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13 de março de 2017

Parte 08 da história da Cidade de Rio Claro/SP contada tim-tim por tim-tim: Estação Ferroviária


A linha-tronco da Cia. Paulista foi aberta com seu primeiro trecho, Jundiaí-Campinas, em 1872. A partir daí, foi prolongada até Rio Claro, em 1876, e depois continuou com a aquisição da E. F. Rio-Clarense, em 1892. Prosseguiu por sua linha, depois de expandi-la para bitola larga, até São Carlos (1922) e Rincão (1928). Com a compra da seção leste da São Paulo-Goiaz (1927), expandiu a bitola larga por suas linhas, atravessando o rio Mogi-Guaçu até Passagem, e cruzando-o de volta até Bebedouro (1929), chegando finalmente a Colômbia, no rio Grande (1930), onde estacionou. Em 1971, a FEPASA passou a controlar a linha. Trens de passageiros trafegaram pela linha até março de 2001, nos últimos anos apenas no trecho Campinas-Araraquara.

 

A ESTAÇÃO: A estação de Rio Claro foi inaugurada em 1876 como ponta da linha-tronco da Paulista de bitola larga; entretanto, alguns anos mais tarde, com a inauguração da linha para Porto Ferreira, saindo de Cordeiro, Rio Claro passou a ser ponta de um curto ramal.

 

Em 1884, com a inauguração da linha de bitola métrica da Cia. Rio-Clarense, a estação passou a ser ponto de baldeação de passageiros e cargas que vinham tanto de São Paulo como de São Carlos. Em 1884, a Cia. Rioclarense não seguia o mesmo trajeto de hoje para São Carlos, mas sim, saía de Rio Claro subindo pela serra de Corumbataí até Anápolis (hoje Analândia), e daí descia para a estação de Visconde de Rio Claro, onde, a partir de alguns anos mais tarde, passou a bifurcar daí para São Carlos e Araraquara, para o norte, e para Jaú, para oeste.

 

Em 1892, a Cia. Paulista comprou a Rio-clarense dos ingleses, que a haviam comprado dos seus donos originais.

 

A estação original foi demolida em 1911, ano em que a Paulista inaugurou o prédio atual da estação; a construção havia da nova havia se iniciado em agosto de 1909, quando a Companhia Paulista requereu à Câmara o alinhamento de terrenos para o novo prédio.

 

Em 1916, a Paulista completou as obras de alargamento de bitola para além de Rio Claro, passando esta a ser parte da nova linha-tronco. O ramal de Descalvado passou a ser chamado com este nome.

 

A retificação e alargamento de bitola de 1916, feito pela Paulista, transformou o trecho da serra de Corumbataí em ramal – o ramal de Anápolis, depois ramal de Analândia. Posteriormente, o trecho Anápolis-Visconde de Rio Claro foi desativado em 1941. O ramal remanescente funcionou até 1966. A estação de Rio Claro, portanto, de 1916 até 1966, foi ponto de bifurcação.

 

A estação tinha grande importância também por ter a cidade de Rio Claro as oficinas da Paulista e da FEPASA, além do Horto Florestal Navarro de Andrade, de propriedade das companhias.

 

Em 1980, foi aberta a estação de Rio Claro-Nova, também chamada de Guanabara, por se situar no bairro do mesmo nome. Esta estava na recém inaugurada variante Santa Gertrudes-Itirapina, que passa por fora da cidade, a oeste. As duas estações, em duas linhas diferentes, continuaram ativas para passageiros, dependendo dos trajetos feitos. A linha velha foi desativada entre Batovi e Itirapina, mas Rio Claro continuou tendo ligação com a linha nova, pouco antes de Batovi.

 

Em 1986, o relatório de Instalações Fixas da Fepasa mostrava que o abandono já havia começado: “O pátio da estação possui inúmeros carros de passageiros totalmente deteriorados e com mato à toda volta, defronte à plataforma, causando má impressão”.

 

Com a Ferroban operando os trens de passageiros a partir de 1999, apenas a estação de Rio Claro-nova passou a ser usada, e a estação de Rio Claro permaneceu fechada por um bom tempo, sem uso da linha antiga.

 

Em março de 2001, o fim dos trens de passageiros fez com que a linha velha entre Santa Gertrudes e Camaquã fosse definitivamente abandonada.

 

O trecho entre a estação de Rio Claro e a junção com a variante, perto de Camaquã, teve a linha retirada em 2002, enquanto o trecho Santa Gertrudes-Rio Claro passou a ser um ramal, levando para as oficinas da agora Brasil Ferrovias, com uma placa novinha em folha à entreda da oficina, logo após a estação (setembro de 2002).

 

A estação, por sua vez, virou centro de eventos, realizadas debaixo da antiga gare na plataforma… “Estive ontem em Rio Claro e havia uma exposição de orquídeas na estação. A cabine do lado direito, está praticamente destruída. Virou poleiro de pombas e urubus. Retiraram os trilhos da plataforma principal e as plataformas internas onde foi tudo cimentado. Onde o trem húngaro estacionava, foi asfaltado e usam o local para exposições de plantas. Ao lado direito da estação, alguns carros alegóricos do carnaval sobre onde era a linha principal e passavam os trens com destino interior e capital. No local das bilheterias, colocaram uns vidros com logotipos da CP e muitos vasinhos de flores. O bar com um lindo balcão de granito está fechado e com tapumes e os banheiros foram modernizados. Se por um lado, estão limpos e com equipamentos modernos, por outro lado, a originalidade de um tempo foi pro saco. Enfim, deram uma garibada meia-boca no local. Nem os vidros quebrados das clarabóias da gare foram trocados. Muito ali foi descaracterizado. Enfim: o local nem parece mais que foi estação ferroviária. Parece que o encanto da velha Rio Claro acabou” (Edson Castro, 06/2005). O prédio da estação havia sido tombado pelo CONDEPHAAT em 1985.

 

Em 2012, os trilhos que davam para a gare para embarque e desembarque não existiam mais. Movimentação de terra no pátio planejava transformar a área em parque. Os trilhos estão passando ao lado direito da gare de quem olha como chegando de São Paulo, e dirigem-se para as oficinas, agora operadas pela ALL.

Gentileza Antonio Carlos Mussio

Em 1884, oito anos depois da inauguração da estação, ainda estavam sendo vendidos os terrenos lindeiros dos dois lados da estação (A Provincia de S. Paulo, 18/5/1884).

ACIMA: Na inauguração da estação de Rio Claro, em 1876, vêem-se duas pessoas assinaladas com números: a número 1 seria o engenheiro Andreas Schmidt, diretor da Cia. Paulista e construtor também da estação de Valença, no Rio de Janeiro, quatro anos antes. Ele é o pai do futuro prefeito de Rio Claro, Marcelo Schmidt, um dos responsáveis pela construção da segunda estação da cidade, demolindo a primeira (Arquivo Histórico do Município de Rio Claro, cessão Alexandre G. Negri em 2009). ABAIXO: A movimentada bilheteria da estação de Rio Claro nos anos 1970 (Marcos Paulo).


ACIMA: Na magnífica fotografia publicada em 1911, a gare de Rio Claro, então novinha em folha, com a “gaveta” do trem de bitola métrica (linha da antiga Rioclarense) à esquerda. Reparem que a linha pára ali, por isso o termo usado. À direita, o trem de bitola larga, que também tinha a gare como ponto final, não podia continuar para São Carlos nessa época. A gare era ponto obrigatório de baldeação para quem não tinha Rio Claro como destino final (Fotografia do livro Libro D’Oro Dello Stato de San Paolo, 1911, acervo Paulo Castagnet). ABAIXO: Vista aérea das oficinas de Rio Claro, em 1968 (Acervo J. H. Bellorio).


(Fontes: Ralph Giesbrecht, pesquisa local; Kelso Medici; Alexandre G. Negri; Ulisses X. Lopes; José H. Bellorio; Edson Castro; Marcos Paulo; Paulo Castagnet; Filemon Peres; Arquivo Histórico do Município de Rio Claro; Folha de São Paulo, 1987; Arquivo Publico e Histórico de Rio Claro: Crônica dos Prefeitos de Rio Claro (1908-1983), 1983; Libro D’Oro Dello Stato de San Paolo, 1911; Cia. Paulista: Álbum dos 50 anos, 1918; Fepasa: relatório de Instalações Fixas, 1986; Mapa – acervo R. M. Giesbrecht)

   

Rio Claro – detalhes da estação e do pátio, Município de Rio Claro, SP

Fotos: Marcus Sousa – Dados de 25/6/2008

“Andei muito de São Paulo a Rio Claro de Pulmann puxado pelas imponentes e poderosas Locos V-8, e no último feriado fui a Rio Claro e resolvi tirar algumas fotos da velha estação. Está decadente, em reforma para a ampliação do terminal de ônibus que fica à frente dela, fora que virou depósito de carros alegóricos de carnaval. Muito triste, ela não tem trilhos na plataforma principal, somente no trilho seguinte, onde passa uma locomotiva da ALL que puxa vagões para reforma na oficina, que fica no fim da estação. No geral, a estação está bem conservada: o prédio pelo menos está pintado e bonito, sendo ocupado por algum órgão da prefeitura. O entorno é que está degradante: a gare também é um lugar que deveriam olhar melhor, se não cuidarem, pode desabar logo, logo” (Marcus Sousa, setembro de 2008).


O belo frontão da fachada


Fachada




Lado da plataforma

Lado da plataforma.


Relógio


Lado da plataforma


Belos vidros com o símbolo da velha Companhia Paulista ainda nas janelas

Escritório do chefe da estação… quando havia um


O lado de fora da gare, que não foi cercado, está um lixo; o vitral não está nenhuma maravilha, infelizmente


O lado de dentro da gare virou até estacionamento

Aqui ainda sobram trilhos, quase totalmente enterrados

A gare vista de fora

 

Localização: Rua 1

Número do Processo: 22295/82

Resolução de Tombamento: Resolução Secretaria da Cultura 64 de 14/11/85

Publicação do Diário Oficial
Poder Executivo, 19/11/85, pgs. 19 e 20

Livro do Tombo Histórico: inscrição nº 246, p. 66, 22/01/1987

 

Em meados do século XIX, com a introdução do café na região, Rio Claro não dispunha de meios de transporte adequados que viabilizassem a sua comercialização, visto que ainda se utilizava do muar para este fim e a um custo elevado. A chegada da ferrovia da Companhia Mogiana, em 1876, alterou esta situação assumindo grande importância no contexto da rede ferroviária estadual. Em 1910 construiu-se a atual Estação Ferroviária de Rio Claro. Em estilo eclético, diferente da maioria de influência inglesa, são os elementos do neoclássico que mais se sobressaem: frontões triangulares e curvos, janelas em vergas retas e curvas. Tanto a plataforma quanto a entrada principal são cobertas por estruturas metálicas, cuja obtenção era facilitada pela própria ferrovia, responsável pela difusão dos novos materiais.

 

Com Informações do WebSite Estações Ferroviárias