razoável. “Agora é importante continuar mobilizando nossos pares e atuando muito fortemente junto ao Supremo para que eles possam apreciar a matéria e votar favoravelmente”, reforça a ativista.

 

Toni Reis, da Aliança Nacional LGBTI+, conta que esteve com Toffoli em novembro e reforça a expectativa otimista para o julgamento. “O STF já deu provas que está do lado da Constituição e isso nos dá uma grande segurança”, avalia.

 

 

HUFFPOSTBRASIL


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16 de janeiro de 2019

Decreto de Bolsonaro permite a posse de até quatro armas por cidadão


Medida assinada pelo presidente facilita aquisição a moradores de estados com altos índices de violência.

 

BRASÍLIA – O decreto assinado nesta terça-feira pelo presidente Jair Bolsonaro facilitará que cada cidadão tenha a posse de até quatro armas de fogo. O número pode ser maior se comprovada a real necessidade para o requerente. Os interessados não vão precisar mais do aval da Polícia Federal sobre a posse indispensável do objeto em casa. A partir de agora, bastará uma autodeclaração para que o direito à posse seja concedido — ainda é necessário apresentar atestados de aptidão física e condições psicológicas.

 

O texto já coloca como pressuposto da efetiva necessidade da arma o fato de o interessado morar em um estado com uma taxa de homicídios superior a 10 mil por 100 mil habitantes (com dados de 2016), conforme informações oficiais, e em área rural. Estes critérios permitem o acesso a habitantes de qualquer unidade da federação. Titulares ou responsáveis legais por estabelecimentos comerciais ou industriais também terão a posse de armas garantida.

 

A medida também libera a posse de armas para uma lista ampla de servidores públicos, inclusive os inativos, tais como os agentes da área de segurança pública, da administração penitenciária, do sistema socioeducativo e envolvidos em outras atividades com poder de polícia administrativa. Também terão direito militares ativos e inativos.

 

Outros casos poderão ser analisados para justificar o pedido de posse de arma. As novas regras estabelecem que a validade do registro é de 10 anos. Até então era preciso renovar a cada cinco anos. Estão mantidas as exigências de ter no mínimo 25 anos de idade, não responder a processo criminal nem ser investigado, não ter antecedentes criminais, apresentar laudo psicológico e atestado de capacidade técnica.

 

Brecha para até seis armas

 

Embora o texto coloque quatro armamentos como limite dentro das novas regras, o decreto abre a possibilidade para que o cidadão tenha até seis armas de fogo. Conforme o texto, caso haja “fatos e circunstâncias” que justifiquem, essse limite de armas pode ser superado “conforme legislação vigente”. A norma atual, expedida por portaria de 1999 do Exército, estabelece a quantidade máxima de seis armas, especificando os modelos e calibres. São duas curtas e quatro longas (sendo duas de alma lisa e duas de alma raiada).

 

Mas essa quantidade poderá mudar caso o Congresso Nacional crie uma lei estabelecendo outro parâmetro, que então se tornará a “legislação vigente” mencionada no decreto assinado por Bolsonaro.

 

O próprio presidente Bolsonaro assinalou, durante cerimônia de assinatura do decreto, que será possível extrapolar o limite de quatro armas estabelecido no decreto.

 

— Na legislação atual pode-se comprar até quatro. E preenchendo esses requisitos, cidadão de bem com toda certeza, poderá fazer o uso dessas armas. Com a possibilidade ainda, se tiver que comprar mais armas, tendo em vista o número de propriedades rurais, por exemplo, os cidadãos podem, comprovando, obter uma maior quantidade de armas.

 

Bolsonaro não explicou se haveria critérios diferenciados para comprovar a necessidade de mais armas, além do limite de quatro itens. A bancada da bala na Câmara já prepara a votação de um projeto, pronto para ser pautado no plenário, que derruba o atual Estatuto do Desarmamento e cria regras mais flexíveis.

 

‘Direito legítimo’

 

Durante a cerimônia que marcou a assinatura do decreto nesta terça-feira, Bolsonaro destacou que os novos critérios para a posse de arma obedecem a decisão das urnas no referendo realizado em 2005 para consultar a população sobre o tema.

 

— Como o povo soberanamente decidiu por ocasião do referendo de 2005, para lhes garantir esse legítimo direito à defesa, eu como presidente vou usar essa arma — disse o presidente, ao mostrar uma caneta.

 

No discurso, o Bolsonaro também mencionou que a legislação anterior era subjetiva quando se tratava da necessidade de comprovação de necessidade para a obtenção do aval da Polícia Federal.

 

 

Foto: Jorge William / Agência O Globo

O presidente Jair Bolsonaro ao assinar o decreto de

flexibilização da posse de armas.

Fonte: O Globo


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15 de janeiro de 2019

Liberação das armas implicará mais mortes, dizem entidades em manifesto


Diversas organizações da sociedade civil, entidades de classe e profissionais e ativistas que atuam com direitos humanos lançaram manifesto contra a ampliação da posse e do porte de armas de fogo no Brasil proposto pelo governo de Jair Bolsonaro. A Casa Civil anunciou que o presidente deve assinar o decreto que flexibiliza o porte de armas nesta terça (15).

 

De acordo com a entidades, “o relaxamento da atual legislação sobre o controle do acesso às armas de fogo implicará mais mortes e ainda mais insegurança no Brasil”.

 

Entre as entidades que assinam o documento, estão o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Instituto de Defesa do Direito de Defesa, a Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo, além de profissionais e ativistas de áreas como pedagogia, psicologia, economia e história.

 

O documento ainda reforça que a proposta do governo vai na contramão das medidas adotadas no mundo atualmente. “O objetivo dos acordos e tratados internacionais tem sido justamente ampliar o controle do comércio de armas de fogo no mundo, e não facilitar o seu acesso”, adverte as entidades em outro trecho do manifesto, reforçando que a proporção de homicídios nas Américas é maior do que em continentes em guerra, como Ásia e África.

 

“O Atlas da Violência de 2018 mostrou que as taxas de homicídios de jovens e adultos voltaram a crescer constantemente entre 2006 e 2016 em 20 estados brasileiros, em especial no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país, mas também no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul”, destaca.

 

E conclui: “Quem não tem formação técnica específica, não tem as habilidades e o autocontrole necessários para manusear armas de fogo e, ao fazê-lo, coloca em risco a si e aos outros. Ampliar a posse e o porte de armas não é a solução para os graves problemas de violência no Brasil”.

 

 

Fonte: Brasil247


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31 de dezembro de 2018

EXISTE PERIGO NA ESQUINA SENHOR PRESIDENTE


EXISTE PERIGO NA ESQUINA SENHOR PRESIDENTE

Jenyberto Pizzotti

Estou vendo com muita preocupação a Segurança do Presidente Bolsonaro por ocasião de sua posse. No final desse artigo descrevo algumas das medidas que estão sendo adotadas para sua segurança (obviamente outras são secretas). Mas, mesmo assim, avalio como de altíssimo risco para a vida do Presidente a forma como se dará toda essa cerimônia.

Utilizando o Google Earth e Photoshop montei uma imagem, e nesse mapa existem alguns pontos que são extremamente verdadeiras incógnitas em termos de segurança.

Vou descrever o que penso da forma a mais simples possível, para que todos entendam…

NÚMERO 1 – Bolsonaro e Mourão se encontram (e se expõe fisicamente) na Catedral. Será realizada uma rápida cerimônia religiosa (desnecessária em minha opinião) onde Bolsonaro e Mourão (com suas esposas, e acompanhantes) estarão expostos a dezenas de pessoas.

Número 2 – Trajeto de Bolsonaro e Mourão (em carros separados) pela Avenida da Catedral até o Congresso Nacional. Caso usarem carros abertos (como o Rolls Royce de 1952), e sem proteção de blindagem existirá risco (a frequência utilizada em drones comuns será anulada, mas um ou mais  snipers poderão estar de alguma forma escondidos em vegetação existente no local e em posição de tiro).

Número 3 – Por incrível que pareça, é no Congresso Nacional que vejo a maior possibilidade de risco. Por quê ? Simples… Quem fará a Segurança do Presidente no Congresso será a Segurança do Senado, na minha opinião, não confiável. Uma “segurança” que foi incapaz e não soube (ou não quis) explicar o registro (falso) de presença do terrorista Adélio, que tentou matar o Presidente. Essa “segurança” é quem será responsável pelo Presidente nesse momento. Aqui mora o perigo. E entre centenas de políticos (deputados e senadores) e convidados, um deles poderá realizar um atentado, transitando praticamente livre com uma arma ou dispositivo explosivo DENTRO do Congresso.

Número 4 – Em seguida, outro trajeto perigoso, do Congresso ao Palácio do Planalto para a passagem da Faixa Presidencial. Novamente, a mesma situação verificada no Congresso irá se repetir, mas já com  Bolsonaro e Mourão com a Segurança mais especializada e eficiente. Em seguida, no Itamaraty, a festa e recepção a convidados.

Esse é mais ou menos o mosaico que estamos visualizando, onde Bolsonaro e Mourão estarão expostos e onde correm perigo.

Em minha opinião, Agentes Federais e Agentes Especiais de Nossas Forças Armadas devem acompanhar o Presidente Full Time, ou seja, todo o tempo em que estiver exposto, mesmo dentro do Congresso Nacional.

Peço a Deus que proteja Bolsonaro e Mourão.

Je

 

Em seguida algumas informações que julgo necessárias divulgar:

ESPAÇO AÉREO

Mísseis antiaéreos guiados a laser capazes de abater aviões a até 7 km de distância.

20 aeronaves da FAB (Força Aérea Brasileira) em Brasília.

Radar portátil para identificar aeronaves que estiverem voando a baixa altitude.

Interceptação e  abate de aeronaves consideradas suspeitas ou hostis, que apresentem ameaça à segurança (No raio de 7,4 km, fica proibida a circulação das aeronaves que não fazem parte do esquema de segurança. No raio de 46,3 km, as aeronaves precisam de uma autorização expressa da FAB)

EFETIVO DE HOMENS E MULHERES NA SEGURANÇA

3.200 Policiais Militares, Civis, e Federais

Polícia Federal, Secretaria da Segurança Pública, Corpo de Bombeiros e Detran.

Serviço Secretos Federal, do Exército, Marinha e Aeronáutica.

Agentes policiais infiltrados em todas as áreas.

Atiradores de Elite em Pontos Estratégicos.

PERÍMETRO CERCADO E PROTEGIDO

Esplanada dos Ministérios cercada por arame farpado com lâminas cortantes instalado pelo Exército.

Detectores de Metal espalhados em todo o perímetro e nas revistas pessoais.

Não permitido na área: bicicletas, skates, patins, guarda-chuvas, objetos cortantes, carrinhos de bebê, bebidas alcóolicas, fogos de artifício, máscaras, garrafas, sprays, bolsas, mochilas, etc.

 

JENYBERTO PIZZOTTI

Certificado de Reservista nº 217479 (1971)

Ministério do Exército – 2ª RM – 14ª CSM

RG 8.450.437-7 SSP/SP

jenyberto@yahoo.com.br

 

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26 de novembro de 2018

Em 2019 Uber trará serviço de bicicletas elétricas compartilhadas da Jump para o Brasil


A Uber começou a oferecer serviço de bicicleta elétrica compartilhada em janeiro deste ano por meio de uma parceria com a Jump e, logo depois, anunciou a aquisição da parceira. Agora, a companhia vai trazer a nova modalidade para o Brasil em 2019, apesar de nenhuma data oficial ter sido confirmada.

A confirmação foi feita pelo fundador e chefe da Jump Ryan Rzepecki em conversa com o UOL Tecnologia. “A América Latina é nossa prioridade máxima agora. Será em 2019, só não sabemos precisar o mês. São Paulo deve ser uma das primeiras cidades que vamos desembarcar”, informou o executivo.

A reportagem, porém, garante que o anúncio deve ser feito em breve e a atuação da empresa começará por uma área restrita da capital paulista.

 

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Para usar as bicicletas da Jump, os usuários usarão o app padrão do Uber. Primeiro, é preciso selecionar a função “Pedalar” para encontrar bicicletas disponíveis na região e, depois, basta se dirigir até uma delas e usar o app para destravar o veículo. Ao final do percurso, é só prender a bicicleta a um poste ou algo do tipo para que a viagem seja automaticamente encerrada.

 

 

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A preocupação com a segurança, latente nesse tipo de modelo de oferta, também é levada em conta pela Uber. A empresa, porém, afirma que a maioria dos componentes de suas bicicletas não tem uso fora das próprias bicicletas, o que deve contribuir para minimizar os casos de roubo.

“Todos os componentes são customizados, da bateria ao resto. Não tem um segundo mercado para isso e aí afasta roubo e vandalismo”, acredita o chefe de hardware da da Jump Nick Foley.

 

Fonte: Tecmundo


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8 de outubro de 2018

Brasil fica em 2º em ranking de ignorância sobre a realidade


Pesquisa do Ipsos mostra que os brasileiros só perdem para sul-africanos em percepção distorcida sobre a realidade.

 

Quantas garotas de 15 a 19 anos você acha que dão à luz no país? A taxa de homicídios hoje é mais alta ou mais baixa que no ano 2000? A cada cem presos no país, quantos são imigrantes?

 

As respostas dos brasileiros a perguntas como essas estão entre as mais distantes da realidade do mundo.

 

Na verdade, poucas adolescentes dão à luz no Brasil, cerca de 6,7%, mas a resposta média foi de 48%. A taxa de homicídios desde o ano 2000 continuou a mesma, apesar da percepção de alta, e só 0,4% dos presos são imigrantes, embora os entrevistados tenham respondido, em média, 18%.

 

Essas distorções fazem com que o país tenha ficado em segundo lugar no ranking Ipsos Mori de “Percepção errada da realidade”, atrás apenas da África do Sul. Os dados estão disponíveis na pesquisa “Os perigos da percepção 2017”.
Mesmo em relação a questões mais amplas, como religião, as respostas dos brasileiros ficam longe da realidade: os entrevistados estimaram que 80% do país declara acreditar em Deus; o índice real é de 98%.

 

Outros dados que têm distorção são os relacionados à internet: os entrevistados acham que 85% dos brasileiros têm smartphone, quando na verdade são 38%, segundo a Ipsos; e acham que 83% têm perfil no Facebook, quando na realidade são 47%.

 

Em alguns assuntos nos saímos melhor: só 10% dos brasileiros acreditam na ideia de que vacinas causam autismo, um índice baixo se comparado a países como a Índia, onde a crença é disseminada entre 44% da população.

 

Veja o ranking completo:

 

Posição País

 

1 África do Sul
2 Brasil
3 Filipinas
4 Peru
5 Índia
6 Indonésia
7 Colômbia
8 México
9 Turquia
10 Arábia Saudita
11 Argentina
12 Itália
13 Chile
14 Japão
15 Malásia
16 França
17 Coreia do Sul
18 Hungria
19 Nova Zelândia
20 Países Baixos
21 Hong Kong
22 Polônia
23 EUA
24 Rússia
25 Alemanha
26 Austrália
27 China
28 Cingapura
29 Israel
30 Grã-Bretanha
31 Bélgica
32 Canadá
33 Sérvia
34 Montenegro
35 Espanha
36 Dinamarca
37 Noruega
38 Suécia

 

Este conteúdo foi originalmente publicado em Exame.com


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2 de outubro de 2018

Nota da Rio Claro Online sobre o Editorial do Justificando: Ele não, ele nunca! Justificando nossa posição contra Bolsonaro


Reprodução do Editorial do Justificando

 

O Justificando nasceu em 2014 com a proposta de ser um espaço para as vozes plurais de juristas contestadores, movimentos sociais, acadêmicos, atores culturais, minorias e pessoas progressistas em geral que estejam engajados na luta por Democracia e Direitos Humanos.

 

Essa brevíssima narrativa da nossa história já é suficiente para explicar o porquê de o Justificando aderir a campanha #EleNão e se posicionar institucionalmente contra a candidatura de Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL). Nós temos lado e responsabilidade enquanto veículo de imprensa. Não nos esquivaremos de nos posicionar assertivamente neste grave momento para a democracia no Brasil.

 

Afinal, o deputado de extrema-direita se diz abertamente contra os Direitos Humanos e já proferiu diversas declarações de cunho antidemocrático, algumas delas transformadas em promessas de campanha inconstitucionais; Cresceu politicamente com um discurso populista autoritário que instrumentaliza o medo e o ódio, abusando da disseminação de informações falsas de viés sensacionalista; Se utiliza frequentemente da sua garantia de imunidade parlamentar para fazer menções elogiosas, ou no mínimo questionáveis à crimes como o estupro, lesão corporal, homicídio, sonegação de impostos, tortura, além das rotineiras ofensas e ataques a mulheres, pessoas negras, LGBTIs, quilombolas, indígenas e imigrantes; E defende a existência de duas categorias de pessoas, os “cidadãos de bem” e os “bandidos” (às vezes chamados de comunistas, PTistas, esquerdistas, maconheiros, vagabundos…) prometendo aos primeiros proteção e privilégios e, aos segundos, a prisão e a morte – de modo que o candidato não é nem tão patriota, honesto ou cristão como gosta de se afirmar, não sendo exagero chamá-lo de fascista.

 

Porém, este editorial não pretende ser um “ataque pessoal” a quem quer que seja.

 

Como humanistas, defendemos os direitos fundamentais inclusive para Bolsonaro. Defendemos o direito à vida do candidato. Defendemos o seu direito à integridade física e à saúde. Defendemos seu direito à constituição de família, ao casamento, à paternidade. Defendemos o seu direito à propriedade privada, desde que obtida de forma lícita e desde que obedeça à sua função social. Defendemos o seu direito à liberdade, inclusive a liberdade religiosa e a liberdade de expressão, contanto que não sejam utilizadas para lesionar os direitos dos outros.

 

Entretanto, fato é que todos os demais candidatos, goste-se ou não de suas personalidades, concorde-se ou não com seus projetos de governo, possuem propostas democráticas que podem ser debatidas, negociadas, disputadas dentro do Estado Democrático de Direito. Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB), Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede), Álvaro Dias (Podemos), João Amoêdo (Novo), José Maria Eymael (PSDC), Guilherme Boulos (PSOL), Vera Lúcia (PSTU), João Goulart Filho (PPL), todos eles ao menos respeitam a ordem constitucional. Bolsonaro não.

 

Não se trata, portanto, de um ataque à pessoa de Jair Bolsonaro, mas sim da aversão ao que ele representa: um projeto de país injusto, excludente, antidemocrático e genocida.

 

Muito além da dicotomia direita ou esquerda, trata-se de constatar que, no atual contexto social e histórico, Bolsonaro significa a negação da política enquanto diálogo, pluralismo, tolerância e democracia. Flertar com o fascismo porque não se quer um governo de esquerda é muitas vezes apenas uma desculpa para legitimar outros ódios com os quais você se identifica.

 

Basta lembrar o paradoxo da tolerância para compreendermos a gravidade desta constatação: deve-se tolerar a todas e todos, exceto as condutas intolerantes, visto que estas violam precisamente a regra da tolerância, donde, se toleradas em sua intolerância, gerarão opressões e totalitarismos diversos, incompatíveis com a vida em sociedade.

 

E, neste sentido, não podemos esquecer que a Constituição Democrática de 1988 não está escrita em pedra ou garantida por nenhuma ordem natural: assim como foi conquistada ela pode ser retirada de nós.

 

As conquistas sociais no mundo foram adquiridas por meio de muito suor, luta e sofrimento daqueles que sangraram com a falta de direitos, ou resistiram até que eles fossem incorporados na vida das pessoas. Enfrentar uma candidatura que prega o extermínio dos ideais defendidos por Martin Luther King, Zumbi dos Palmares, Dandara, Rosa Parks, Dorothy Stang, Chico Mendes, dentre diversos outros, significa honrar nossos antepassados e barrar o fascismo que tende a assolar o Brasil. Nem um passo atrás diria Marielle Franco, completando o coro dos que resistem ao projeto fascista de poder.

 

Assim, assumindo um posicionamento propositivo, reconhecendo o papel da mídia no acesso à informação livre da influência de interesses econômicos que tantas vezes capturam as instituições democráticas, reconhecendo a responsabilidade inerente a nossa condição de informadores, o Justificando adere a campanha #EleNão. Porque acredita na Democracia e em um país onde vigore o Estado de Direito. Porque defende o respeito às normas nacionais e internacionais de direitos humanos. E porque luta – e sempre lutará – por um país onde possamos, mulheres, pretos, pretas, gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis, maconheiros, índios, quilombolas, professores, trabalhadores e pobres ter também o direito de existir com dignidade.

 

Ele não. Ele nunca.

A Redação Justificando

 

 

 

Nota da Rio Claro Online Revista Colaborativa sobre o Editorial do Justificando

 

A Rio Claro Online como mídia independente se posiciona sempre como a maioria dos nossos fiéis leitores já sabem, e é JUSTIFICANDO O NOSSO ELE NÃO, ELE NUNCA, ELE JAMAIS, que damos os parabéns para essas mentes inquietas que pensam direito do Editorial Justificando e aproveitamos para também nos posicionarmos para nossos internautas e fazermos das palavras desse grande canal de comunicação online que é o Justificando, as nossas.

 

Acreditamos sempre em um mundo livre e com justiça para tod@s, e para isso acontecer devemos ser ímpares, mas pares ao mesmo tempo e pensar coletivamente em tempos de retrocessos.

 

Por nenhum direito a menos – Ano de 2018 – Brasil.

 

A Redação Rio Claro Online


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21 de setembro de 2018

Cientistas criam espermatozóide a partir de célula feminina


A gente aprende na escola que a reprodução é possível a partir da combinação das células reprodutivas de uma fêmea e de um macho. Ao que tudo indica, pelo menos no caso dos seres humanos, essa máxima pode estar com os dias contados.

 

Cientistas britânicos foram capazes de desenvolver espermatozoide em laboratório a partir de células-tronco da medula óssea feminina. Segundo os responsáveis pela descoberta, esse pode ser o fim da necessidade do pai na reprodução (humana, pelo menos).

 

Experimento com células-tronco abre caminho para reprodução sem pai.

 

Cientistas britânicos afirmam ter criado espermatozóides a partir de células-tronco da medula óssea feminina – abrindo caminho para o fim da necessidade do pai na reprodução.

 

A experiência vem sendo desenvolvida por especialistas da Universidade de New Castle que, em abril do ano passado, anunciaram ter conseguido transformar células-tronco da medula óssea de homens adultos em espermatozóides imaturos.

 

Em entrevista à última edição da revista New Scientist, Karim Nayernia, um dos pesquisadores envolvidos no estudo, disse que agora os cientistas repetiram a experiência com células-tronco da medula óssea de mulheres, podendo “abrir caminho para a criação do espermatozóide feminino”.

 

No trabalho, ainda não publicado, Nayernia disse à New Scientist estar esperando a “permissão ética” da universidade para dar continuidade ao trabalho, que consistiria em submeter os espermatozóides primitivos à meiose, um processo que permitiria a maturação do espermatozóide, tornando-o apto para a fertilização.

 

“Em princípio, eu acredito que isso seja cientificamente possível”, disse Nayernia.

 

O estudo, afirma a revista, poderia possibilitar que um dia, casais de lésbicas poderão ter filhos sem a necessidade de um homem, já que o espermatozóide de uma mulher poderia fertilizar o óvulo da outra.

 

Brasil

 

A New Scientist ainda relata uma experiência que está sendo realizada por cientistas brasileiros no Instituto Butantan, em São Paulo.

 

Segundo a revista, os especialistas estariam desenvolvendo óvulos e espermatozóides a partir de uma cultura de células-tronco embrionárias de ratos machos.

 

A revista cita o trabalho publicado pelos brasileiros na revista especializada Cloning and Stem Cells (Clonagem e células-tronco, em tradução literal), em que os pesquisadores disseram ainda não ter provado que os óvulos masculinos poderão ser fertilizados e procriar.

 

“Estamos agora começando experimentos com céulas-tronco embrionárias humanas e, se bem-sucedidos, o próximo passo será ver se óvulos masculinos poderão ser feitos a partir de outras células”, disse a coordenadora da pesquisa, Irina Kerkis.

 

Essas outras células, que se comportariam de maneira semelhante às embrionárias, poderiam ser encontradas na pele humana, afirma a revista.

 

Isso abriria a possibilidade para que casais gays masculinos também tenham filhos com 100% de seu material genético.

 

Nesse caso, um dos homens doaria células de sua pele, que seriam transformadas em um óvulo a ser fecundado pelo espermatozóide do parceiro.

 

Uma vez fertilizado, o óvulo seria implantado no útero de uma mulher.

 

“Eu acredito que isso seja possível, mas não sei como as pessoas encarariam isso de forma ética”, disse Kerkis.

 

Com informações do O Globo, BBC e Segredos do Mundo.